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11 de agosto de 2021

15.08 - Início da Quaresma de São Miguel Arcanjo 2021


Retiro Quaresmal


Vamos trilhar o caminho de São Francisco com a Quaresma de São Miguel Arcanjo por nossas vidas e pela Criação? 


Esta quaresma deve ser rezada, diariamente, entre os dias 15 de agosto e 29 de setembro, dia da Festa de São Miguel. Podendo ser rezada também em outras épocas do ano por um período de 40 dias.


Para se preparar para esta Quaresma é necessário:


  • Acender uma vela abençoada diante de uma imagem ou estampa de São Miguel Arcanjo;
  • Oferecer uma penitência durante os 40 dias;
  • Rezar determinadas orações todos os dias.

A minha farei junto ao altar doméstico que possuo com crucifixo, mini-círio, imagem de Nossa Senhora do Carmo e de outros santos. Sou consagrada há anos, mas ando pesada por graves rancores, implicâncias, maledicências internas e, mesmo que estejamos ainda neste isolamento da pandemia, espero por fim poder me corrigir, perdoar, para então buscar a reconciliação.

Irei ofertá-la também para que não percamos ainda mais o rumo em nossa governança sobre a Criação, pois nos últimos dois meses as consequências começaram a ficar ainda mais evidentes.  Quem não desejar fazer a quaresma, poderá participar dos momentos de oração que irão ocorrer globalmente, coordenados pelo Movimento Laudato Si'.




As orações utilizadas nesta trajetória são:

1. Sinal da Cruz:


"Pelo sinal, da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém."


2. Pequeno Exorcismo do Papa Leão XIII:


"São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate. Cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o Deus, instantemente o pedimos; e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém."


3. Ladainha de São Miguel Arcanjo:


"Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, ouvi-nos.
Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do Mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Trindade Santa, que sois um único Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós.
São Miguel, cheio da graça de Deus, rogai por nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino, rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai por nós.
São Miguel, poderosíssimo príncipe dos exércitos do Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta-estandarte da Santíssima Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo israelita, rogai por nós.
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante, rogai por nós.
São Miguel, luz dos anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte dos cristãos, rogai por nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo estandarte da cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades, rogai por nós.
São Miguel, arauto da sentença eterna, rogai por nós.
São Miguel, consolador das almas que estão no Purgatório, rogai por nós.
São Miguel, a quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da morte, rogai por nós.
São Miguel, nosso príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso advogado, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, ó glorioso São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo,
R. Para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oremos
Senhor Jesus, santificai-nos, por uma bênção sempre nova e concedei-nos, pela intercessão de São Miguel, esta sabedoria que nos ensina a ajuntar riquezas do céu e a trocar os bens do tempo pelos da eternidade. Vós que viveis e reinais em todos os séculos dos séculos.
R. Amém."

4. Pai Nosso:
Um Pai Nosso em honra a São Gabriel Arcanjo.
Um Pai Nosso em honra a São Miguel Arcanjo.
Um Pai Nosso em honra a São Rafael Arcanjo.

"Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém."

5. Orações de petição:

"Gloriosíssimo São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo; vós, cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na fidelidade em servir a Deus.

V. Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
R. Para que sejamos dignos de Suas promessas.

Oremos
Deus, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para príncipe de Vossa Igreja o gloriosíssimo Arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e augusta Majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
R. Amém."

6. Consagração a São Miguel Arcanjo:

"Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do Senhor, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os Anjos justos, meu diletíssimo Arcanjo São Miguel, desejando eu fazer parte do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me dou e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção. É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça da amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador Jesus Cristo e a minha Mãe Maria Santíssima, obtende-me aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa arma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no Céu. São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo."

7. Augusta Rainha (Indulgenciada pelo Papa Pio X):

"Augusta Rainha do Céu e altíssima soberana dos Anjos, vós que desde os primórdios recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos, enviai vossas santas legiões de Anjos, a fim de que à Vossa Ordem e pelo vosso poder persigam os espíritos infernais e em toda a parte os combatam, confundindo-os em sua arrogância e arrojando-os para o abismo. Quem é como Deus? Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos. Ó Maria, Rainha dos Anjos, mandai a São Miguel defender-nos em todas as ocasiões de perigo da alma e do corpo."

8. Oração Final:

"Levanta-se Deus, pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos todos os seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém."



4 de abril de 2021

Mensagem "Urbe et Orbi" de Páscoa, 2021


 Caros irmãos e irmãs, uma boa, feliz e pacífica Páscoa!



Hoje, por todo o mundo, ressoa a proclamação da Igreja: “Jesus, que foi crucificado, ressuscitou como disse. Aleluia!"


A mensagem da Páscoa não nos oferece uma miragem, nem revela uma fórmula mágica. Não aponta para uma fuga da difícil situação que vivemos. A pandemia ainda está se espalhando, enquanto a crise social e econômica continua severa, especialmente para os pobres. No entanto - e isso é escandaloso - os conflitos armados não terminaram e os arsenais militares estão sendo fortalecidos. Esse é o escândalo de hoje.


Diante, ou melhor, em meio a esta complexa realidade, a mensagem pascal fala de maneira concisa sobre o acontecimento que nos dá a esperança que não desilude: “Jesus crucificado ressuscitou”. Não nos fala sobre anjos ou fantasmas, mas sobre um homem, um homem de carne e osso, com um rosto e um nome: Jesus. O Evangelho testifica que este Jesus, crucificado sob Pôncio Pilatos por afirmar que era o Cristo, o Filho de Deus, ressuscitou no terceiro dia de acordo com as Escrituras, assim como ele havia predito aos seus discípulos.


O Jesus crucificado, nenhum outro, ressuscitou dos mortos. Deus Pai ressuscitou Jesus, seu Filho, porque ele cumpriu plenamente sua vontade salvadora. Jesus tomou sobre si nossa fraqueza, nossas enfermidades, até mesmo nossa morte. Ele suportou nossos sofrimentos e carregou o peso de nossos pecados. Por causa disso, Deus Pai o exaltou e agora Jesus Cristo vive para sempre; ele é o Senhor.


As testemunhas relatam um detalhe importante: o Jesus ressuscitado traz as marcas das feridas nas mãos, pés e flanco. Essas feridas são o selo eterno de seu amor por nós. Todos aqueles que experimentam uma dolorosa prova no corpo ou no espírito podem encontrar refúgio nessas feridas e, por meio delas, receber a graça da esperança que não decepciona.


O Cristo ressuscitado é a esperança para todos os que continuam a sofrer com a pandemia, tanto os doentes quanto os que perderam um ente querido. Que o Senhor os console e apoie os valentes esforços de médicos e enfermeiras. Todos, especialmente os mais vulneráveis entre nós, requerem assistência e têm direito ao acesso aos cuidados necessários. Isso é ainda mais evidente nestes tempos em que todos nós somos chamados para combater a pandemia. As vacinas são uma ferramenta essencial nessa luta. Exorto toda a comunidade internacional, em um espírito de responsabilidade global, a se comprometer a superar os atrasos na distribuição de vacinas e a facilitar sua distribuição, especialmente nos países mais pobres.


O Senhor crucificado e ressuscitado é um conforto para aqueles que perderam seus empregos ou passam por sérias dificuldades econômicas e carecem de proteção social adequada. Que ele inspire as autoridades públicas a agirem para que a todos, especialmente as famílias mais necessitadas, seja oferecida a assistência necessária para um padrão de vida digno. Infelizmente, a pandemia aumentou dramaticamente o número de pobres e o desespero de milhares de pessoas.


Os pobres de toda espécie devem começar uma vez mais a ter esperança”. São João Paulo II pronunciou essas palavras durante sua visita ao Haiti. É precisamente para o querido povo haitiano que meus pensamentos se voltam nestes dias. Exorto-os a não se abaterem com as dificuldades, mas a olharem para o futuro com confiança e esperança. E meus pensamentos se voltam especialmente para vocês, meus queridos irmãos e irmãs haitianos. Estou perto de você e quero uma solução definitiva para seus problemas. Estou orando por isso, queridos irmãos e irmãs haitianos.


Jesus ressuscitado é também a esperança para todos os jovens forçados a passar longos períodos sem ir à escola ou à universidade, ou de passar o tempo com os amigos. Experimentar relacionamentos humanos reais, não apenas relacionamentos virtuais, é algo que todos precisam, especialmente em uma idade em que o caráter e a personalidade de uma pessoa estão sendo formados. Percebemos isso claramente na última sexta-feira, na Via Sacra composta pelas crianças. Expresso a minha proximidade aos jovens de todo o mundo e, nestes dias, especialmente aos jovens de Mianmar empenhados em apoiar a democracia e fazer ouvir a sua voz pacificamente, sabendo que o ódio só pode ser dissipado com o amor.



Que a luz de Jesus ressuscitado seja fonte de renascimento para os migrantes que fogem da guerra e da extrema pobreza. Reconheçamos em seus rostos o rosto desfigurado e sofredor do Senhor enquanto ele percorria o caminho do Calvário. Que nunca faltem sinais concretos de solidariedade e fraternidade humana, penhor da vitória da vida sobre a morte que celebramos neste dia. Agradeço às nações que recebem generosamente pessoas que sofrem e procuram refúgio. O Líbano e a Jordânia, em particular, estão recebendo muitos refugiados que fugiram do conflito na Síria.


Que o povo libanês, que vive tempos de dificuldade e incerteza, experimente a consolação do Senhor Ressuscitado e encontre o apoio da comunidade internacional na sua vocação de ser uma terra de encontro, de convivência e de pluralismo.


Que Cristo, nossa paz, finalmente ponha fim ao conflito de armas na amada e devastada Síria, onde milhões de pessoas vivem atualmente em condições desumanas; no Iêmen, cuja situação se deparou com um silêncio ensurdecedor e escandaloso, e na Líbia, onde finalmente há esperança de que uma década de lutas e confrontos sangrentos chegue ao fim. Que todas as partes envolvidas se comprometam efetivamente a acabar com os conflitos e permitir que os povos cansados da guerra vivam em paz e comecem a reconstrução de seus respectivos países.


A ressurreição naturalmente nos leva a Jerusalém. Em Jerusalém, pedimos ao Senhor que conceda paz e segurança (cf. Sl 122), para que possa abraçar a sua vocação de ser um lugar de encontro, onde todos se possam ver como irmãos e onde israelitas e palestinianos redescubram o poder de diálogo para alcançar uma solução estável que permitirá aos dois estados viver lado a lado em paz e prosperidade.


Neste dia de festa, o meu pensamento regressa também ao Iraque, que tive a alegria de visitar no mês passado. Rezo para que continue no caminho da paz e, assim, realize o sonho de Deus para uma família humana hospitaleira e acolhedora para todos os seus filhos. [1]


Que o poder do Senhor ressuscitado sustente os povos da África que vêem seu futuro comprometido pela violência interna e pelo terrorismo internacional, especialmente no Sahel e na Nigéria, bem como em Tigray e na região de Cabo Delgado. Continuem os esforços para uma solução pacífica dos conflitos, no respeito pelos direitos humanos e pela sacralidade da vida, por meio do diálogo fraterno e construtivo, em espírito de reconciliação e de verdadeira solidariedade. 


Ainda há muitas guerras e muita violência no mundo! Que o Senhor, que é a nossa paz, nos ajude a superar a mentalidade da guerra. Que ele conceda que os prisioneiros de conflitos, especialmente no leste da Ucrânia e em Nagorno-Karabakh, possam retornar em segurança para suas famílias, e que ele inspire os líderes mundiais a conter a corrida por novos armamentos. Hoje, 4 de abril, marca o Dia Internacional da Conscientização contra as minas terrestres antipessoais, dispositivos traiçoeiros e horríveis que matam ou mutilam muitos inocentes a cada ano e impedem a humanidade de “caminhar juntos nos caminhos da vida sem temer a ameaça de destruição e morte![2] Quão melhor seria o nosso mundo sem esses instrumentos de morte!


Queridos irmãos e irmãs, mais uma vez este ano, em vários lugares, muitos cristãos celebraram a Páscoa sob severas restrições e, às vezes, sem poder assistir às celebrações litúrgicas. Oramos para que essas restrições, bem como todas as restrições à liberdade de culto e religião em todo o mundo, sejam levantadas e todos possam orar e louvar a Deus livremente.


Em meio às muitas provações que enfrentamos, nunca nos esqueçamos de que fomos curados pelas feridas de Cristo (cf. 1 Pe 2, 24). À luz do Senhor Ressuscitado, nossos sofrimentos agora se transfiguram. Onde havia morte, agora existe vida. Onde havia luto, agora há consolo. Ao abraçar a cruz, Jesus deu significado aos nossos sofrimentos e agora oramos para que os benefícios dessa cura se espalhem por todo o mundo. Uma boa Páscoa feliz e serena a todos!


Francisco



[1] Discurso na Reunião Inter-religiosa em Ur, 6 de março de 2021.

[2] João Paulo II, Angelus, 28 de fevereiro de 1999.

Tradução: Renata P. Espíndola.


Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/en/messages/urbi/documents/papa-francesco_20210404_urbi-et-orbi-pasqua.html


21 de fevereiro de 2021

Catequese - 24. Rezar na vida quotidiana


 AUDIÊNCIA GERAL
Biblioteca do Palácio Apostólico
(Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021)


Estimados irmãos e irmãs, bom dia!


Na catequese anterior, vimos que a oração cristã está “ancorada” na Liturgia. Hoje evidenciaremos como da Liturgia ela regressa sempre à vida quotidiana: nas ruas, nos escritórios, nos meios de transporte... E nela o diálogo com Deus continua: quem reza é como o apaixonado, que traz sempre no coração a pessoa amada, onde quer que esteja.


Com efeito, tudo é assumido neste diálogo com Deus: cada alegria torna-se um motivo de louvor, cada provação é ocasião para um pedido de ajuda. A oração é sempre viva na existência, como o fogo das brasas, até quando os lábios não falam, mas o coração fala. Cada pensamento, embora aparentemente “profano”, pode ser permeado de oração. Até na inteligência humana há um aspeto orante; com efeito, ela é uma janela aberta para o mistério: ilumina os poucos passos que se nos apresentam e depois abre-se para toda a realidade, esta realidade que a precede e a supera. Este mistério não tem um rosto perturbador nem angustiante, não: o conhecimento de Cristo faz-nos confiar que onde o nosso olhar e os olhos da nossa mente não podem ver, não há o nada, mas há alguém que nos espera, há uma graça infinita. E assim a oração cristã infunde no coração humano uma esperança invencível: qualquer que seja a experiência que toque o nosso caminho, o amor de Deus pode transformá-la em bem.


A este propósito, o Catecismo diz: «Aprendemos a orar em certos momentos, escutando a Palavra do Senhor e participando no seu mistério pascal. Mas a cada momento, nos acontecimentos de cada dia, o seu Espírito é-nos oferecido para fazer brotar a oração [...] O tempo está nas mãos do Pai; é no presente que nós o encontramos; não ontem nem amanhã, mas hoje» (n. 2659). Hoje encontro Deus, existe sempre o hoje do encontro.


Não há outro dia maravilhoso, a não ser o hoje que vivemos. As pessoas que vivem sempre a pensar no futuro: “Mas, o futuro será melhor...”, e não vivem o hoje como vem: são pessoas que vivem na fantasia, não sabem assumir o concreto da realidade. E o hoje é real, o hoje é concreto. E a oração tem lugar no hoje. Jesus vem ao nosso encontro hoje, neste hoje que vivemos. E é a oração que transforma este hoje em graça, ou melhor, que nos transforma: apazigua a raiva, sustenta o amor, multiplica a alegria, infunde a força de perdoar. 


Às vezes parece-nos que já não somos nós que vivemos, mas que a graça vive e age em nós através da oração. E quando nos vem um pensamento de raiva, de descontentamento, que nos leva à amargura. Paremos e digamos ao Senhor: “Onde estás? E para onde vou?”. E o Senhor está ali, o Senhor dar-nos-á a palavra certa, o conselho para ir em frente sem aquele sumo amargo do negativo. Porque a oração, usando uma palavra profana, é sempre positiva. Sempre! Leva-te em frente. 


Cada dia que começa, se for acolhido na oração, é acompanhado de coragem, para que os problemas a enfrentar já não sejam obstáculos à nossa felicidade, mas apelos de Deus, ocasiões para o nosso encontro com Ele. E quando alguém é acompanhado pelo Senhor, sente-se mais corajoso, mais livre e inclusive mais feliz.


Portanto, rezemos sempre por tudo e por todos, até pelos inimigos. Jesus aconselhou-nos: “Rezai pelos inimigos”. Oremos pelos nossos entes queridos, mas também por aqueles que não conhecemos; oremos até pelos nossos inimigos, como eu disse, como a Escritura muitas vezes nos convida a fazer. A oração dispõe a um amor superabundante















Rezemos especialmente pelos infelizes, por quantos choram na solidão e perdem a esperança de que ainda haja um amor que pulse por eles. A oração realiza milagres; e então os pobres intuem, pela graça de Deus, que até na sua situação precária, a oração do cristão tornou presente a compaixão de Jesus: pois Ele olhou com grande ternura para as multidões cansadas e perdidas como ovelhas sem pastor (cf. Mc 6, 34). 


O Senhor – não nos esqueçamos – é o Senhor da compaixão, da proximidade, da ternura: três palavras que jamais devem ser esquecidas. Pois é o estilo do Senhor: compaixão, proximidade, ternura.


A oração ajuda-nos a amar os outros, apesar dos seus erros e pecados. A pessoa é sempre mais importante do que as suas ações, e Jesus não julgou o mundo, mas salvou-o. A vida daqueles que julgam sempre os outros é negativa, condenam, julgam sempre: é uma vida negativa, infeliz. Jesus veio para nos salvar: abre o teu coração, perdoa, justifica os outros, compreende, também tu permanece próximo dos outros, tem compaixão, sente ternura como Jesus. É necessário amar todos e cada um, lembrando na oração que todos somos pecadores e ao mesmo tempo amados por Deus, um por um. Amando assim este mundo, amando-o com ternura, descobriremos que cada dia e cada situação traz dentro de si um fragmento do mistério de Deus.


O Catecismo escreve ainda: «Orar nos acontecimentos de cada dia e de cada instante é um dos segredos do Reino, revelados aos “pequeninos”, aos servos de Cristo, aos pobres das bem-aventuranças. É justo e bom orar para que a vinda do Reino da justiça e da paz influencie a marcha da história; mas também é importante “levedar” pela oração a massa das humildes situações quotidianas. Todas as formas de oração podem ser este fermento a que o Senhor compara o Reino» (n. 2660).


O homem – a pessoa humana, homem e mulher – é como um sopro, como a relva (cf. Sl 144, 4; 103, 15). O filósofo Pascal escrevia: «Não há necessidade que o universo inteiro pegue em armas para o esmagar; um vapor, uma gota de água é suficiente para o matar» (Pensamentos, 186). Somos seres frágeis, mas sabemos rezar: esta é a nossa maior dignidade, é também a nossa fortaleza. Coragem! Rezai em cada momento, em cada situação, pois o Senhor está próximo de nós. E quando uma oração está em sintonia com o coração de Jesus, obtém milagres.


Papa Francisco


Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2021/documents/papa-francesco_20210210_udienza-generale.html