Sementes... (Atualizado!)


Material para evangelização 
Atividades práticas - Passo a passo
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Adultos - 01

. O que o egoísmo, a inveja, a gula, a luxúria e tantos outros têm a ver com a mortandade de inúmeras espécimes/ano? E com a escravidão humana, formal e/ou informal?

. Será que sobreviveremos às nossas escuridões interiores buscando afastar de nós as exteriores e o risco de morte ou de dolo associados?

. O quanto necessitamos de luz, o quanto é desperdiçado, o quanto afetamos os ciclos das diversas espécies e, consequentemente, afetamos a nós mesmos? Você sabe o que é um ciclo circadiano? 

. Você pode olhar para o alto à noite e ver algo além de uma névoa luminosa? 

. Poderia reconhecer um planeta de uma estrela? 

. Saberia indicar uma constelação? 

. Ou o que representam os nomes Mintaka, Alnilan e Alnitaka? Quais suas correspondências com o nosso Evangelho?

. Já viu o nosso símbolo, A Cruz?

. Já teve o privilégio de ver o rastro da Via Láctea? Com o que este se assemelha? Poderia citar onde na Sagrada Escritura esta maravilha de Deus é louvada?

. Todas as civilizações surgiram a partir da observação do céu noturno... E a nossa? O que está criando de fato?

Assista o vídeo que indico abaixo; ele não é longo, e se puder, reflita sobre o que estamos nos tornando sem optarmos por um uso mas sábio da tecnologia. Sugiro que o veja à noite na escuridão de sua sala ou quarto. 


Pode parecer que não haja nesta "semente" que proponho, algo que os una à nossa fé, mas se você buscar ter uma visão sobrenatural, poderá encontrar incômodas respostas.




Te deixo com estas palavras de São João da Cruz e a análise destas feita pelo Frei Patrício Sciadini, OCD:

"[...] Esposa:

XV
A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada,
A solidão sonora,
A ceia que recreia e enamora [...]"


"[...] A noite sossegada

Durante este sono espiritual que a alma dorme no peito do seu Amado, possui e goza todo o sossego, descanso e quietude de uma noite tranqüila. Recebe, ao mesmo tempo, em Deus, uma abissal e obscura compreensão divina. Por isso, diz que seu Amado é, para ela, a noite sossegada.

Quase aos levantes do raiar da aurora

Esta noite tranqüila, como canta aqui a alma, não é semelhante à noite escura. É, antes, como  noite já próxima aos levantes da aurora, ou por assim dizer, semelhante ao raiar da manhã. O sossego e quietude em Deus, de que goza a alma, não lhe é de todo obscuro, como uma noite cercada; pelo contrário, é um repouso e tranquilidade em luz divina, num novo conhecimento de Deus, em que o espírito se acha suavissimamente quieto, sendo elevado à luz divina

Muito adequadamente dá o nome de levantes da aurora, isto é, manhã, a essa mesma luz divina; porque assim como os levantes matutinos dissipam a escuridão da noite e manifestam a luz do dia, assim esse espírito sossegado e quieto em Deus é levantado da treva do conhecimento natural à luz matutina do conhecimento sobrenatural do próprio Deus.

Não se trata, contudo, de conhecimento claro em que nem é totalmente noite, nem é totalmente dia, mas conforme dizem, está entre duas luzes. Assim, esta solidão e sossego da alma em Deus nem percebe ainda com total claridade a luz divina, nem tampouco deixa de participar algum tanto dessa luz.

O pássaro solitário

Nesta quietação, o entendimento é levantado com estranha novidade acima de todo o conhecimento natural, à divina iluminação, como alguém que depois de um demorado sono, abrisse de repente, os olhos à luz não esperada.

Tal conhecimento foi significado por Davi nestes termos: "Vigiei e me fiz como pássaro solitário no telhado" (Sl 101, 8). Como se dissesse: abri os olhos do meu entendimento e me achei acima de todas as inteligências naturais, solitário sem elas no telhado, isto é, sobre todas as coisas terrenas. Diz ter feito semelhante ao pássaro solitário, porque nesta espécie de contemplação, o espírito adquire as propriedades desse pássaro, as quais são cinco.

Primeira - ordinariamente se põe ele no lugar mais alto; assim também, o espírito, neste estado eleva-se à mais alta contemplação. 

Segunda - sempre conserva o bico voltado para o lado onde sopra o vento; o espírito, de modo semelhante, volve o bico de seu afeto para onde lhe vem o espírito de amor, que é Deus. 

Terceira - permanece sempre sozinho e não tolera outros pássaros junto a si; se acontece algum vir pousar onde ele se acha, logo levanta vôo. Assim o espírito, nesta contemplação, está sempre em solidão de todas as coisas, despojado de tudo, sem consentir que haja em si outra coisa a não ser essa mesma solidão em Deus.

Quarta - canta muito suavemente; o mesmo faz o espírito, para com Deus, por esse tempo e os louvores que a Ele dá, são impregnados de suavíssimo amor, sobremaneira deliciosos para si mesmo e preciosíssimo para Deus. 

Quinta - não tem cor determinada; assim também o espírito perfeito não só deixa de ter, neste excesso, cor alguma de afeto sensível ou de amor-próprio, mas até carece agora de qualquer consideração particular, seja das coisas do céu ou da terra, nem poderá delas dizer coisa alguma, por nenhum modo ou maneira, porquanto é um abismo essa notícia de Deus que lhe é dada.

A música calada

Naquele sossego e silêncio da referida noite, bem como naquela notícia de luz divina, claramente vê a alma uma admirável conveniência e disposição da sabedoria de Deus, na diversidade de todas as criaturas e obras. Com efeito, toda e cada uma delas têm certa correspondência a Deus, pois cada uma, a seu modo, dá sua voz testemunhando o que nela é Deus. De sorte que parece à alma uma harmonia de música elevadíssima, sobrepujando todos os concertos e melodias do mundo.

Chama essa música "calada", porque é conhecimento sossegado e tranqüilo, sem ruído de vozes; e assim goza a alma nele, a um tempo, a suavidade da música calada, pois nele se conhece e goza essa harmonia de música espiritual. Não somente lhe é isto o Amado, mas também é.

A solidão sonora

Significa mais ou menos a mesma coisa que a música calada; porque esta música, embora seja silenciosa para os sentidos e potências naturais, é solidão muito sonora para as potências espirituais. Estas, na verdade, estando já solitárias e vazias de todas as formas e apreensões naturais, podem perceber no espírito, mui sonoramente, o som espiritual da excelência de Deus em si e nas suas criaturas.

Realiza-se então o que dissemos ter visto São João, em espírito, no Apocalipse, a saber: vozes de muitos citaristas em seus instrumentos. Isto sucedeu no espírito e não em cítaras materiais, pois consistia em certo conhecimento de louvores que cada um dos bem-aventurados, em sua glória particular, eleva a Deus continuamente, qual música harmoniosa. 

Com efeito, na medida em que cada qual possui de modo diverso os dons divinos, assim cada um canta seu louvor diferentemente, e todos unidos cantam numa só harmonia de amor como num concerto.

De modo semelhante, a alma percebe, mediante aquela sabedoria tranqüila em todas as criaturas, não só superiores como inferiores que, em proporção dos dons recebidos por Deus, cada uma dá sua voz testemunhando ser Ele quem é. Conhece também como cada qual, à sua maneira, glorifica a Deus, tendo-O em si segundo a própria capacidade. E assim, todas estas vozes fazem uma melodia admirável cantando a grandeza, a sabedoria e ciência do Criador.

Tudo isto quis dizer o Espírito Santo no livro da Sabedoria, por estas palavras: "O Espírito do Senhor encheu a redondeza da terra e este mundo que contém tudo quanto Ele fez tem a ciência da voz" (Sb 1, 7). Esta é a solidão sonora que a alma conhece aqui e que consiste no testemunho de Deus dado por todas as coisas em si mesmas. E porquanto a alma não percebe esta música sonora sem a solidão e o alheamento de todas essas coisas exteriores, dá-lhe o nome de música calada e solidão sonora, que para ela é o próprio Amado.

A ceia que recreia e que enamora

A ceia, aos amados, causa recreação, fartura e amor. Com estes três efeitos são produzidos pelo Amado na alma e por esta comunicação tão suave, ela aqui O chama "ceia que recreia e que enamora". Notemos como a Sagrada Escritura dá o nome de ceia à visão divina

Com efeito, a ceia é o remate do trabalho do dia e o princípio do descanso noturno; assim também, esta notícia sossegada a que nos referimos, faz a alma experimentar cer fim de males e posse de bens, em que se enamora de Deus mais intensamente do que antes. Eis porque o Amado é para ela a ceia que a recreia dando fim aos males e a enamora dando-lhe a posse de todos os bens.

A fim de dar, porém, a entender melhor qual seja para alma esta ceia que, como dissemos é o próprio Amado, convém notar aqui o que o mesmo amado Esposo declara no Apocalipse: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei e cearei com ele e ele comigo" (Ap 3, 20).

Nestas palavras mostra Ele como traz a ceia consigo e esta não é outra coisa senão o próprio sabor e deleite de que Ele mesmo goza. E unindo-se à alma lhe comunica fazendo com que ela participe de seu gozo e isto significa cearem juntos. Nestes termos é simbolizado o efeito da divina união da alma com Deus: os mesmos bens próprios a Deus se tornam comuns à alma Esposa, sendo-lhe comunicados por Ele, de modo liberal e generoso"


Fonte: SCIADINI, Frei Patrício OCD. Cânticos Espirituais São João da Cruz: Um convite para entrar na intimidade de Deus. Fortaleza: Edições Shalom, 2003.


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P.S.: Esta imagem foi realizada por um astrofotógrafo brasileiro, Kiko Fairbairn, e ele não usou telescópio ou luneta, apenas câmera digital e filtros para ruídos. Clique na imagem para vê-la ampliada.

Consegue ver o que perdemos na troca que fazemos diuturnamente? Imagine agora as demais criaturas de Deus sob a nossa responsabilidade. Trocamos estas luzes pelo LED de computadores, televisores e smartphones. Trocamos o silêncio por fones de ouvido ou caixas de som que nos adoecem.

Ontem, dentro de uma composição do metrô carioca durante um trecho elevado das vias públicas, vi nuvens maravilhosas misturadas com a poluição de aerossóis e elementos químicos, e um sol maravilhoso se por "entre os prédios", cuja visão magnetizava meu olhar pela janela da composição, ainda que esmagada pela multidão. Falei baixinho "Que maravilha!" e olhei hipnotizada para fora o quanto pude e para minha surpresa, uma mulher sentada olhou para trás, o viu e apenas fez um muxoxo... Pensei rindo, é mesmo preciso ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. Todo mundo quer que a Trindade esteja à sua disposição - insanamente -, mas é incapaz de agradecer por ter saúde e todos os sentidos funcionando para apreciar os rituais silenciosos da Criação louvando-O. Somos tão tolos e, muitas vezes, tão míseros.


(04.09.2016)

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