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27 de junho de 2022

Na Suíça, jovens encenam a Laudato Si' com música


por Adélaïde Patrignani 
(Vatican News, 22.06.2022)

O apelo do Papa Francisco à ecologia integral não os deixou indiferentes. No Cantão de Valais, no sul da Suíça, onde se cresce entre picos e vinhedos, alguns jovens católicos fizeram a mensagem do Papa Francisco ressoar através do instrumento da arte.

Benjamin Bender e Guillaume Délèze têm 23 anos. O primeiro é um ator profissional, engajado com crianças e jovens, o segundo estuda filosofia e musicologia na Universidade de Freiburg e compõe no piano há dez anos. Cada um deles colocou seus talentos em prática para dar uma forma particular à Laudato Si', encíclica sobre a salvaguarda da Casa Comum publicada em 2015.


Gênesis de um espetáculo


Os projetos dos jovens começam a tomar forma mesmo antes da pandemia do coronavírus. Em Valais, muitos jovens católicos frequentam a rede DJP "(Déjeune qui prie) ou (Toma café quem reza)", que desde 1997 oferece um encontro nas manhãs de sábado para rezar juntos as Laudes e depois tomar café da manhã juntos. Os DJP se realizam na Diocese de Sion, mas também incluem outros eventos como o Open Sky Festival, que se realiza a cada dois anos na cidade de Fully e acolhe cerca de 1.500 jovens católicos reunidos em alguns dias de oração, concertos e testemunhos.

Por ocasião da última edição de 2019, um espetáculo amador repercorreu a vida do Beato Pier Giorgio Frassati. O sucesso alcançado por essa representação levou ao planejamento de um novo espetáculo para a edição sucessiva do festival, em 2021, ou seja, no Ano Laudato Si’ proclamado pelo Papa Francisco: e com isso também foi encontrado o tema do espetáculo.

"Enfrentamos um desafio incrível", admite Benjamin, que se engajou ativamente no projeto junto com outros jovens voluntários. "Tivemos que produzir arte a partir de um texto teórico, a partir de uma encíclica": não tivemos escolha a não ser enfrentar o desafio concretamente. Os autores muito jovens foram em busca daqueles que colocam a Laudato si' em prática todos os dias: um monge da abadia cistercense de Hauterive, um fazedor de cestas", personagens do espetáculo em todos os aspectos.

Depois, a pandemia interrompeu um pouco o projeto. A edição de 2021 do Festival Open Sky foi adiada, mas "isso nos deu um pouco mais de tempo para aprofundarmos melhor o que queríamos transmitir como mensagem", diz Benjamin. O trabalho de escrever a peça comprometeu o grupo por um ano e meio.

Ao longo dos meses, a trupe aumentou e agora inclui uma dezena de atores, figurantes, um coral de jovens da aldeia de Bramois e voluntários: no total, mais de trinta jovens entre 16 e 22 anos.




Evangelizar através da música

Em vez disso, o grupo formado por Guillaume é menor – oito jovens de Valais – mas o dinamismo e a ambição não faltam. Os membros – cada um deles toca instrumentos tradicionais e instrumentos mais modernos – se conheceram no grupo paroquial que anima a missa uma vez por mês. 

Então eles decidiram fundar a Écho – para evangelizar à maneira deles. "Em nossas canções queremos falar sobre nossa fé da mesma forma que poderíamos falar sobre isso com pessoas de fora da fé", resume Guillaume. Em sua primeira música eles quiseram falar sobre ecologia. O jovem estudou profundamente o documento do Papa e escreveu a letra da música, partindo do que "mais o impressionou".

Também neste caso, a pandemia modificou as etapas inicialmente planejadas; mas Covid ou não, o principal obstáculo continua sendo "a agenda de cada indivíduo", observa Guillaume. Apesar de tudo, os jovens tiveram muitos incentivos sobre seu projeto e isso é um grande estímulo para perseverar, especialmente porque várias músicas já estão sendo preparadas.


O caminho da santidade


Não há presunção por trás dos esforços artísticos dos jovens de Valais, mas sim o desejo de alcançar o coração das pessoas neste exato momento em que os desafios ambientais e sociais estão batendo à porta do tranquilo cantão suíço. Enquanto os valores tradicionais são maltratados, a Igreja quer indicar referências e abrir horizontes ousados a partir do Evangelho.

"A Laudato si' não é apenas uma bela escrita do Papa: é um apelo dirigido a todos nós", explica Benjamin. "Essa encíclica é um patrimônio. Não basta lê-la, temos que colocá-la em prática". "A montanha dá de viver a muitas pessoas em Valais, mas estamos destruindo-a", ressalta Benjamin. "Da mesma forma, devemos reavaliar as riquezas que os idosos nos transmitem, para alcançar uma sobriedade serena": assim diz, o jovem ator, referindo-se a uma região em que os laços intergeracionais, embora permaneçam fortes, têm a tendência a se afrouxar.

Benjamin insiste no envolvimento de todos para uma ecologia integral. "Os jovens são muito comprometidos, mas é necessário nos comprometer todos juntos", ressalta ele, também observando que "na Igreja e entre os adultos as coisas se arrastam um pouco...". Aprofundar esse compromisso é sinal de um verdadeiro caminho de fé: "Aproxima-se ao conceito da santidade da porta ao lado, ou seja, cuidar dos nossos vizinhos, das nossas relações, do que nos circunda", acrescenta o jovem. "A santidade da porta ao lado", a que o Papa fala na Exortação apostólica Gaudete et exsultate: este testemunho está particularmente próximo ao coração de Florian, outro jovem ator do grupo.

Os músicos de Écho – dos quais vários, como Guillaume, também participaram do espetáculo musical de Benjamin e se deram "três objetivos: fazer uma bela música, levar uma mensagem de fé e poder ajudar com dinheiro quem mais precisa".

Os trabalhos produzidos são, no momento, divulgados através do YouTube, mas os jovens gostariam de vender suas músicas para arrecadar fundos para as associações. Para isso criaram a etiqueta "Dreamsailer Music", que inclui o grupo Écho e outros projetos musicais geridos por Guillaume, com esse propósito de caridade.


Perspectivas são delineadas


Finalmente, após meses de comprometimento paciente e criativo, os sonhos começam a se tornar realidade. Em outubro do ano passado, foi lançado o primeiro título de Écho, "Harmonie", com um clipe filmado na paisagem rochosa e verdejante do Vale do Rhone, que sozinho fala da beleza da Criação.

Quatro garotas, as cantoras, um violino, um trombone, um piano e uma bateria: o grupo é heteróclito, mas o título anuncia o resultado: realmente uma harmonia da qual o grupo de músicos é testemunho com frescor e dinamismo.

Em 12 e 13 de abril, "La Coloc M.C." ("O colega de quarto da Casa Comum") foi apresentado por Benjamin e sua equipe num lugar tão atípico quanto simbólico, se falarmos de ecologia integral: um armazém de frutas perto de Riddes, bem no meio dos pomares. As decorações do armazém são sóbrias e são feitas com materiais reciclados ou recuperados. "Nós nos ancoramos numa realidade sustentável, e isso também nos permite favorecer a realidade local", explica Benjamin.

Mais de 250 espectadores para cada apresentação: um público "realmente entusiasmado", visivelmente impressionado por esses jovens engajados na Igreja e reativos diante dos problemas atuais.

"Nós não apenas fizemos teatro ou realizamos um espetáculo: esta é realmente uma aventura humana", continua o jovem ator de Valais, também observando que muitos de seus companheiros amadureceram no decorrer deste projeto. "Todos estão prontos para partir novamente para a aventura", mas no momento ainda não há um projeto definido.

Outros ainda aceitarão o chamado da Laudato Si' para colocá-la em prática: na verdade, após a segunda apresentação, foi instituído um prêmio Laudato Si', destinado a apoiar financeiramente os projetos de ecologia integral na região. Christian Thurre, diácono permanente e delegado de ecologia da Diocese de Sion, concedeu o primeiro prêmio a um grupo que pretende transformar um terreno de 900m² numa área de permacultura com um projeto social que gira em torno de uma guarita. 

O segundo prêmio – o prêmio de incentivo – foi concedido ao Grupo Écho. A Igreja em Valais está determinada a confiar na criatividade dos jovens para que sua mensagem se encarne numa sociedade que precisa de testemunhas apaixonadas e coerentes.


8 de setembro de 2017

Mensagem conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Ecumênico Bartolomeu no Dia Mundial de Oração pela Criação - 01.09


A narração da criação oferece-nos uma visão panorâmica do mundo. A Sagrada Escritura revela que, «no princípio», Deus designou a humanidade como cooperadora na guarda e proteção do ambiente natural. Ao início, como lemos no Gênesis (2, 5), «ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar». A terra foi-nos confiada como dom sublime e como herança, cuja responsabilidade todos compartilhamos até que, «no fim», todas as coisas no céu e na terra sejam restauradas em Cristo (cf. Ef 1, 10). A dignidade e a prosperidade humanas estão profundamente interligadas com a solicitude por toda a criação.

«No período intermédio», porém, a história do mundo apresenta uma situação muito diferente. Revela-nos um cenário moralmente decadente, onde as nossas atitudes e comportamentos para com a criação ofuscam a vocação de ser cooperadores de Deus. A nossa tendência a romper os delicados e equilibrados ecossistemas do mundo, o desejo insaciável de manipular e controlar os limitados recursos do planeta, a avidez de retirar do mercado lucros ilimitados: tudo isto nos alienou do desígnio original da criação. Deixamos de respeitar a natureza como um dom compartilhado, considerando-a, ao invés, como posse privada. O nosso relacionamento com a natureza já não é para a sustentar, mas para a subjugar a fim de alimentar as nossas estruturas.

As consequências desta visão alternativa do mundo são trágicas e duradouras. O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral.

Por isso, unidos pela mesma preocupação com a criação de Deus e reconhecendo que a terra é um bem dado em comum, convidamos ardorosamente todas as pessoas de boa vontade a dedicar, no dia 1 de setembro, um tempo de oração pelo ambiente. Nesta ocasião, desejamos elevar uma ação de graças ao benévolo Criador pelo magnífico dom da criação e comprometer-nos a cuidar dele e preservá-lo para o bem das gerações futuras. Sabemos que, no fim de contas, é em vão que nos afadigamos, se o Senhor não estiver ao nosso lado (cf. Sal 126/127), se a oração não estiver no centro das nossas reflexões e celebrações. Na verdade, um dos objetivos da nossa oração é mudar o modo como percebemos o mundo, para mudar a forma como nos relacionamos com o mundo. O fim que nos propomos é ser audazes em abraçar, nos nossos estilos de vida, uma maior simplicidade e solidariedade.

A quantos ocupam uma posição de relevo em âmbito social, econômico, político e cultural, dirigimos um apelo urgente a prestar responsavelmente ouvidos ao grito da terra e a cuidar das necessidades de quem está marginalizado, mas sobretudo a responder à súplica de tanta gente e apoiar o consenso global para que seja sanada a criação ferida. Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço.


Do Vaticano e do Fanar, 1 de setembro de 2017.
Papa Francisco e Patriarca Ecumênico Bartolomeu



Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2017/documents/papa-francesco_20170901_messaggio-giornata-cura-creato.html

3 de setembro de 2015

01.09 - Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação


CARTA DO PAPA FRANCISCO
POR OCASIÃO DA INSTITUIÇÃO
DO "DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELO CUIDADO DA CRIAÇÃO"



1° de Setembro

Aos Venerados Irmãos
Cardeal Peter Kodwo Appiah TURKSON
Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz
Cardeal Kurt KOCH
Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos



Compartilhando com o amado irmão o Patriarca Ecumênico Bartolomeu as preocupações pelo futuro da criação (cf. Cart. Enc. Laudato si’, 7-9), e acolhendo a sugestão de seu representante, o Metropolita Ioannis de Pérgamo, um dos convidados na apresentação da Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum, desejo comunicar-vos que decidi instituir também na Igreja Católica o "Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação" que, a partir do ano corrente, será celebrado no dia 1° de Setembro, assim como já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa.

Como cristãos, queremos oferecer a nossa contribuição para a superação da crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isso devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação, lembrando sempre que para aqueles que crêem em Jesus Cristo, Verbo de Deus que se fez homem por nós, «a espiritualidade não está desligada do próprio corpo nem da natureza ou das realidades deste mundo, mas vive com elas e nelas, em comunhão com tudo o que nos rodeia» (ibid., 216). A crise ecológica nos chama, portanto, a uma profunda conversão espiritual: os cristãos são chamados a uma «conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus» (ibid., 217). De fato, «viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa» (ibid.).

Anualmente, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação oferecerá a cada fiel e às comunidades a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardião da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos. A celebração deste Dia, na mesma data, com a Igreja Ortodoxa, será uma ocasião profícua para testemunhar a nossa crescente comunhão com os irmãos ortodoxos. Vivemos num tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, diante dos quais, para ser mais críveis e eficazes, devemos dar respostas comuns. Por isto, é meu desejo que este Dia também possa envolver, de alguma forma, outras Igrejas e Comunidades eclesiais, e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema.

Ao senhor, Cardeal Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, peço para que leve ao conhecimento das Comissões Justiça e Paz das Conferências Episcopais, bem como dos organismos nacionais e internacionais comprometidos no âmbito ecológico, a instituição do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, para que, em harmonia com as exigências e as situações locais, a celebração seja devidamente organizada com a participação de todo o Povo de Deus: sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos. Para este fim, será de responsabilidade deste Dicastério, em colaboração com as Conferências Episcopais, implementar oportunas iniciativas de promoção e de animação, para que esta celebração anual seja um momento forte de oração, reflexão, conversão e uma oportunidade para assumir estilos de vida coerentes.

Ao senhor, Cardeal Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, peço que providencie os contatos necessários com o Patriarcado Ecumênico e com as outras realidades ecumênicas, para que tal Dia Mundial possa tornar-se sinal de um caminho percorrido conjuntamente por todos os que crêem em Cristo. Será responsabilidade deste Dicastério, além disto, cuidar da coordenação com iniciativas similares tomadas pelo Conselho Mundial de Igrejas.

Ao fazer votos duma mais ampla colaboração para o bom início e desenvolvimento do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, invoco a intercessão da Mãe de Deus, Maria Santíssima, e de São Francisco de Assis, cujo Cântico das Criaturas inspira tantos homens e mulheres de boa vontade a viver no louvor do Criador e no respeito pela criação. Corrobora estes votos a Bênção Apostólica, que de coração concedo a vós, Senhores Cardeais, e a todos aqueles que colaboram no vosso ministério.

Vaticano, 6 de Agosto de 2015
Festa da Transfiguração do Senhor


FRANCISCUS



Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/letters/2015/documents/papa-francesco_20150806_lettera-giornata-cura-creato.html 

31 de maio de 2015

Saiu no "Testemunho de Fé" desta semana - 07.06.2015

O jornal "Testemunho de Fé" é um publicação semanal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e a edição atual nos oferece uma bonita reflexão sobre o Dia internacional do Meio Ambiente, cuja celebração será na próxima sexta-feira.
 
Na edição, o Cônego Manuel Manangão, responsável pelo Vicariato Episcopal para a Caridade Social, exorta aos fiéis cariocas que "empenhem esforços na perspectiva de levar os governantes a tomarem, sempre, decisões para construir sustentabilidade e justiça, garantindo a vitalidade e a integridade da Terra e da vida que nela reside" (pág.18).
 
O texto integral, bem como o jornal poderão ser lidos on line através do site:
 
 
http://vp.virtualpaper.com.br/otestemunhodefe
 
 
Aguardemos a nova encíclica... Aposto que sai no dia 05 de junho (ou quem sabe no dia de Corpus Christi?). Boa leitura a todos!