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29 de julho de 2022

Mensagem de Sua Santidade Papa Francisco para a celebração do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação em 01 de setembro de 2022.

 

Queridos irmãos e irmãs!

«Escuta a voz da criação» é o tema e o convite do «Tempo da Criação» deste ano. O período ecumênico começa no dia 1 de setembro com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e termina a 4 de outubro com a festa de São Francisco. É um momento especial para todos os cristãos, a fim de orarmos e cuidarmos, juntos, da nossa casa comum. Inspiração originária do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, este «Tempo» é uma oportunidade para aperfeiçoarmos a nossa «conversão ecológica», uma conversão encorajada por São João Paulo II como resposta à «catástrofe ecológica» pressagiada por São Paulo VI já em 1970. [1]

Se se aprende a escutá-la, notamos uma espécie de dissonância na voz da criação. Por um lado, é um canto doce que louva o nosso amado Criador; por outro, é um grito amargo que se lamenta dos nossos maus-tratos humanos.

O canto doce da criação convida-nos a praticar uma «espiritualidade ecológica» (Francisco, Carta enc. Laudato si', 216), atenta à presença de Deus no mundo natural. É um convite a fundar a nossa espiritualidade na «consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal» (ibid., 220). Particularmente para os discípulos de Cristo, esta experiência luminosa reforça a consciência de que «por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1, 3). 

Neste «Tempo da Criação», retomemos a oração na grande catedral da criação, gozando do «grandioso coro cósmico» [2] de inúmeras criaturas que cantam louvores a Deus. Unamo-nos a São Francisco de Assis cantando «Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas» (cf. Cântico do Irmão Sol). Unamo-nos ao Salmista cantando «Todo o ser vivo louve o Senhor» ( Sl 150, 6).

Esta canção doce, infelizmente, é acompanhada por um grito amargo. Ou melhor, por um coro de gritos amargos. Primeiro, é a irmã Madre Terra que grita. À mercê dos nossos excessos consumistas, geme implorando para pararmos com os nossos abusos e a sua destruição. Depois gritam as diversas criaturas. 

À mercê de um «antropocentrismo despótico» (Laudato si', 68), nos antípodas da centralidade de Cristo na obra da criação, estão a extinguir-se inúmeras espécies, cessando para sempre os seus hinos de louvor a Deus. Mas gritam também os mais pobres entre nós. Expostos à crise climática, sofrem mais severamente o impacto de secas, inundações, furacões e vagas de calor que se vão tornando cada vez mais intensas e frequentes. E gritam ainda os nossos irmãos e irmãs de povos indígenas. 

Por causa de predatórios interesses econômicos, os seus territórios ancestrais são invadidos e devastados por todo o lado, lançando «um clamor que brada ao céu» (Francisco, Exortação Apóstólica Pós-sinodal Querida Amazonia, 9). Enfim gritam os nossos filhos. Ameaçados por um egoísmo míope, os adolescentes pedem-nos ansiosamente, a nós adultos, que façamos todo o possível para prevenir ou pelo menos limitar o colapso dos ecossistemas do nosso planeta.

Escutando estes gritos amargos, devemo-nos arrepender e mudar os estilos de vida e os sistemas danosos. O apelo evangélico inicial – «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (Mt 3, 2) –, ao convidar a uma nova relação com Deus, pede também uma relação diferente com os outros e com a criação. O estado de degrado da nossa casa comum merece a mesma atenção que outros desafios globais, como as graves crises sanitárias e os conflitos bélicos. «Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa» (Laudato si', 217).

Como pessoas de fé, sentimo-nos ainda mais responsáveis por adotar comportamentos diários em consonância com a referida exigência de conversão. Mas esta não é apenas individual: «a conversão ecológica, que se requer para criar um dinamismo de mudança duradoura, é também uma conversão comunitária» (ibid., 219). Nesta perspetiva, a própria comunidade das nações é chamada a empenhar-se, com espírito de máxima cooperação, especialmente nos encontros das Nações Unidas dedicados à questão ambiental.

A cimeira COP 27 sobre o clima, que se vai realizar no Egito em novembro de 2022, constitui a próxima oportunidade para promover, todos juntos, uma eficaz implementação do Acordo de Paris. Também por este motivo dispus recentemente que a Santa Sé, em nome e por conta do Estado da Cidade do Vaticano, adira à Convenção-Quadro da ONU sobre as Mudanças Climáticas e ao Acordo de Paris, com a esperança de que a humanidade do século XXI «possa ser lembrada por ter assumido com generosidade as suas graves responsabilidades» (ibid., 165). 

Alcançar o objetivo de Paris de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C é bastante árduo e requer uma colaboração responsável entre todas as nações para apresentar planos climáticos ou Contribuições Determinadas a nível nacional mais ambiciosos, para reduzir a zero, com a maior urgência possível, as emissões globais dos gases de efeito estufa. Trata-se de «converter» os modelos de consumo e produção, bem como os estilos de vida, numa direção mais respeitadora da criação e do progresso humano integral de todos os povos presentes e futuros, um progresso fundado na responsabilidade, na prudência/precaução, na solidariedade e atenção aos pobres e às gerações futuras. 

Na base de tudo, deve estar a aliança entre o ser humano e o meio ambiente que, para nós crentes, é «espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho». [3] A transição realizada por esta conversão não pode negligenciar as exigências da justiça, especialmente para com os trabalhadores mais afetados pelo impacto das mudanças climáticas.

Por sua vez, a cimeira COP 15 sobre a biodiversidade, que terá lugar no Canadá em dezembro, proporcionará à boa vontade dos Governos uma oportunidade importante para adotarem um novo acordo multilateral para deter a destruição dos ecossistemas e a extinção das espécies. Segundo a antiga sabedoria dos Jubileus, temos necessidade de «recordar, regressar, repousar e restaurar». [4] 

Para impedir um colapso ainda mais grave da «rede da vida» – Biodiversidade – que Deus nos concedeu, rezemos e convidemos as nações a porem-se de acordo sobre quatro princípios-chave: 

1º. ⇒ Construir uma base ética clara para a transformação que precisamos a fim de salvar a biodiversidade; 

2º. ⇒ Lutar contra a perda de biodiversidade, apoiar a sua conservação e recuperação e satisfazer de forma sustentável as necessidades das pessoas; 

3º. ⇒ Promover a solidariedade global, tendo em vista que a biodiversidade é um bem comum global que requer um empenho compartilhado; 

4º. ⇒ Colocar no centro as pessoas em situações de vulnerabilidade, incluindo as mais afetadas pela perda de biodiversidade, como as populações indígenas, os idosos e os jovens.

Repito: «Quero pedir, em nome de Deus, às grandes empresas extrativas – mineiras, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agro-alimentares – que deixem de destruir florestas, zonas úmidas e montanhas, que deixem de poluir rios e mares, que deixem de intoxicar as pessoas e os alimentos». [5]

É impossível não reconhecer a existência duma «dívida ecológica» (Laudato si', 51) das nações economicamente mais ricas, que poluíram mais nos últimos dois séculos; isso exige que elas realizem passos mais ambiciosos tanto na COP 27 como na COP 15. Além duma decidida ação dentro das suas fronteiras, inclui cumprir as suas promessas de apoio financeiro e técnico às nações economicamente mais pobres, que já sofrem o peso maior da crise climática. 

Além disso, seria oportuno pensar urgentemente também num maior apoio financeiro para a conservação da biodiversidade. Significativas, embora «diversificadas» (cf. ibid., 52), são também as responsabilidades dos países economicamente menos ricos; os atrasos dos outros não podem jamais justificar a inação de quem quer que seja. É necessário agirem todos, com decisão. Estamos a chegar a «um ponto de ruptura» (cf. ibid., 61).

Durante este «Tempo da Criação», rezemos para que as cimeiras COP 27 e COP 15 possam unir a família humana (cf. ibid., 13) para enfrentar decididamente a dupla crise do clima e da redução da biodiversidade. Recordando a exortação de São Paulo para nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram (cf. Rm 12, 15), choremos com o grito amargo da criação, escutemo-lo e respondamos com os fatos para que nós e as gerações futuras possamos ainda alegrar-nos com o canto doce de vida e de esperança das criaturas.


Roma, São João de Latrão, na Memória de Nossa Senhora do Carmo, dia 16 de julho de 2022.

FRANCISCO





[1] Cf. Discurso à FAO, 16 de novembro de 1970.

[2] São João Paulo II, Audiência Geral, 10 de julho de 2002.



[5] Vídeo-mensagem aos Movimentos Populares, 16 de outubro de 2021.

24 de março de 2022

A Criação geme em dores de parto...

[É muito difícil manter o coração pacífico em meio a tantas injustiças e atrocidades que surgem a todo momento, mas a fé em Cristo com esperança de uma conformação diária do coração Nele é o único caminho para a paz.]



ATO DE CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

"Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.


Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!


Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.


Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.


Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.


Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:


"Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;

Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;

Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;

Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;

Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;

Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;

Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;

Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo."


O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.


Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.


Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.


Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. 


Amém."

                                                                    Papa Francisco


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/prayers/documents/20220325-atto-consacrazione-cuoredimaria.html

24 de setembro de 2021

Antiga homilia do Papa Francisco sobre “O permanecer recíproco entre a videira e os ramos” (2020)

Resgato esta antiga homilia porque amo a aparente simplicidade de Francisco e porque ser católica(o) vai muito além do que é exterior. A imagem da figueira e a da videira florida são curiosas porque além de serem espécies diferentes, ambas possuem particularidades de seu desenvolvimento que compartilham o ato de "entranhar-se" com o meio, para "o bem e para o mal". 

A figueira é a primeira planta descrita na Bíblia - "Então, os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram fo­lhas de figueira, ligaram-nas e fizeram tangas para si" (Gen 3, 7) - e para existir, precisa de um ato de sacrifício de um tipo específico de vespa. Cresce firme e forte, mas apenas uma família produz frutos comestíveis e representa, de certa forma, nosso permanecer no mundo "desligados" de Deus.

Já a videira para frutificar, precisa aguentar o rigor invernal para rebrotar os sarmentos a partir dos nutrientes estocados no ano anterior. Seu passado guiará o seu presente e uma vez gasta a energia acumulada para o rebrotamento, deve extrair do solo os nutrientes necessários para continuar o seu desenvolvimento, de forma que o agricultor é quem guia a sua existência. 

A brotação dos ramos não é uniforme, assim como a distribuição de nutrientes, o que implica nas diferentes fases de amadurecimento dos cachos para a colheita. Alguns cachos possuem desenvolvimento acelerado, outros demoram por mais tempo e ainda existem os tardios; mas todos são cachos bons da mesma videira. O agricultor cuida da videira que cuida de seus ramos para que estes frutifiquem.

"Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce" (Tg 3, 12). Já experimentou água salobra? É aquela que poderia ser doce, mas por motivos diversos houve uma intrusão salina excessiva que a fez deixar de ser potável... Também ser sal no mundo difere de ser insossa(o) ou salgada(o) em demasia. 

Isto tudo te lembra de algo em sua caminha da espiritual? Boa leitura!

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O Senhor volta para “permanecer nele”, e diz-nos: “A vida cristã é permanecer em mim”. Permanecer. E aqui usa a imagem da videira, como os ramos permanecem na videira (cf. Jo 15, 1-8). E este permanecer não é passivo, um adormecer no Senhor: seria talvez um “sono beatífico”; mas não é assim. Este permanecer é ativo e também recíproco. Porquê? Porque Ele diz: «Permanecei em mim e Eu em vós» (v. 4). 

Ele também permanece em nós, não só nós nele. Trata-se de um permanecer recíproco. E noutro trecho diz: «Eu e o Pai viremos a ele e habitaremos nele» (Jo 14, 23). É um mistério, mas um mistério de vida, um mistério muito bonito. Este permanecer recíproco. E também com o exemplo dos ramos: é verdade, sem a videira os ramos nada podem fazer, pois não recebem a seiva, e precisam da seiva para crescer e dar fruto. Mas também a árvore, a videira, precisa dos ramos, porque os frutos não estão ligados à árvore, à videira. É uma necessidade recíproca, é um permanecer mútuo para dar fruto.

E esta é a vida cristã: é verdade, a vida cristã consiste em cumprir os mandamentos (cf. Êx 20, 1-11), é isto que se deve fazer. A vida cristã consiste em percorrer o caminho das bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-13): é assim que se deve fazer. A vida cristã consiste em  fazer obras de misericórdia, como o Senhor nos ensina no Evangelho (cf. Mt 25, 35-36): é assim que se deve fazer. Mas ainda mais: é este permanecer recíproco. 

Sem Jesus nada podemos fazer, como os ramos sem a videira. E Ele - que o Senhor me permita dizê-lo - sem nós parece que nada pode fazer, pois o fruto é dado pelo ramo, não pela árvore, pela videira. Nesta comunidade, nesta intimidade de “permanecer” que é fecunda, o Pai e Jesus permanecem em mim e eu neles.

E qual é – vem-me à mente - a “necessidade” que a videira tem dos ramos? É dar frutos. Qual é a “necessidade” - digamos assim, com um pouco de audácia - qual é a “necessidade” que Jesus tem de nós? O testemunho. Quando no Evangelho diz que somos luz, afirma: «Sede luz, para que os homens “vejam as vossas boas obras e deem glória ao vosso Pai” (Mt 5, 16)», ou seja, o testemunho é a necessidade que Jesus tem de nós. Dar testemunho do seu nome, pois a fé, o Evangelho, cresce pelo testemunho.

Este é um modo misterioso: Jesus glorificado no céu, depois de ter passado pela Paixão, precisa do nosso testemunho para fazer crescer, para anunciar, para que a Igreja cresça. E este é o mistério recíproco do “permanecer”. Ele, o Pai e o Espírito permanecem em nós, e nós permanecemos em Jesus.

Far-nos-á bem pensar e refletir sobre isto: permanecer em Jesus; e Jesus permanece em nós. Permanecer em Jesus para ter a seiva, a força, a justificação, a gratuidade, a fecundidade. E Ele permanece em nós para nos dar a força de [dar] fruto (cf. Jo 5, 15), para nos dar a força do testemunho com o qual a Igreja cresce.

E interrogo-me: "Qual é a relação entre Jesus que permanece em mim e eu que permaneço nele?" É uma relação de intimidade, uma relação mística, uma relação sem palavras. “Mas padre, isto é para os místicos!”. Não, isto é para todos nós. Com pequenos pensamentos: “Senhor, sei que Tu estás aqui [em mim]: dá-me força e farei o que Tu me disseres!”. Este diálogo de intimidade com o Senhor. O Senhor está presente, o Senhor está presente em nós, o Pai está presente em nós, o Espírito está presente em nós; permanecem em nós. Mas devo permanecer neles...

Que o Senhor nos ajude a compreender, a sentir esta mística do permanecer, sobre a qual Jesus insiste tanto, tanto, tanto! Muitas vezes nós, quando falamos da videira e dos ramos, detemo-nos na figura, na profissão do agricultor, do Pai: que aquele [o ramo] que dá fruto é cortado, isto é, podado, e aquele que não o dá é cortado e lançado  fora (cf. Jo 15, 1-2). 

É verdade, faz isto, mas não é tudo, não. Há algo mais. 

Esta é a ajuda: as provações, as dificuldades da vida, até as correções que o Senhor nos faz. Mas não paremos aqui. Entre a videira e os ramos existe este permanecer íntimo. Os ramos, nós, precisamos da seiva, a videira tem necessidade dos frutos, do testemunho.


Papa Francisco

7 de setembro de 2021

Mensagem assinada em conjunto pelo Papa Francisco, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, para a Proteção da Criação

 Tradução: Renata P. Espíndola


Por mais de um ano, todos nós experimentamos os efeitos devastadores de uma pandemia global - todos nós, ricos ou pobres, fracos ou fortes. Alguns eram mais protegidos ou mais vulneráveis ​​do que outros, mas a rápida disseminação da infecção nos tornou dependentes uns dos outros em nossos esforços para permanecer seguros.

Percebemos que, em face desta calamidade global, ninguém está seguro até que todos estejam seguros, que nossas ações realmente afetam os outros e que o que fazemos hoje afeta o que acontece amanhã.

Essas não são lições novas, mas tivemos que enfrentá-las novamente. Espero que não percamos este momento. Devemos decidir que tipo de mundo queremos deixar para as gerações futuras. Deus ordena: "Escolhe a vida, para que tu e a tua descendência vivam" (Dt 30, 19). Devemos escolher viver de maneira diferente; devemos escolher a vida.

Muitos cristãos celebram setembro como a época da criação, uma oportunidade de orar e cuidar da criação de Deus. Enquanto os líderes mundiais se preparam para se reunir em Glasgow em novembro para deliberar sobre o futuro de nosso planeta, oramos por eles e consideramos as decisões que todos devemos tomar. 

Consequentemente, como líderes de nossas Igrejas, apelamos a todos, seja qual for sua crença ou cosmovisão, a se esforçarem para ouvir o clamor da terra e das pessoas que são pobres, examinando seu comportamento e se comprometendo a fazer sacrifícios significativos pelo bem da terra que Deus nos deu.


A importância da sustentabilidade


Em nossa tradição cristã comum, as escrituras e os santos fornecem perspectivas iluminadoras para a compreensão tanto das realidades do presente quanto da promessa de algo maior do que o que vemos agora. O conceito de mordomia - responsabilidade individual e coletiva pelo dom que Deus nos deu - representa um ponto de partida vital para a sustentabilidade social, econômica e ambiental. 

No Novo Testamento, lemos sobre o homem rico e tolo que armazena grandes riquezas de trigo enquanto se esquece de sua finitude (Lc 12: 13-21). Também conhecemos o filho pródigo que exige a sua herança com antecedência, só para esbanjá-la e acabar com fome (Lc 15,11-32). 

Somos avisados ​​de que não devemos adotar soluções de curto prazo e aparentemente baratas para construir na areia, em vez de construir na rocha, para que nossa casa comum resista às tormentas (Mt 7,24-27). Essas histórias nos convidam a uma perspectiva mais ampla e a reconhecer nosso lugar na história universal da humanidade.

Mas temos tomado a direção oposta. Maximizamos nosso interesse próprio às custas das gerações futuras. Ao nos concentrarmos em nossa riqueza, descobrimos que os ativos de longo prazo, incluindo a riqueza da natureza, são esgotados para benefícios de curto prazo. 

A tecnologia abriu novas possibilidades de progresso, mas também de acumulação desenfreada de riqueza, e muitos de nós nos comportamos de uma maneira que demonstra pouca preocupação com as outras pessoas ou com os limites do planeta. 

A natureza é resistente, mas também delicada. Já estamos vendo as consequências de nossa recusa em protegê-la e preservá-la (Gn 2,15). Agora, neste momento, temos a oportunidade de nos arrepender, de dar uma volta decisiva, de ir na direção oposta. Devemos perseguir a generosidade e a justiça na maneira como vivemos, trabalhamos e usamos o dinheiro, ao invés de uma ganância egoísta.


O impacto nas pessoas que vivem na pobreza


A atual crise climática diz muito sobre quem somos e como vemos e tratamos a criação de Deus. Estamos diante de uma justiça implacável: a perda da biodiversidade, a degradação ambiental e as mudanças climáticas são as consequências inevitáveis ​​de nossas ações, pois temos avidamente consumido mais recursos da Terra do que o planeta pode suportar. 

Mas também enfrentamos uma profunda injustiça: as pessoas que sofrem as consequências mais catastróficas desses abusos são as mais pobres do planeta e as que menos têm a responsabilidade de causá-los. 

Servimos a um Deus de justiça, que se deleita na criação e cria cada pessoa à imagem e semelhança de Deus, mas que também ouve o clamor dos pobres. Conseqüentemente, há um chamado inato dentro de nós para responder com angústia quando vemos uma injustiça tão devastadora.

Hoje estamos pagando o preço. O clima extremo e os desastres naturais dos últimos meses nos revelam mais uma vez com grande força e com grande custo humano que as mudanças climáticas não são apenas um desafio futuro, mas uma questão imediata e urgente de sobrevivência. Inundações, incêndios e secas generalizadas ameaçam continentes inteiros. O nível do mar sobe, forçando muitas comunidades a se mudarem; ciclones devastam regiões inteiras, arruinando vidas e meios de subsistência. 

A água tornou-se escassa e o abastecimento de alimentos inseguro, causando conflito e deslocamento de milhões de pessoas. Já vimos isso em lugares onde as pessoas dependem de fazendas de pequena escala. 

Hoje vemos isso nos países mais industrializados, onde nem mesmo infra-estruturas sofisticadas podem impedir completamente uma destruição extraordinária.

Amanhã pode ser pior. As crianças e os adolescentes de hoje enfrentarão consequências catastróficas se não assumirmos agora a responsabilidade, como "colaboradores de Deus" (Gn 2,4-7), de sustentar o nosso mundo. Freqüentemente ouvimos de jovens que entendem que seu futuro está ameaçado. 

Por isso, devemos escolher comer, viajar, gastar, investir e viver de maneira diferente, pensando não apenas nos juros e ganhos imediatos, mas também nos benefícios futuros. Nos arrependemos dos pecados de nossa geração. Estamos ao lado de nossos irmãos e irmãs mais novos ao redor do mundo em oração comprometida e ação determinada por um futuro que cada vez mais corresponde às promessas de Deus.




O imperativo da cooperação


Ao longo da pandemia, aprendemos o quão vulneráveis ​​somos. Nossos sistemas sociais estão desgastados e descobrimos que não podemos controlar tudo. Devemos reconhecer que a maneira como usamos o dinheiro e organizamos nossas sociedades não beneficiou a todos. Nos descobrimos fracos e ansiosos, imersos em uma série de crises: sanitária, ambiental, alimentar, econômica e social, todas profundamente interligadas.

Essas crises nos apresentam uma escolha. Estamos em uma posição única para confrontá-los com miopia e especulação ou para aproveitá-los como uma oportunidade de conversão e transformação. Se pensarmos na humanidade como uma família e trabalharmos juntos por um futuro baseado no bem comum, podemos nos encontrar vivendo em um mundo muito diferente. Juntos, podemos compartilhar uma visão de vida na qual todos prosperam. Juntos podemos escolher agir com amor, justiça e misericórdia. Juntos, podemos caminhar em direção a uma sociedade mais justa e gratificante, com os mais vulneráveis ​​no centro.

Mas isso envolve fazer mudanças. Cada um de nós, individualmente, deve assumir a responsabilidade pela maneira como usamos nossos recursos. Este caminho requer uma colaboração cada vez mais estreita entre todas as igrejas em seu compromisso com o cuidado da criação. Juntos, como comunidades, igrejas, cidades e nações, devemos mudar o curso e descobrir novas formas de trabalhar juntos para quebrar as barreiras tradicionais entre os povos, parar de competir por recursos e começar a colaborar.

Para aqueles com responsabilidades de longo alcance - administrar administrações, administrar empresas, empregar pessoas ou investir fundos - dizemos: escolha benefícios centrados nas pessoas; fazer sacrifícios de curto prazo para salvaguardar todos os nossos futuros; tornar-se líderes na transição para economias justas e sustentáveis. “Aos que muito foi dado, muito será exigido” (Lc 12,48).

Esta é a primeira vez que nós três nos sentimos compelidos a abordar juntos a urgência da sustentabilidade ambiental, seu impacto na pobreza persistente e a importância da cooperação global. Juntos, em nome de nossas comunidades, apelamos ao coração e à mente de cada cristão, cada crente e cada pessoa de boa vontade. Oramos por nossos líderes que se encontrarão em Glasgow para decidir o futuro de nosso planeta e seu povo. Mais uma vez, recordamos a Escritura: "Escolhe a vida, para que tu e a tua descendência vivam" (Dt 30,19). Escolher a vida significa fazer sacrifícios e exercer moderação.

Todos nós, quem somos e onde quer que estejamos, podemos desempenhar um papel na mudança de nossa resposta coletiva à ameaça sem precedentes da mudança climática e da degradação ambiental.

Cuidar da criação de Deus é um mandato espiritual que requer uma resposta comprometedora. Este é um momento crítico. O futuro de nossos filhos e de nossa casa comum depende disso.


1 de setembro de 2021
Patriarca Bartolomeu I   -   Papa Francisco   -    Arcebispo de Cantebury Justin Welby



31 de agosto de 2021

Mensagem de S.S. Paulo VI para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo - 1972


Aproveito alguns momentos de folga para compartilhar catequeses antigas, que foram realizadas em datas singulares para o conhecimento dos profissionais católicos romanos da área ambiental. Todos semearam para que Francisco pudesse ver os frutos se desenvolvendo, organizasse a diversidade de cultivos e desse instruções para que, até a colheita, muitos não se percam e a Criação - pela graça de Deus - possa sustentá-los.

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Sr. Secretário Geral,


Por ocasião da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, cuja preparação Vossa Excelência assegurou com zelo e competência, gostaríamos de manifestar a Vossa Excelência e a todos os participantes o interesse com que acompanhamos este grande empreendimento. A preocupação em preservar e melhorar o meio natural, bem como a nobre ambição de estimular um primeiro gesto de cooperação mundial a favor deste bem necessário para todos, respondem a imperativos profundamente sentidos pelos homens do nosso tempo.

Com efeito, hoje surge a consciência de que o homem e o seu meio natural são, como nunca antes, inseparáveis: o meio ambiente condiciona - essencialmente - a vida e o desenvolvimento do homem; este, por sua vez, aperfeiçoa e enobrece o meio ambiente com sua presença, seu trabalho, sua contemplação.

Mas a capacidade criativa do homem não produzirá frutos autênticos e duradouros, exceto na medida em que o homem respeite as leis que regem o impulso vital e a capacidade regenerativa da natureza: um e outro são, portanto, solidários e compartilham um futuro temporário comum. Devemos também chamar a atenção da humanidade para substituir o ímpeto, muitas vezes cego e brutal, do progresso material abandonado ao seu único dinamismo, pelo respeito pela biosfera enquadrado numa visão global dos seus domínios que se tornam "uma só terra", para usar o lindo slogan da Conferência.

A supressão das distâncias graças ao avanço das comunicações, o estabelecimento de laços cada vez mais estreitos entre os povos devido ao desenvolvimento econômico, a crescente submissão das forças da natureza à ciência e à tecnologia, a multiplicação das relações Os seres humanos acima das barreiras das nacionalidades e raças. São tantos os fatores de interdependência para melhor ou para pior, para a esperança de salvação ou para o perigo de desastre. Um abuso, uma deterioração causada em uma parte do mundo tem suas repercussões em outros lugares e pode alterar a qualidade de vida de outras pessoas, muitas vezes sem seu conhecimento e sem culpa própria.

O homem, aliás, sabe com certeza que o progresso científico e técnico, apesar de seus aspectos promissores para a promoção de todos os povos, traz em si, como todas as obras humanas, seu forte fardo de ambivalência para o bem e para o bem. É, sobretudo, a aplicação que a inteligência deve fazer de suas descobertas com fins destrutivos, como é o caso das armas atômicas, químicas e bacteriológicas, e tantos outros instrumentos de guerra, grandes ou pequenos, no que diz respeito às armas. 

A consciência moral não sente nada além de horror. E, como ignorar os desequilíbrios causados ​​na biosfera pela exploração, sem ordem, das reservas físicas do planeta, mesmo para fins de produção de coisas úteis, bem como o desperdício de reservas naturais não renováveis, contaminação do solo, da água , ar, espaço, com seus ataques à vida vegetal e animal?

Tudo isso contribui para empobrecer e deteriorar o meio ambiente do homem a ponto de ameaçar, dizem, sua própria sobrevivência.

Por fim, devemos enfatizar fortemente o desafio que se coloca à nossa geração para que, deixando de lado os objetivos parciais e imediatos, ofereça aos homens de amanhã uma terra que lhes seja hospitaleira.

A corresponsabilidade deve doravante responder à interdependência; a solidariedade deve corresponder à comunidade de destino. Tudo isso não será alcançado recorrendo a soluções fáceis. Assim como o problema demográfico não se resolve limitando indevidamente o acesso à vida, o problema ambiental também não pode ser enfrentado apenas com medidas técnicas. 

Estes são essenciais e a vossa Assembleia deverá estudá-los e propor os meios adequados para retificar a situação. Por exemplo, é bastante evidente que sendo a indústria uma das principais causas da poluição, é absolutamente necessário que aqueles que a dirigem aperfeiçoem seus métodos e encontrem os meios - sem prejudicar, na medida do possível, a produção - de eliminar completamente os causas da poluição, ou pelo menos reduzi-las.

Nesse trabalho de remediação, fica evidente também que o químico tem um papel importante e grande esperança se deposita em sua capacidade profissional.

Mas todas as medidas técnicas seriam ineficazes se não fossem acompanhadas pela consciência da necessidade de uma mudança radical de mentalidades. Todos são chamados a agir com lucidez e coragem. Nossa civilização, tentada a avançar em suas realizações prodigiosas por meio da dominação despótica do meio ambiente humano, saberá como descobrir com o tempo a maneira de controlar seu crescimento?

01 de junho de 1972
Papa Paulo VI




Mensagem de S.S. Paulo VI para a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano na ocasião do V Dia Mundial do Meio Ambiente - 1977


Aproveito alguns momentos de folga para compartilhar catequeses antigas, que foram realizadas em datas singulares para o conhecimento dos profissionais católicos romanos da área ambiental. Todos semearam para que Francisco pudesse ver os frutos se desenvolvendo, organizasse a diversidade de cultivos e desse instruções para que, até a colheita, muitos não se percam e a Criação - pela graça de Deus - possa sustentá-los.

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“E Deus viu todas as coisas que havia feito, e eram muito boas” (Gn 1:51).

Este texto antigo, tão simples e ao mesmo tempo tão profundo, lembra a todos nós hoje que temos que considerar e aceitar o mundo em que vivemos, esta Criação, como boa, como um todo. Bom, porque é um presente de Deus; bom, porque constitui o ambiente no qual todos nós fomos colocados e no qual somos chamados a viver a nossa vocação em solidariedade uns com os outros.

Nos últimos anos, tem havido uma consciência crescente em todo o mundo de que "o meio ambiente condiciona essencialmente a vida e o desenvolvimento do homem; o homem, por sua vez, aperfeiçoa e enobrece o meio ambiente com sua presença, seu trabalho, sua contemplação" (Mensagem à Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente; L'Osservatore Romano, Edição em Língua Espanhola, 18 de junho de 1972, p. 1)

Portanto, é muito reconfortante ver os membros das Nações Unidas proclamarem um Dia Mundial do Meio Ambiente, para que todos, em todos os lugares, possam aproveitar esta oportunidade para celebrar os bens desta terra e compartilhá-los de forma mais consciente e igualitária com todos os seus irmãos e irmãs.

Essa consciência do nosso meio ambiente é mais urgente hoje do que nunca. Porque os homens, que têm os meios e a capacidade de construir e enobrecer o mundo ao seu redor, também podem destruí-lo e esbanjar seus bens. A ciência e a tecnologia humanas alcançaram objetivos maravilhosos. Mas você tem que ter cuidado para que eles sejam usados ​​para aumentar a vida humana, não para diminuí-la. O esforço humano trouxe muita riqueza para fora da terra. Mas esta riqueza não deve ser desperdiçada supérflua por uma minoria, nem egoisticamente acumulada para o benefício de uns poucos às custas do resto da humanidade necessitada.

Por isso, a celebração deste Dia do Meio Ambiente em que vivemos deve ser ao mesmo tempo um apelo à união de todos nós, guardiães da Criação de Deus. Deve ser um caminho para renovar o nosso empenho na tarefa de preservar, melhorar e dar às gerações futuras um ambiente saudável, no qual cada pessoa se sinta realmente em casa (cf. Mensagem citada).

O propósito de tal apelo requer mais do que uma mera renovação de esforços. Exige uma mudança de mentalidade, uma conversão de atitudes e práticas, para que os ricos usem voluntariamente menos os bens da terra e os compartilhem de forma mais ampla e sábia. Exige simplicidade no estilo de vida e uma sociedade que saiba conservar de forma inteligente, em vez de consumir desnecessariamente. Exige, por fim, um sentido universal de solidariedade, no qual cada pessoa e cada nação desempenhe o seu papel próprio e interdependente, para garantir um ambiente ecologicamente saudável para as pessoas de hoje e para as gerações futuras.

“Tudo o que é criado por Deus é bom”, escreveu o apóstolo Paulo. Rezamos intensamente para que este Dia do Meio Ambiente seja uma ocasião para todos e em todos os lugares se alegrarem com a sabedoria deste grito e se comprometerem a compartilhar e preservar fraternalmente um meio ambiente puro, como patrimônio comum de toda a humanidade.


Papa Paulo VI


Paulo VI e um excerto de uma audiência geral em 19.01.1972.

Há quase cinquenta anos... Por curiosidade, fui procurar algo no ano em que nasci e encontrei uma mensagem curta e profunda pertinho do meu aniversário. Ah, a vaidade humana! 😄

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Procure colocar sua mente, seu espírito, na verdade sua consciência de viver diante do acúmulo de questões importantes, aquelas relativas à origem do universo, o sentido da vida, a ansiedade de saber o destino da humanidade, o fenômeno religioso que pretende para responder a esses problemas, absorvendo e superando o que a ciência e a filosofia podem nos dizer sobre isso.

E tentar colocar o fato cristão no meio e acima dessas questões, que reconhecidas em suas necessidades ilimitadas chamamos de trevas, mas que em comparação com o próprio fato cristão se tornam mais claras e nos permitem vislumbrar sua profundidade misteriosa e ao mesmo tempo uma certa novidade própria, uma beleza maravilhosa, e ouvirás ecoar em ti, como se fossem pronunciadas neste preciso momento, as conhecidas palavras do Evangelho de João: "A luz brilha nas trevas" (Io. 1, 5).

O panorama do cosmos é iluminado como se o sol tivesse nascido da noite, as coisas mostram sua ordem encantadora e ainda explorável; e o homem, quase rindo e tremendo de alegria, passa a se conhecer e se descobre como o viajante privilegiado que caminha, mínimo e máximo no palco do mundo, com a consciência simultânea de ter o direito e a capacidade de dominá-lo, e de ter o dever e a possibilidade de transcendê-lo no fascínio de uma nova relação que o domina: o diálogo com Deus; um diálogo que se abre assim: “Pai nosso, que estás nos céus... "


Fonte: NASA (2014)


Não é um sonho, não é uma fantasia, não é uma alucinação. É simplesmente o efeito primário e normal do Evangelho, de sua luz na tela de uma alma, que se abriu para seus raios. Como é chamada essa projeção de luz? É chamada de Revelação. E como se chama essa abertura da alma? É chamada de fé.

15 de agosto de 2021

Solenidade de Assunção da Virgem Maria

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e boa festa!

No Evangelho de hoje, solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria ao céu, o Magnificat se destaca na liturgia. Esta canção de louvor é como uma "fotografia" da Mãe de Deus. Maria «Alegra-se em Deus. Porquê? Porque viu a humildade do seu serva», diz-o (cf. Lc 1,47-48).

A humildade é o segredo de Maria. Foi a humildade que atraiu o olhar de Deus para ela. O olho humano sempre busca a grandeza e se deslumbra com o que é ostensivo. Deus, por outro lado, não olha para as aparências, Deus olha para o coração (cf. 1 Sam 16,7) e ama a humildade. A humildade de corações encanta a Deus. Hoje, olhando para María Assunta, podemos dizer que a humildade é o caminho que leva ao céu. 

A palavra "humildade", como sabemos, vem do latim húmus, que significa "terra". É paradoxal: para chegar ao topo, ao céu, é preciso permanecer abaixado, como a terra. Jesus ensina: «Quem se humilha será exaltado» (Lc 14,11). Deus não nos exalta por causa de nossos dons, riquezas ou habilidades, mas por causa da humildade. Deus ama a humildade. Deus levanta aquele que rebaixa, eleva aquele que serve. Com efeito, Maria não se atribui mais do que o «título» de serva, para servir: é «a escrava do Senhor» (Lc 1, 38). Não diz mais nada sobre si mesmo, não busca nada mais para si. Apenas seja o servo do Senhor.

Portanto, hoje podemos nos perguntar, cada um de nós em nossos corações: como está a minha humildade? Procuro ser reconhecido pelos outros, reafirmar-me e ser elogiado, ou prefiro pensar em servir? Sei ouvir, como Maria, ou quero apenas falar e receber atenção? Sei calar, como Maria, ou estou sempre tagarelando? Sei como recuar, desarmar brigas e discussões ou apenas tento sempre me destacar? Vamos pensar sobre essas questões, cada um de nós. Como está minha humildade?

Maria, em sua pequenez, primeiro conquista os céus. O segredo de seu sucesso está justamente em se reconhecer como pequena, em se reconhecer como necessitada. Com Deus, só quem se reconhece como nada é capaz de receber tudo. Só quem se esvazia é preenchido por Ele. E Maria é «cheia de graça» (v. 28) precisamente por causa da sua humildade. 

Também para nós, a humildade é o ponto de partida, sempre, é o início da nossa fé. É essencial ser pobre de espírito, ou seja, carente de Deus. Aquele que está cheio de si não dá espaço a Deus, e tantas vezes nós estamos cheios de nós mesmos, e aquele que é cheio de si não dá espaço a Deus, mas aquele que permanece humilde permite que o Senhor faça grandes coisas (cf. v. 49).

O poeta Dante se refere à Virgem Maria como "humilde e superior a uma criatura" (Paraíso XXXIII, 2). É lindo pensar que a criatura mais humilde e elevada da história, a primeira a conquistar os céus com todo o seu ser, corpo e alma, passou a vida principalmente dentro de casa, passou a vida no comum, na humildade. Os dias da "Cheia de Graça" não foram muito impressionantes. Muitas vezes acontecia o mesmo, em silêncio: do lado de fora, nada de extraordinário. Mas o olhar de Deus permaneceu sempre nela, admirando sua humildade, sua disponibilidade, a beleza de seu coração, nunca tocado pelo pecado.

Esta é uma grande mensagem de esperança para nós; para você, para cada um de nós, para você que vive os mesmos dias, exaustivos e muitas vezes difíceis. Maria te lembra hoje que Deus também te chama para este destino de glória. Não são palavras bonitas, é verdade. Não é um final feliz inventado, uma ilusão piedosa ou um falso consolo. Não, é a verdade, é a realidade pura, viva e verdadeira como a Virgem Assunta ao Céu. Vamos festejá-la hoje com o amor das crianças, festejemos com alegria, mas com humildade, encorajados pela esperança de um dia estar com ela no céu.

E rezemos a ela agora, para nos acompanhar no caminho que leva da terra ao céu. Que ela nos lembre que o segredo do caminho está na palavra humildade. Não te esqueças desta palavra e que Nossa Senhora nos lembre sempre dela. E essa pequenez e serviço são os segredos para alcançar a meta, para alcançar o céu.


Giusto de' Menabuoi - A Mulher e o Dragão - Fresco, c.1376-78 - Baptistério da Catedral de Pádua

(...)

Eu me associo à preocupação unânime sobre a situação no Afeganistão. Peço-lhe que reze comigo ao Deus da paz para que cesse o rugido das armas e se encontrem soluções na mesa do diálogo. Só assim a atormentada população daquele país - homens, mulheres, idosos e crianças - poderá regressar às suas casas e viver em paz e segurança com pleno respeito mútuo.

Nas últimas horas houve um forte terremoto no Haiti, que causou muitas mortes, feridos e consideráveis ​​danos materiais. Gostaria de expressar minha proximidade a essa querida população que foi duramente atingida pelo terremoto. Ao elevar minhas orações ao Senhor pelas vítimas, dirijo minha palavra de encorajamento aos sobreviventes, esperando que a comunidade internacional se interesse por eles. Que a solidariedade de todos alivie as consequências da tragédia! Rezemos juntos a Nossa Senhora pelo Haiti. Ave Maria...

(...)

Penso sobretudo nos doentes, nos idosos, nos reclusos, nos desempregados, nos refugiados e em todos os que estão sozinhos ou em dificuldades. Que Maria estenda a proteção materna a cada uma delas.

(...)

Desejo a todos um bom domingo e uma feliz festa da Assunção. E, por favor, não se esqueça de orar por mim. Tenha um bom almoço e adeus!


Papa Francisco
Ângelus, 15.08.2021.



Obs.: No menu à direita há um link ativo para acesso ao sítio eletrônico da Cáritas Haiti.

11 de agosto de 2021

15.08 - Início da Quaresma de São Miguel Arcanjo 2021


Retiro Quaresmal


Vamos trilhar o caminho de São Francisco com a Quaresma de São Miguel Arcanjo por nossas vidas e pela Criação? 


Esta quaresma deve ser rezada, diariamente, entre os dias 15 de agosto e 29 de setembro, dia da Festa de São Miguel. Podendo ser rezada também em outras épocas do ano por um período de 40 dias.


Para se preparar para esta Quaresma é necessário:


  • Acender uma vela abençoada diante de uma imagem ou estampa de São Miguel Arcanjo;
  • Oferecer uma penitência durante os 40 dias;
  • Rezar determinadas orações todos os dias.

A minha farei junto ao altar doméstico que possuo com crucifixo, mini-círio, imagem de Nossa Senhora do Carmo e de outros santos. Sou consagrada há anos, mas ando pesada por graves rancores, implicâncias, maledicências internas e, mesmo que estejamos ainda neste isolamento da pandemia, espero por fim poder me corrigir, perdoar, para então buscar a reconciliação.

Irei ofertá-la também para que não percamos ainda mais o rumo em nossa governança sobre a Criação, pois nos últimos dois meses as consequências começaram a ficar ainda mais evidentes.  Quem não desejar fazer a quaresma, poderá participar dos momentos de oração que irão ocorrer globalmente, coordenados pelo Movimento Laudato Si'.




As orações utilizadas nesta trajetória são:

1. Sinal da Cruz:


"Pelo sinal, da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém."


2. Pequeno Exorcismo do Papa Leão XIII:


"São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém."


3. Ladainha de São Miguel Arcanjo:


"Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, ouvi-nos.
Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.
São Miguel, luz dos anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte dos cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, rogai por nós.
São Miguel, nosso príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso advogado, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo,
R. Para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oremos
Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos.
R. Amém."

4. Pai Nosso:
Um Pai Nosso em honra a São Gabriel Arcanjo.
Um Pai Nosso em honra a São Miguel Arcanjo.
Um Pai Nosso em honra a São Rafael Arcanjo.

"Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém."

5. Orações de petição:

"Gloriosíssimo São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo; vós, cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na fidelidade em servir a Deus.

V. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
R. Para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oremos
Deus, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para príncipe de Vossa Igreja o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e augusta Majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
R. Amém."

6. Consagração a São Miguel Arcanjo:

"Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça da amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima, obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo."

7. Augusta Rainha (Indulgenciada pelo Papa Pio X):

"Augusta Rainha do Céu e altíssima soberana dos Anjos, vós que desde os primórdios recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos, enviai vossas santas legiões de Anjos, a fim de que à Vossa Ordem e pelo vosso poder persigam os espíritos infernais e em toda a parte os combatam, confundindo-os em sua arrogância e arrojando-os para o abismo. Quem é como Deus? Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Ó Maria, Rainha dos Anjos, mandai a São Miguel defender-nos em todas as ocasiões de perigo da alma e do corpo."

8. Oração Final:

"Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos todos os seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém."