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29 de julho de 2022

Mensagem de Sua Santidade Papa Francisco para a celebração do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação em 01 de setembro de 2022.

 

Queridos irmãos e irmãs!

«Escuta a voz da criação» é o tema e o convite do «Tempo da Criação» deste ano. O período ecumênico começa no dia 1 de setembro com o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e termina a 4 de outubro com a festa de São Francisco. É um momento especial para todos os cristãos, a fim de orarmos e cuidarmos, juntos, da nossa casa comum. Inspiração originária do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, este «Tempo» é uma oportunidade para aperfeiçoarmos a nossa «conversão ecológica», uma conversão encorajada por São João Paulo II como resposta à «catástrofe ecológica» pressagiada por São Paulo VI já em 1970. [1]

Se se aprende a escutá-la, notamos uma espécie de dissonância na voz da criação. Por um lado, é um canto doce que louva o nosso amado Criador; por outro, é um grito amargo que se lamenta dos nossos maus-tratos humanos.

O canto doce da criação convida-nos a praticar uma «espiritualidade ecológica» (Francisco, Carta enc. Laudato si', 216), atenta à presença de Deus no mundo natural. É um convite a fundar a nossa espiritualidade na «consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal» (ibid., 220). Particularmente para os discípulos de Cristo, esta experiência luminosa reforça a consciência de que «por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1, 3). 

Neste «Tempo da Criação», retomemos a oração na grande catedral da criação, gozando do «grandioso coro cósmico» [2] de inúmeras criaturas que cantam louvores a Deus. Unamo-nos a São Francisco de Assis cantando «Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas» (cf. Cântico do Irmão Sol). Unamo-nos ao Salmista cantando «Todo o ser vivo louve o Senhor» ( Sl 150, 6).

Esta canção doce, infelizmente, é acompanhada por um grito amargo. Ou melhor, por um coro de gritos amargos. Primeiro, é a irmã Madre Terra que grita. À mercê dos nossos excessos consumistas, geme implorando para pararmos com os nossos abusos e a sua destruição. Depois gritam as diversas criaturas. 

À mercê de um «antropocentrismo despótico» (Laudato si', 68), nos antípodas da centralidade de Cristo na obra da criação, estão a extinguir-se inúmeras espécies, cessando para sempre os seus hinos de louvor a Deus. Mas gritam também os mais pobres entre nós. Expostos à crise climática, sofrem mais severamente o impacto de secas, inundações, furacões e vagas de calor que se vão tornando cada vez mais intensas e frequentes. E gritam ainda os nossos irmãos e irmãs de povos indígenas. 

Por causa de predatórios interesses econômicos, os seus territórios ancestrais são invadidos e devastados por todo o lado, lançando «um clamor que brada ao céu» (Francisco, Exortação Apóstólica Pós-sinodal Querida Amazonia, 9). Enfim gritam os nossos filhos. Ameaçados por um egoísmo míope, os adolescentes pedem-nos ansiosamente, a nós adultos, que façamos todo o possível para prevenir ou pelo menos limitar o colapso dos ecossistemas do nosso planeta.

Escutando estes gritos amargos, devemo-nos arrepender e mudar os estilos de vida e os sistemas danosos. O apelo evangélico inicial – «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu» (Mt 3, 2) –, ao convidar a uma nova relação com Deus, pede também uma relação diferente com os outros e com a criação. O estado de degrado da nossa casa comum merece a mesma atenção que outros desafios globais, como as graves crises sanitárias e os conflitos bélicos. «Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa» (Laudato si', 217).

Como pessoas de fé, sentimo-nos ainda mais responsáveis por adotar comportamentos diários em consonância com a referida exigência de conversão. Mas esta não é apenas individual: «a conversão ecológica, que se requer para criar um dinamismo de mudança duradoura, é também uma conversão comunitária» (ibid., 219). Nesta perspetiva, a própria comunidade das nações é chamada a empenhar-se, com espírito de máxima cooperação, especialmente nos encontros das Nações Unidas dedicados à questão ambiental.

A cimeira COP 27 sobre o clima, que se vai realizar no Egito em novembro de 2022, constitui a próxima oportunidade para promover, todos juntos, uma eficaz implementação do Acordo de Paris. Também por este motivo dispus recentemente que a Santa Sé, em nome e por conta do Estado da Cidade do Vaticano, adira à Convenção-Quadro da ONU sobre as Mudanças Climáticas e ao Acordo de Paris, com a esperança de que a humanidade do século XXI «possa ser lembrada por ter assumido com generosidade as suas graves responsabilidades» (ibid., 165). 

Alcançar o objetivo de Paris de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C é bastante árduo e requer uma colaboração responsável entre todas as nações para apresentar planos climáticos ou Contribuições Determinadas a nível nacional mais ambiciosos, para reduzir a zero, com a maior urgência possível, as emissões globais dos gases de efeito estufa. Trata-se de «converter» os modelos de consumo e produção, bem como os estilos de vida, numa direção mais respeitadora da criação e do progresso humano integral de todos os povos presentes e futuros, um progresso fundado na responsabilidade, na prudência/precaução, na solidariedade e atenção aos pobres e às gerações futuras. 

Na base de tudo, deve estar a aliança entre o ser humano e o meio ambiente que, para nós crentes, é «espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho». [3] A transição realizada por esta conversão não pode negligenciar as exigências da justiça, especialmente para com os trabalhadores mais afetados pelo impacto das mudanças climáticas.

Por sua vez, a cimeira COP 15 sobre a biodiversidade, que terá lugar no Canadá em dezembro, proporcionará à boa vontade dos Governos uma oportunidade importante para adotarem um novo acordo multilateral para deter a destruição dos ecossistemas e a extinção das espécies. Segundo a antiga sabedoria dos Jubileus, temos necessidade de «recordar, regressar, repousar e restaurar». [4] 

Para impedir um colapso ainda mais grave da «rede da vida» – Biodiversidade – que Deus nos concedeu, rezemos e convidemos as nações a porem-se de acordo sobre quatro princípios-chave: 

1º. ⇒ Construir uma base ética clara para a transformação que precisamos a fim de salvar a biodiversidade; 

2º. ⇒ Lutar contra a perda de biodiversidade, apoiar a sua conservação e recuperação e satisfazer de forma sustentável as necessidades das pessoas; 

3º. ⇒ Promover a solidariedade global, tendo em vista que a biodiversidade é um bem comum global que requer um empenho compartilhado; 

4º. ⇒ Colocar no centro as pessoas em situações de vulnerabilidade, incluindo as mais afetadas pela perda de biodiversidade, como as populações indígenas, os idosos e os jovens.

Repito: «Quero pedir, em nome de Deus, às grandes empresas extrativas – mineiras, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agro-alimentares – que deixem de destruir florestas, zonas úmidas e montanhas, que deixem de poluir rios e mares, que deixem de intoxicar as pessoas e os alimentos». [5]

É impossível não reconhecer a existência duma «dívida ecológica» (Laudato si', 51) das nações economicamente mais ricas, que poluíram mais nos últimos dois séculos; isso exige que elas realizem passos mais ambiciosos tanto na COP 27 como na COP 15. Além duma decidida ação dentro das suas fronteiras, inclui cumprir as suas promessas de apoio financeiro e técnico às nações economicamente mais pobres, que já sofrem o peso maior da crise climática. 

Além disso, seria oportuno pensar urgentemente também num maior apoio financeiro para a conservação da biodiversidade. Significativas, embora «diversificadas» (cf. ibid., 52), são também as responsabilidades dos países economicamente menos ricos; os atrasos dos outros não podem jamais justificar a inação de quem quer que seja. É necessário agirem todos, com decisão. Estamos a chegar a «um ponto de ruptura» (cf. ibid., 61).

Durante este «Tempo da Criação», rezemos para que as cimeiras COP 27 e COP 15 possam unir a família humana (cf. ibid., 13) para enfrentar decididamente a dupla crise do clima e da redução da biodiversidade. Recordando a exortação de São Paulo para nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram (cf. Rm 12, 15), choremos com o grito amargo da criação, escutemo-lo e respondamos com os fatos para que nós e as gerações futuras possamos ainda alegrar-nos com o canto doce de vida e de esperança das criaturas.


Roma, São João de Latrão, na Memória de Nossa Senhora do Carmo, dia 16 de julho de 2022.

FRANCISCO





[1] Cf. Discurso à FAO, 16 de novembro de 1970.

[2] São João Paulo II, Audiência Geral, 10 de julho de 2002.



[5] Vídeo-mensagem aos Movimentos Populares, 16 de outubro de 2021.

27 de junho de 2022

Na Suíça, jovens encenam a Laudato Si' com música


por Adélaïde Patrignani 
(Vatican News, 22.06.2022)

O apelo do Papa Francisco à ecologia integral não os deixou indiferentes. No Cantão de Valais, no sul da Suíça, onde se cresce entre picos e vinhedos, alguns jovens católicos fizeram a mensagem do Papa Francisco ressoar através do instrumento da arte.

Benjamin Bender e Guillaume Délèze têm 23 anos. O primeiro é um ator profissional, engajado com crianças e jovens, o segundo estuda filosofia e musicologia na Universidade de Freiburg e compõe no piano há dez anos. Cada um deles colocou seus talentos em prática para dar uma forma particular à Laudato Si', encíclica sobre a salvaguarda da Casa Comum publicada em 2015.


Gênesis de um espetáculo


Os projetos dos jovens começam a tomar forma mesmo antes da pandemia do coronavírus. Em Valais, muitos jovens católicos frequentam a rede DJP "(Déjeune qui prie) ou (Toma café quem reza)", que desde 1997 oferece um encontro nas manhãs de sábado para rezar juntos as Laudes e depois tomar café da manhã juntos. Os DJP se realizam na Diocese de Sion, mas também incluem outros eventos como o Open Sky Festival, que se realiza a cada dois anos na cidade de Fully e acolhe cerca de 1.500 jovens católicos reunidos em alguns dias de oração, concertos e testemunhos.

Por ocasião da última edição de 2019, um espetáculo amador repercorreu a vida do Beato Pier Giorgio Frassati. O sucesso alcançado por essa representação levou ao planejamento de um novo espetáculo para a edição sucessiva do festival, em 2021, ou seja, no Ano Laudato Si’ proclamado pelo Papa Francisco: e com isso também foi encontrado o tema do espetáculo.

"Enfrentamos um desafio incrível", admite Benjamin, que se engajou ativamente no projeto junto com outros jovens voluntários. "Tivemos que produzir arte a partir de um texto teórico, a partir de uma encíclica": não tivemos escolha a não ser enfrentar o desafio concretamente. Os autores muito jovens foram em busca daqueles que colocam a Laudato si' em prática todos os dias: um monge da abadia cistercense de Hauterive, um fazedor de cestas", personagens do espetáculo em todos os aspectos.

Depois, a pandemia interrompeu um pouco o projeto. A edição de 2021 do Festival Open Sky foi adiada, mas "isso nos deu um pouco mais de tempo para aprofundarmos melhor o que queríamos transmitir como mensagem", diz Benjamin. O trabalho de escrever a peça comprometeu o grupo por um ano e meio.

Ao longo dos meses, a trupe aumentou e agora inclui uma dezena de atores, figurantes, um coral de jovens da aldeia de Bramois e voluntários: no total, mais de trinta jovens entre 16 e 22 anos.




Evangelizar através da música

Em vez disso, o grupo formado por Guillaume é menor – oito jovens de Valais – mas o dinamismo e a ambição não faltam. Os membros – cada um deles toca instrumentos tradicionais e instrumentos mais modernos – se conheceram no grupo paroquial que anima a missa uma vez por mês. 

Então eles decidiram fundar a Écho – para evangelizar à maneira deles. "Em nossas canções queremos falar sobre nossa fé da mesma forma que poderíamos falar sobre isso com pessoas de fora da fé", resume Guillaume. Em sua primeira música eles quiseram falar sobre ecologia. O jovem estudou profundamente o documento do Papa e escreveu a letra da música, partindo do que "mais o impressionou".

Também neste caso, a pandemia modificou as etapas inicialmente planejadas; mas Covid ou não, o principal obstáculo continua sendo "a agenda de cada indivíduo", observa Guillaume. Apesar de tudo, os jovens tiveram muitos incentivos sobre seu projeto e isso é um grande estímulo para perseverar, especialmente porque várias músicas já estão sendo preparadas.


O caminho da santidade


Não há presunção por trás dos esforços artísticos dos jovens de Valais, mas sim o desejo de alcançar o coração das pessoas neste exato momento em que os desafios ambientais e sociais estão batendo à porta do tranquilo cantão suíço. Enquanto os valores tradicionais são maltratados, a Igreja quer indicar referências e abrir horizontes ousados a partir do Evangelho.

"A Laudato si' não é apenas uma bela escrita do Papa: é um apelo dirigido a todos nós", explica Benjamin. "Essa encíclica é um patrimônio. Não basta lê-la, temos que colocá-la em prática". "A montanha dá de viver a muitas pessoas em Valais, mas estamos destruindo-a", ressalta Benjamin. "Da mesma forma, devemos reavaliar as riquezas que os idosos nos transmitem, para alcançar uma sobriedade serena": assim diz, o jovem ator, referindo-se a uma região em que os laços intergeracionais, embora permaneçam fortes, têm a tendência a se afrouxar.

Benjamin insiste no envolvimento de todos para uma ecologia integral. "Os jovens são muito comprometidos, mas é necessário nos comprometer todos juntos", ressalta ele, também observando que "na Igreja e entre os adultos as coisas se arrastam um pouco...". Aprofundar esse compromisso é sinal de um verdadeiro caminho de fé: "Aproxima-se ao conceito da santidade da porta ao lado, ou seja, cuidar dos nossos vizinhos, das nossas relações, do que nos circunda", acrescenta o jovem. "A santidade da porta ao lado", a que o Papa fala na Exortação apostólica Gaudete et exsultate: este testemunho está particularmente próximo ao coração de Florian, outro jovem ator do grupo.

Os músicos de Écho – dos quais vários, como Guillaume, também participaram do espetáculo musical de Benjamin e se deram "três objetivos: fazer uma bela música, levar uma mensagem de fé e poder ajudar com dinheiro quem mais precisa".

Os trabalhos produzidos são, no momento, divulgados através do YouTube, mas os jovens gostariam de vender suas músicas para arrecadar fundos para as associações. Para isso criaram a etiqueta "Dreamsailer Music", que inclui o grupo Écho e outros projetos musicais geridos por Guillaume, com esse propósito de caridade.


Perspectivas são delineadas


Finalmente, após meses de comprometimento paciente e criativo, os sonhos começam a se tornar realidade. Em outubro do ano passado, foi lançado o primeiro título de Écho, "Harmonie", com um clipe filmado na paisagem rochosa e verdejante do Vale do Rhone, que sozinho fala da beleza da Criação.

Quatro garotas, as cantoras, um violino, um trombone, um piano e uma bateria: o grupo é heteróclito, mas o título anuncia o resultado: realmente uma harmonia da qual o grupo de músicos é testemunho com frescor e dinamismo.

Em 12 e 13 de abril, "La Coloc M.C." ("O colega de quarto da Casa Comum") foi apresentado por Benjamin e sua equipe num lugar tão atípico quanto simbólico, se falarmos de ecologia integral: um armazém de frutas perto de Riddes, bem no meio dos pomares. As decorações do armazém são sóbrias e são feitas com materiais reciclados ou recuperados. "Nós nos ancoramos numa realidade sustentável, e isso também nos permite favorecer a realidade local", explica Benjamin.

Mais de 250 espectadores para cada apresentação: um público "realmente entusiasmado", visivelmente impressionado por esses jovens engajados na Igreja e reativos diante dos problemas atuais.

"Nós não apenas fizemos teatro ou realizamos um espetáculo: esta é realmente uma aventura humana", continua o jovem ator de Valais, também observando que muitos de seus companheiros amadureceram no decorrer deste projeto. "Todos estão prontos para partir novamente para a aventura", mas no momento ainda não há um projeto definido.

Outros ainda aceitarão o chamado da Laudato Si' para colocá-la em prática: na verdade, após a segunda apresentação, foi instituído um prêmio Laudato Si', destinado a apoiar financeiramente os projetos de ecologia integral na região. Christian Thurre, diácono permanente e delegado de ecologia da Diocese de Sion, concedeu o primeiro prêmio a um grupo que pretende transformar um terreno de 900m² numa área de permacultura com um projeto social que gira em torno de uma guarita. 

O segundo prêmio – o prêmio de incentivo – foi concedido ao Grupo Écho. A Igreja em Valais está determinada a confiar na criatividade dos jovens para que sua mensagem se encarne numa sociedade que precisa de testemunhas apaixonadas e coerentes.


21 de outubro de 2021

“O planeta que esperamos. Ambiente, trabalho, futuro. Tudo está conectado" – Papa Francisco aos participantes da 49ª. Semana Social dos católicos italianos

 Traduzido por Renata P. Espíndola


Queridos irmãos e irmãs:
 
Saúdo cordialmente todos os que participam da 49ª Semana Social dos Católicos Italianos, convocada em Taranto. Saúdo fraternalmente o Cardeal Gualtiero Bassetti, Presidente da Conferência Episcopal Italiana, D. Filippo Santoro e os Bispos presentes, os membros da Comissão Científica e Organizadora, os Delegados das dioceses italianas, os representantes dos movimentos e associações, todos os convidados e quem acompanha o evento à distância.

Esta citação tem um sabor especial. É preciso encontrar e ver o rosto um do outro, sorrir e planejar, orar e sonhar juntos. Isso é ainda mais necessário no contexto da crise gerada pela Covid, uma crise tanto sanitária quanto social. Para sair desta crise, os católicos italianos também devem ser mais corajosos. Não podemos nos resignar e ficar olhando pela janela, não podemos ficar indiferentes ou apáticos sem assumir responsabilidade pelos outros e pela sociedade. Somos chamados a ser o fermento que fermenta a massa (cf. Mt 13,33).

A pandemia expôs a ilusão de nosso tempo de nos acreditarmos onipotentes, pisoteando os territórios que habitamos e o meio ambiente em que vivemos. Para nos recuperar, devemos nos voltar para Deus e aprender a fazer bom uso de Seus dons, antes de tudo a Criação.

Que não falte o valor da conversão ecológica, mas sobretudo, que não falte o ardor da conversão da comunidade. Por isso, espero que a Semana Social seja uma experiência sinodal, uma plena troca de vocações e talentos que o Espírito suscitou na Itália. Para isso, é preciso ouvir também o sofrimento dos pobres, dos menores, dos desesperados, das famílias cansadas de viver em lugares poluídos, explorados, queimados, devastados pela corrupção e pela degradação.

Precisamos de esperança. É significativo o título escolhido para esta Semana Social de Taranto, uma cidade que simboliza as esperanças e as contradições do nosso tempo: “O planeta que esperamos. Ambiente, trabalho, futuro. Tudo está conectado". Há um desejo de vida, uma sede de justiça, um desejo de realização que brota das comunidades afetadas pela pandemia. Vamos ouvir isso.

Neste sentido, gostaria de lhes oferecer algumas reflexões que podem ajudá-los a trilhar com ousadia o caminho da esperança, que podemos imaginar marcado por três “sinais”.

O primeiro é a atenção aos entroncamentos (cruzamentos). Muitas pessoas cruzam nossas vidas em desespero: jovens que são forçados a deixar seus países de origem para emigrar para outros lugares, desempregados ou explorados numa precariedade sem fim; mulheres que perderam seus empregos em tempos de pandemia ou que são forçadas a escolher entre a maternidade e a profissão; trabalhadores ficando em casa sem oportunidades; pobres e emigrantes que não são acolhidos nem integrados; idosos abandonados à solidão; famílias vítimas de usura, jogo e corrupção; empresários em dificuldade e sujeitos a abusos das máfias; comunidades destruídas por incêndios, etc.

Entretanto, há também tantos doentes, adultos e crianças, trabalhadores forçados a realizar trabalhos extenuantes ou imorais, muitas vezes em condições de segurança precárias. São rostos e histórias que nos desafiam: não podemos ficar indiferentes. Esses nossos irmãos e irmãs estão crucificados e aguardam a ressurreição. Que a criatividade do Espírito Santo nos ajude a não deixar nada por fazer, para que as suas legítimas esperanças se tornem reais.

Um segundo sinal indica que estacionar é proibido. Quando vemos dioceses, paróquias, comunidades, associações, movimentos, grupos eclesiais cansados ​​e desanimados, às vezes resignados a situações complexas, vemos um Evangelho que tende a se apagar. Pelo contrário, o amor de Deus nunca é estático nem renunciante, “tudo acredita, tudo espera” (1 Cor 13,7): impele-nos e proíbe-nos de parar.

Ele nos põe em movimento como crentes e discípulos de Jesus no caminho do mundo, seguindo o exemplo d’Aquele que é o caminho (cf. Jo 14,6) e que percorreu os nossos caminhos. Então, não vamos ficar nas sacristias, não vamos formar grupos elitistas que se isolam e se fecham. A esperança está sempre em movimento e também passa pelas comunidades cristãs, filhas da ressurreição, que saem, anunciam, compartilham, apoiam e lutam pela construção do Reino de Deus.

Que maravilha seria se, nas áreas mais marcadas pela poluição e degradação, os cristãos não apenas denunciassem, mas assumissem a responsabilidade de criar redes de resgate. Como escrevi na Encíclica Laudato Si': “Não basta conciliar, em meios termos, o cuidado da natureza com o rendimento financeiro, nem a preservação do meio ambiente com o progresso. Nesse caso, o meio-termo é apenas um pequeno atraso no colapso. Trata-se apenas de redefinir o progresso. Um desenvolvimento tecnológico e econômico que não resulte em um mundo melhor e com uma qualidade de vida integralmente superior não pode ser considerado um progresso” (n. 194).

Às vezes, prevalecem o medo e o silêncio, que acabam favorecendo a ação dos lobos dos negócios sujos e do interesse individual. Não tenhamos medo de denunciar e nos opor à ilegalidade, mas, sobretudo, não tenhamos medo de semear o bem.

Um terceiro sinal de trânsito é a obrigação usar a rotatória, de nos reorientarmos. O grito dos pobres e o grito da Terra o invocam. “A esperança convida-nos a reconhecer que sempre podemos reorientar o nosso rumo, que sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas” (n. 61).

Dom Tonino Bello, profeta na terra da Apúlia, costumava repetir: “Não podemos nos limitar à esperança. A esperança deve ser organizada. Uma profunda conversão nos espera, que toca a ecologia humana, a ecologia do coração, antes mesmo da ecologia ambiental. A mudança só virá se soubermos formar as consciências para que não busquem soluções fáceis que protejam os que já estão seguros, mas antes propor processos de mudança duradouros em benefício das novas gerações". 

Uma conversão deste tipo, orientada para uma ecologia social, pode alimentar esta época que se chamou “transição ecológica”, em que as decisões tomadas não podem ser apenas fruto de novas descobertas tecnológicas, mas também de modelos sociais renovados.

A mudança de época pela qual estamos passando exige uma mudança de curso. Olhemos, neste sentido, para tantos sinais de esperança, em tantas pessoas a quem quero agradecer porque, muitas vezes em laborioso silêncio, trabalham para promover um modelo econômico diferente, mais equitativo e atento às pessoas.

Este é, pois, o planeta que esperamos: aquele no qual a cultura do diálogo e da paz fecunda um novo dia, no qual o trabalho confere dignidade à pessoa e salvaguarda à Criação, para a qual convergem mundos culturalmente distantes, animados pela mesma preocupação pelo bem comum.

Queridos irmãos e irmãs, acompanho o vosso trabalho com oração e encorajamento. Abençoo-vos, desejando que encarnem as propostas destes dias com paixão e concretude. Que o Senhor os encha de esperança. E, por favor, não se esqueçam de orar por mim.
 
Roma, São João de Latrão, 4 de outubro de 2021
 Festa de São Francisco de Assis
Papa Francisco


10 de junho de 2021

Ato de Reparação ao Sacratíssimo Coração de Jesus


Não se iludam, quaisquer ações em prol de Nossa Casa Comum, se não estiverem firmemente fundamentadas em Cristo, não irão refletir de modo humano o amor de Deus: terão limitações e correrão o risco de virem a se tornar simulacros. Fisicamente eficazes, mas simulacros, pois somos corpos e espíritos.


Esta oração é de autoria do Papa Pio XI (1928), mas você pode rezá-la ou utilizar suas próprias palavras para o desagravo. Já estamos na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e permita-se um tempo a sós com Ele. 


Gosto muito de rezar o Terço da Misericórdia às 15h (ou às 3h) e sugiro que este seja um horário bom, caso lhe seja possível. A oração foi copiada de uma publicação do portal do Pe. Paulo Ricardo.


Fonte: Wikimedia Commons.


"Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é por eles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados na Vossa presença, para Vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o Vosso amorosíssimo coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não Vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da Vossa santa lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-Vos, mais particularmente da licença dos costumes e imodéstia do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino amor e, enfim, dos atentados e rebeldias das nações contra os direitos e o Magistério da Vossa Igreja.

Oh! Se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades!

Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, Vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação, que Vós oferecestes ao eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre nossos altares.

Ajudai-nos Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a vivência da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nosso próximo, impedir, por todos os meios, novas injúrias de Vossa divina Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número de almas possíveis.

Recebei, ó benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria santíssima reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres e no Vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à pátria bem-aventurada, onde Vós com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais por todos os séculos dos séculos.

Amém." 

8 de junho de 2021

Mensagem do Santo Padre Francisco no início da década das Nações Unidas para a restauração dos Ecossistemas

 

Para o Exma. Sra. Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA
e H.E. Sr. Qu Dongyu, Diretor-Geral da FAO


Excelências:


Amanhã celebraremos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Esta comemoração anual nos incentiva a lembrar que tudo está interligado. Uma genuína "preocupação com o meio ambiente ... deve andar a par de um amor sincero ao homem e de um compromisso constante com os problemas da sociedade" [1] . A festa de amanhã, porém, terá um significado especial, pois ocorrerá no ano que inicia a Década das Nações Unidas para a Restauração do Ecossistema. 


Esta década nos convida a fazer um compromisso de dez anos com o cuidado de nossa casa comum, "apoiando e intensificando os esforços para prevenir, deter e reverter a degradação dos ecossistemas em todo o mundo e aumentando a consciência sobre a importância de restaurar os ecossistemas com sucesso". [2] 


Na Bíblia, lemos que “os céus proclamam a glória de Deus, / a obra das suas mãos anuncia o firmamento; / dia a dia ele comunica a mensagem, / e noite a noite transmite a notícia. / Não é uma mensagem, não há palavras / nem se ouve a sua voz". [3]


Todos nós fazemos parte deste dom da criação. Somos parte da natureza, não estamos separados dela. Isso é o que a Bíblia nos diz.


A atual situação ambiental nos chama a agir agora com urgência para nos tornarmos administradores cada vez mais responsáveis ​​de criar e restaurar a natureza que danificamos e exploramos por muito tempo. Caso contrário, corremos o risco de destruir o próprio alicerce de que dependemos. Corremos o risco de inundações, fome e consequências graves para nós e para as gerações futuras. Isso é o que muitos cientistas nos dizem.


Temos que cuidar uns dos outros e dos mais fracos entre nós. Seguir este caminho de exploração e destruição - do ser humano e da natureza - é injusto e temerário. Isso é o que uma consciência responsável nos diria.


Temos a responsabilidade de deixar um lar comum habitável para nossos filhos e para as gerações futuras.


No entanto, quando olhamos ao nosso redor, o que vemos? Vemos que a crise leva à crise. Vemos a destruição da natureza, bem como uma pandemia global que leva à morte de milhões de pessoas. Vemos as consequências injustas de alguns aspectos de nossos sistemas econômicos atuais e inúmeras crises climáticas catastróficas que têm sérios efeitos sobre as sociedades humanas e até mesmo a extinção em massa de espécies.


E ainda há esperança. “Temos a liberdade necessária para limitar a técnica, orientá-la e colocá-la a serviço de outro tipo de progresso mais saudável, mais humano, mais social, mais abrangente”. [4]


Estamos testemunhando um novo compromisso de diversos Estados e atores não governamentais: autarquias, iniciativa privada, sociedade civil, jovens... esforços para promover o que podemos chamar de “ecologia integral”, que é um conceito complexo e multidimensional: requer uma visão de longo prazo; destaca a indissociabilidade da "preocupação com a natureza, justiça para os pobres, compromisso com a sociedade e paz interior" [5]; visa recuperar "os diferentes níveis de equilíbrio ecológico, estabelecendo harmonia, consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com os demais seres vivos, e com Deus" [6]. 



Torna cada um de nós cônscio de sua responsabilidade como seres humanos, para conosco, para com os outros, para com a criação e para com o Criador.


No entanto, sabemos que temos pouco tempo - dizem os cientistas nos próximos dez anos, o período desta Década da ONU - para restaurar o ecossistema, o que significa a restauração integral da nossa relação com a natureza.


Os muitos “avisos” que estamos experimentando, entre os quais se destacam a Covid-19 e o aquecimento global, nos levam a tomar medidas urgentes. Espero que a COP26 sobre mudança climática, a ser realizada em Glasgow em novembro próximo, ajude a nos dar as respostas certas para restaurar os ecossistemas, tanto por meio de ações climáticas reforçadas quanto por meio de conscientização e sensibilização.


Também somos levados a repensar nossas economias. Precisamos de “uma reflexão nova e mais profunda sobre o significado da economia e seus objetivos, bem como uma revisão profunda e abrangente do modelo de desenvolvimento, para corrigir suas disfunções e desvios” [7] . A degradação do ecossistema é um resultado claro da disfunção econômica.


Recuperar a natureza que danificamos significa, antes de tudo, recuperar a nós mesmos. Ao darmos as boas-vindas a esta Década das Nações Unidas para a Recuperação do Ecossistema, sejamos compassivos, criativos e corajosos. Que possamos ocupar nosso lugar de direito como a "Geração da Restauração".


Do Vaticano, 27 de maio de 2021



Francisco




[1] Carta Encíclica  Laudato si ' (24 de maio de 2015), 91.

[2] Resolução 73/284 da AGNU aprovada em 1 de março de 2019: Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021-2030), op. 1

[3] Salmo 19, 1-3.

[4] Carta Encíclica  Laudato si  (24 de maio de 2015), 112.

[5] Ibidem , 10.

[6] Ibidem , 210.

[7] Bento XVI, Carta encíclica  Caritas in veritate  (29 de junho de 2009), 32.


Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/es/messages/pont-messages/2021/documents/papa-francesco_20210604_messaggio-ecosistema.html

26 de maio de 2021

Mensagem do Santo Padre Francisco para o lançamento da plataforma Laudato Si'

 

Queridos irmãos e irmãs:

 

Com a encíclica Laudato Si', promulgada em 2015, convidava todas as pessoas de boa vontade a cuidar da Terra, que é a nossa casa comum. Há muito que esta casa que nos acolhe sofre as feridas que causamos por uma atitude predatória, que nos faz sentir donos do planeta e dos seus recursos e nos autoriza a um uso irresponsável dos bens que Deus nos deu.


Hoje, essas feridas se manifestam de forma dramática em uma crise ecológica sem precedentes que afeta o solo, o ar, a água e, em geral, o ecossistema em que vive o ser humano. A atual pandemia também trouxe à luz ainda mais o grito da natureza e dos pobres, que são os que mais sofrem, mostrando que tudo está interligado e interdependente e que a nossa saúde não está separada da saúde do meio ambiente em que vivemos.


Precisamos, portanto, de uma nova abordagem ecológica que transforme nossa forma de habitar o mundo, nosso estilo de vida, nossa relação com os recursos da Terra e, em geral, nossa maneira de ver o ser humano e viver a vida. Uma ecologia humana integral, que envolve não só as questões ambientais, mas também o homem como um todo, torna-se capaz de ouvir o grito dos pobres e de ser fermento para uma nova sociedade.


Temos uma grande responsabilidade, principalmente com as gerações futuras. Que mundo queremos deixar para nossos filhos e jovens? Nosso egoísmo, nossa indiferença e nossa irresponsabilidade ameaçam seu futuro! Por isso renovo o meu apelo: cuidemos da nossa "mãe" Terra, superemos a tentação do egoísmo que nos torna predadores dos recursos, cultivemos o respeito pelos dons da terra e da criação, inauguremos finalmente um estilo de vida e uma sociedade sustentável: temos a oportunidade de preparar um amanhã melhor para todos. Das mãos de Deus recebemos um jardim; não podemos deixar nossos filhos no deserto.


Neste contexto, no dia 24 de maio de 2020, proclamei o ano Laudato Si', cuja organização foi confiada ao Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral. Agradeço a todos que celebraram este ano com tantas iniciativas. Hoje tenho o prazer de anunciar que o ano de Laudato Si' se traduzirá em um projeto de ação concreto, a Plataforma de Ação Laudato Si', uma jornada de sete anos em que nossas comunidades se empenharão de diferentes maneiras para se tornarem plenamente sustentáveis, no espírito da ecologia integral.


Desejo, então, convidar a todos a empreenderem juntos este caminho e, em particular, dirijo-me a estas sete realidades: famílias - paróquias e dioceses - escolas e universidades - hospitais - empresas e fazendas agrícolas - organizações, grupos e movimentos - instituições religiosas. Trabalhar juntos. Só assim podemos criar o futuro que queremos: um mundo mais inclusivo, fraterno, pacífico e sustentável.


Em uma jornada que durará sete anos, seremos guiados pelos sete objetivos do Laudato Si', que nos apontarão na direção à medida que buscamos a visão da ecologia integral: a resposta ao grito da Terra, a resposta a o grito dos pobres, a economia ambiental, a adoção de estilo de vida simples, a educação ambiental, a espiritualidade ecológica e o envolvimento da comunidade.


Há esperança. Todos podem colaborar, cada um com a sua cultura e experiência, cada um com as suas iniciativas e capacidades, para que a nossa "mãe" Terra recupere a sua beleza original e a criação volte a brilhar segundo o desígnio de Deus.


Que Deus abençoe cada um de vocês e abençoe nossa missão de reconstruir nossa casa comum. 


Obrigado.


Francisco

Roma, 25 de maio de 2021


As 07 Realidades, os 07 anos e os 07 Objetivos propostos pelo Papa Francisco resumidos numa imagem:



Cristo deve estar no centro de cada pessoa e família...

 

Já repararam que no catolicismo o número sete é importante?!?  É uma simbologia com uma riqueza sem fim: sete dons do Espírito Santo, sete pecados capitais, sete selos e sete trombetas no Apocalipse, sete anos de abundância e sete anos de fome com José no Egito (e as danadas vaquinhas esqueléticas), e por aí vai... Orai e Vigiai, para que nós mesmos não deturpemos as palavras de Francisco e no ativismo ecumênico, não percamos Cristo de vista e não fiquemos órfãos de mãe, pois temos Maria. 


Uma coisa é utilizar a imagem da "Mãe Terra" como uma evocação poética e bela. Outra é pegar um poema de São Francisco, a encíclica do Papa Francisco e alguns de seus discursos e ficar repetindo em tudo quanto é reportagem e documentos "temos que proteger a nossa Mãe"! Acordem, católicos(as) postulantes a gnominhos, temos que proteger a Natureza! Nossa mãe é Maria, ou eu não fui informada que já tomaram o seu lugar no coração dos(as) católicos(as) ativistas em prol de nossa casa comum. 😔


Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/es/messages/pont-messages/2021/documents/papa-francesco_20210525_videomessaggio-laudatosi.html

24 de maio de 2021

Celebrando com atraso o Pentecostes 2021 em comemoração a Semana Laudato Si'...


Há muito nada publico devido a correria do dia a dia e gostaria de compartilhar um belo salmo sobre a Criação retirado da Bíblia de Jerusalém, mas ao final reproduzo comentários da Bíblia Pastoral online, da Ed. Paulus. 

Ontem foi Pentecostes e foi num dia de celebração como este que a Laudato Si' nos foi apresentada em 2015, complementando o ciclo iniciado com São João Paulo II, trilhado por Bento XVI e coroado por Francisco.


Clique na imagem e acesse a carta encíclica Dominum et Vivificantem de São Paulo II 
sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do Mundo


Salmo 104 (103)

O esplendor da criação


1 Bendize a Iahweh, ó minha alma!
Iahweh, Deus meu, como és grande:
vestido de esplendor e majestade,
2 envolto em luz como num manto,
estendendo os céus como tenda,
3 construindo sobre as águas tuas altas moradas;
tomando as nuvens como teu carro,
caminhando sobre as asas do vento;
4 fazendo dos ventos teus mensageiros,
das chamas de fogo teus ministros!

5 Assentaste a terra sobre suas bases,
inabalável para sempre e eternamente;
6 cobriste-a com o abismo, como um manto,
e as águas se postaram por cima das montanhas.

7 À tua ameaça, porém, elas fogem,
ao estrondo do teu trovão se precipitam,
8 subindo as montanhas, descendo pelos vales, 
para o lugar que lhes tinhas fixado;
9 puseste um limite que não podem transpor,
para não voltarem a cobrir a terra.

10 Fazes brotar fontes d'água pelos vales:
elas correm pelo meio das montanhas,
11 dão de beber  a todas as feras do campo,
e os asnos selvagens matam a sede;
12 junto a elas as aves do céu se abrigam,
desferindo seu canto por entre a folhagem.

13 De tuas altas moradas regas os montes,
e a terra se sacia com o fruto de tuas obras;
14 fazes brotar relva para o rebanho
e plantas úteis ao homem,
para que da terra ele tire o pão

15 e o vinho, que alegra o coração do homem;
para que ele faça o rosto brilhar com o óleo,
e o pão fortaleça o coração do homem.

16 As árvores de Iahweh se saciam,
os cedros do Líbano que ele plantou;
17 ali os pássaros se aninham,
no seu topo a cegonha tem sua casa;
18 as altas montanhas são para as cabras,
os rochedos um refúgio para os ratazanas.

19 Ele fez a lua para marcar os tempos,
o sol conhece o seu ocaso.
20 Colocas as trevas e vem a noite,
e nela rondam todas as feras da selva;
21 rugem os leõezinhos em busca da presa,
pedindo a Deus o sustento.

22 Ao nascer do sol se retiram
e se entocam nos seus covis;
23 sai o homem para a sua faina,
e para o seu trabalho até a tarde.

24 Quão numerosas são tuas obras, Iahweh,
e todas fizeste com sabedoria!
A terra está repleta das tuas criaturas.

25 Eis o vasto mar, com braços imensos,
onde se movem, inumeráveis,
animais pequenos e grandes;
26 ali circulam os navios, e o Leviatã,
que formaste para com ele brincar.

27 Eles todos esperam de ti
que a seu tempo lhes dê o alimento:
28 tu lhes dás e eles o recolhem,
abres tua mão e se saciam de bens.

29 Escondes tua face e eles se apavoram,
retiras sua respiração e eles expiram,
voltando ao seu pó.
30 Envias teu sopro e eles são criados,
e assim renovas a face da terra.

31 Que a glória de Iahweh seja para sempre,
que Iahweh se alegre com suas obras!
32 Ele olha a terra e ela estremece,
toca as montanhas e elas fumegam.

33 Cantarei a Iahweh enquanto eu viver,
louvarei o meu Deus enquanto existir.
34 Que meu poema lhe seja agradável;
quanto a mim, eu me alegro com Iahweh.
35 Que os pecadores desapareçam da terra
e os ímpios nunca mais existam.

Bendize a Iahweh, ó minha alma!



Comentários da Bíblia Pastoral:

* 1-4: Celebra a grandeza de Deus envolvido pela imensidão do universo.

* 5-9: Descreve alguns traços da criação primordial. Trata-se de uma observação simples dos principais fenômenos da natureza.

* 10-18: Celebra o ritmo harmônico da natureza, em que coexistem pacificamente plantas, animais e seres humanos.

* 19-26: Dia e noite delimitam o espaço do homem e das feras. Os vv. 24-26 contemplam a multiplicidade, beleza e imensidão das criaturas.

* 27-28: Enquanto os animais se alimentam diretamente da natureza, o homem precisa transformá-la através do trabalho.

* 29-30: O mistério da vida é visto como o mistério da respiração: sopro de Deus que cria, vivifica e renova.

* 31-34: Neste louvor, o homem reconhece o mistério da natureza, descobrindo nele o próprio mistério de Deus.

* 35: A harmonia da natureza deixa aberta uma questão: por que existem os injustos que produzem desigualdade entre os homens?