18 de abril de 2021

Sobre aprender a amar o mundo apaixonadamente com São Josemaría Escrivá...

 

Antes de mais nada, preciso informar que não sou da Opus Dei, que foi fundada por São Josemaría, porém admiro muitíssimo os seus escritos, utilizando-os muitas vezes pelo meu caminho tão imperfeito. Dito isto, quero compartilhar pequenos textos dele que constam do livro "Entrevistas com Mons. Josemaría Escrivá", pois estes têm a ver com a "vocação" deste blog.



Capítulo 6 - Ponto 75


Muitos estudantes desejam adotar uma atitude ativa ante o panorama que observam em todo o mundo, e sentem-se solidários de tantas pessoas que sofrem física e moralmente ou que vivem na indigência. Que idéias sociais proporia a esta juventude intelectual de hoje?


O ideal é, sobretudo, a realidade de um trabalho bem feito, a adequada preparação científica durante os anos da Universidade. Com esta base, há milhares de lugares no mundo que precisam de braços, que esperam por um trabalho pessoal, duro e sacrificado. A Universidade não deve formar homens que consumam egoisticamente as vantagens alcançadas através de seus estudos; deve prepará-los para uma tarefa de generosa ajuda ao próximo, de fraternidade cristã.


Muitas vezes, esta solidariedade esgota-se em manifestações orais ou escritas, quando não em algazarras estéreis ou prejudiciais. A solidariedade, meço-a eu por obras de serviço: conheço milhares de casos de estudantes de muitos países, que renunciaram ao seu pequeno mundo privado, dando-se aos outros mediante um trabalho profissional que procuram fazer com perfeição humana, em obras de ensino, de assistência, sociais, etc., com espírito sempre jovem e cheio de alegria.



Capítulo 8 - Ponto 117


Mas jamais esse cristão se lembra de pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja, e que suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas. Isso não pode ser, meus filhos! Isso seria clericalismo, catolicismo oficial, ou como queiram chamá-lo. Em qualquer caso, é violentar a natureza das coisas. Há que difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que deve levar a três conclusões:


— temos que ser suficientemente honrados, para arcar com a nossa própria responsabilidade pessoal;


— temos que ser suficientemente cristãos, para respeitar os irmãos na fé, que propõem — em matérias de livre opinião — soluções diversas da que cada um sustenta;


— e temos que ser suficientemente católicos, para não nos servirmos de nossa Mãe a Igreja, misturando-a em partidarismos humanos.


Já se vê claramente que, neste terreno como em todos, não poderíamos realizar esse programa de viver santamente a vida diária, se não gozássemos de toda a liberdade que nos reconhecem simultaneamente, a Igreja e a nossa dignidade de homens e mulheres criados à imagem de Deus. Contudo, não esqueçam, meus filhos, que falo sempre de uma liberdade responsável.


Interpretem, portanto, minhas palavras, como elas são realmente: um chamado para que exerçam — diariamente!, não apenas em situações de emergência — os direitos que têm; e para que cumpram nobremente as obrigações que têm como cidadãos — na vida pública, na vida econômica, na vida universitária, na vida profissional — assumindo com valentia todas as conseqüências das suas livres decisões, e arcando com o peso da correspondente independência pessoal. E essa cristã mentalidade laical permitirá fugir de toda e qualquer intolerância, de todo fanatismo; vou dizê-lo de um modo positivo: fará que todos convivam em paz com todos os concidadãos, e fomentará também a convivência nas diversas ordens da vida social.


Resgatando uma homilia antiga do Papa Francisco (2020)

 

"A doença da preguiça e a água que nos regenera"

Terça-feira, 24 de março de 2020


A liturgia de hoje faz-nos refletir sobre a água, a água como símbolo de salvação, porque é um meio de salvação, mas a água é também um instrumento de destruição: pensemos no dilúvio... Mas nestas leituras, a água é para a salvação.


Na primeira leitura fala-se da água que traz a vida, que saneia as águas do mar, uma água nova que cura. E no Evangelho fala-se da piscina, daquela piscina repleta de água à qual os doentes iam para ser curados, porque se dizia que de vez em quando as águas se moviam, como se fosse um rio, porque um anjo descia do céu e as movia, e o primeiro, ou os primeiros, que se lançavam na água ficavam curados. E ali havia muitos doentes: “Um grande número de enfermos, cegos, coxos, paralíticos” ficavam ali, à espera da cura, do movimento da água.


Encontrava-se também um homem que estava doente há 38 anos. Há 38 anos ali, à espera da cura! Isto faz pensar, não é verdade? É demasiado... porque quem quer ser curado organiza-se para ter alguém que o ajude, faz algo, é um pouco ágil, inclusive um pouco astuto... mas ele, há 38 anos ali, a ponto que não se sabe se está doente ou morto... Vendo-o deitado, e conhecendo a realidade, que há muito tempo estava ali, Jesus diz-lhe: “Queres ficar curado?”. E a resposta é interessante: não diz que sim, lamenta-se. Da doença? Não. O doente responde: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou para chegar – estou prestes a tomar a decisão de ir – outro desce antes de mim”. Um homem que chega sempre atrasado. Jesus diz-lhe: “Levanta-te, toma o teu leito e anda”. No mesmo instante, aquele homem ficou curado.


A atitude deste homem leva-nos a pensar. Estava doente? Sim, talvez, tinha alguma paralisia, mas parece que podia caminhar um pouco. Mas estava doente no coração, na alma, estava doente de pessimismo, de tristeza, de preguiça. Eis a doença daquele homem: “Sim, quero viver, mas...”, estava ali. A sua resposta não é: “Sim, quero ser curado!”. Não, é lamentar-se: “São os outros que chegam primeiro, sempre os outros”. A resposta à oferta de cura de Jesus é uma lamentação contra os outros. E assim, 38 anos a lamentar-se dos outros. E sem nada fazer para ser curado.





Era sábado: ouvimos o que os doutores da Lei fizeram. Mas a chave é o encontro com Jesus, mais tarde. Encontrou-o no templo e disse-lhe: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça algo pior”. Aquele homem vivia no pecado, mas não porque tinha feito algo grave, não. O pecado de sobreviver e de se lamentar da vida dos outros: o pecado da tristeza, que é a semente do diabo, da incapacidade de tomar uma decisão sobre a própria vida, mas de olhar para a vida dos outros a fim de se lamentar. Não para os criticar: para se queixar. “Eles chegam antes, eu sou a vítima desta vida”: queixas, estas pessoas respiram lamentações.


Se fizermos uma comparação com o cego de nascença, que ouvimos domingo passado: com quanta alegria, com quanta decisão reagiu à sua cura, e também com quanta determinação foi discutir com os doutores da Lei! Este [paralítico] somente foi ali e informou: “Sim, é ele”, Ponto. Sem compromisso com a vida... Faz-me pensar em muitos de nós, em muitos cristãos que vivem esta condição de preguiça, de incapacidade de fazer algo, lamentando-se de tudo. E a preguiça é um veneno, uma neblina que circunda a alma e não a deixa viver. E é também uma droga, porque se a experimentares com frequência, gostarás dela. E assim acabas por te tornares “dependente da tristeza”, “dependente da preguiça”... É como o ar. E este é um pecado bastante comum entre nós: a tristeza, a preguiça, não digo a melancolia, mas assemelha-se.


E far-nos-á bem reler o capítulo 5 de João, para ver como é a doença em que podemos cair. A água é para nos salvar. “Mas não posso salvar-me” – “Por que motivo?” – “Porque a culpa é dos outros. E permaneço 38 anos ali... Jesus curou-me: não se vê a reação dos outros que são curados, que tomam o leito e dançam, cantam, agradecem e contam a todos. Não, ele vai em diante assim. Os outros dizem-lhe que não se deve fazer isto, mas ele diz: “Aquele que me curou disse-me que sim”, e vai adiante. E depois, em vez de ir ao encontro de Jesus e de lhe agradecer, informa: “Foi Ele”. Uma vida cinzenta, cinzenta com aquele mau espírito que é a preguiça, a tristeza, a melancolia.


Pensemos na água, a água que é símbolo da nossa força, da nossa vida, a água que Jesus usou para nos regenerar, o Batismo. E pensemos também em nós, se alguém de nós corre o perigo de escorregar nesta preguiça, neste pecado “neutro”: o pecado do neutro é este, nem branco nem preto, não se sabe o que é. E este é um pecado que o diabo pode usar para aniquilar a nossa vida espiritual e também a nossa vida como pessoas. Que o Senhor nos ajude a entender quão terrível e mau é este pecado.


Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/cotidie/2020/documents/papa-francesco-cotidie_20200324_mai-lamentarsi.html

7 de abril de 2021

Estamos no Dia Mundial da Saúde e será saudável negar a Eucaristia aos fiéis celíacos?

 

Creio que hoje seja um bom dia para tocar nesta ferida: 


"Católicos portadores de doença celíaca não podem comungar na primeira espécie, apenas na segunda, e muitas paróquias não cuidam bem de seus filhos e filhas, negando acesso à mesma por não possuirem um cálice pequeno e exclusivo".


Alguns falam que o percentual de glúten presente para que a hóstia seja válida não fará mal aos(as) celíacos(as), isto no caso das hóstias especiais, e eu não sei - sinceramente - se estas são fabricadas no Brasil e se quem as fabrica possui certificado de qualidade e realiza testes laboratoriais frequentes em sua produção executados por laboratórios acreditados pelo Inmetro (instituição ofical de metrologia no país). Uma análise pontual nada significa para fins científicos, medicinais e de produção, já que todos processos têm desvios.


Tampouco sei se as paróquias aceitariam que os(as) fiéis celíacos(as) as importassem, mas e os que não podem arcar com os custos de uma importação? Cada grupo de Ação Social de cada paróquia ficaria responsável pela aquisição de um lote anualmente? Os vicariatos se cotizariam para adquiri-las e dividir entre si? Os MECEs seriam treinados - efetivamente - a não se portarem de modo a causar a contaminação cruzada?


É Cristo que está na hóstia e no vinho e Ele se dá em Corpo e Sangue de modos distintos a cada filho e filha! Ninguém pode ser excluído... Se falo com paixão é porque há uma real necessidade de empatia em muitas paróquias.


São tantas as questões sem solução para a primeira espécie quando há uma simples, eficaz e autorizada pelo Vaticano: os sacerdotes irão ofertar a segunda espécie em cálices próprios e menores, cuidando para que não haja falhas e que seja dada a devida honra ao preciosíssimo sangue de Cristo


Por que dificultar tanto o acesso à Eucaristia e não esclarecer em todas as paróquias o que é mais adequado e seguro a todos os fiéis? 


Daí, sempre tem um(a) "esperto"(a) que diz que "ser doente e não consumir a hóstia é falta de fé e ausência do estado de graça"... Será que é isto mesmo? Será que Nosso Senhor, em sua infinita sabedoria e misericórdia, apesar de não ter tocado no tema (afinal, ele deu inteligência a nós para quê?), teria deixado de incluir os doentes com necessidades especiais de terem acesso à Sua Graça? Quem fala aquela frase lá atrás responderia o quê agora?


Vamos lá... A Santa Sé legislou, passou para a CNBB que traduziu e comunicou às arquidioceses e algumas "acolheram" fazendo a comunicação necessária às paróquias. Entretanto, muitas destas continuam ignorando solenemente a necessidade de acolher todos os seus filhos e filhas com o vaso litúrgico necessário e que deve ter uso e manuseio diferenciados pelos sacerdotes e MECE.


Graças a Deus, a minha paróquia tem um sacerdote amoroso que cuida de seus filhos e filhas e providenciou um pequeno cálice e treinou os MECE. Mas e as demais?


Estou sem poder comungar porque preciso me reconciliar e porque com a pandemia, a comunhão na segunda espécie oferece um risco ao sacerdote, pois ninguém está imune de ser assintomático(a) para a Covid-19. Por amor, também preisamos proteger nossos sacerdotes, isto é algo que não pode ser esquecido e aí, só buscando a contrição perfeita e a reconciliação, para quando houver vacina poder novamente comungar (mostrando o comprovante, não é mesmo?).


Então, as Pastorais da Saúde de cada paróquia deveriam se movimentar para sanar esta carência imensa, que afeta o corpo físico e espiritual.


   Fonte: Pastoral da Saúde Nacional (2017).


Particularmente, tenho ressalvas quanto à orientação da CNBB, pois esta fala sobre cada fiel ter seu cálice. Será que o pequeno cálice será tratado, adequadamente, como um vaso litúrgico por leigos?


Vamos REALMENTE usar a caridade cristã e ajudar a espalhar a boa nova aos doentes celíacos e sacerdotes de suas paróquias?


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Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB 

https://cdn.dj.org.br/wp-content/uploads/2020/10/Sobre-a-comunhao-dos-celiacos.pdf


 Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia 

Brasília, 18 de setembro de 2019 

LIT – Nº.0383/19 


Orientações da Comissão Episcopal para Liturgia da CNBB sobre a 

Comunhão Eucarística dos Celíacos 


"Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, a doença celíaca "é uma doença autoimune, que afeta o intestino delgado interferindo diretamente na absorção de nutrientes essenciais ao organismo como carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, sais minerais e água. Caracteriza-se pela intolerância permanente ao glúten em pessoas geneticamente predispostas. O único tratamento é a dieta isenta de glúten por toda a vida” (http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/; acesso realizado em 16/09/2019). 


Desta forma, a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, levando em consideração tal condição crônica na qual se encontram fieis cristãos católicos permanentemente intolerantes ao glúten em sua alimentação, deseja recordar aos bispos, sacerdotes, diáconos e a todo o Povo de Deus o que se segue. 


Os fiéis que tiverem extrema intolerância ao glúten, de tal forma que até mesmo uma ínfima quantidade é capaz de causar-lhes graves sequelas, pode comungar apenas sob a espécie do vinho: "O fiel que sofre de fluxo celíaco de sorte a ficar impedido de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, pode comungar somente sob a espécie do vinho." – (Congregação para a Doutrina da Fé, 24 de julho de 2003). 


Nesse caso, o celíaco deve adquirir um pequeno cálice exclusivo, próprio para uso litúrgico e apresentar sua situação ao sacerdote que, ao presidir a missa esse colocará o referido cálice sobre o altar para que o vinho seja consagrado naquela mesma celebração eucarística. 


É importante que bispos, presbíteros, diáconos e ministros extraordinários da comunhão eucarística tenham conhecimento a respeito desta doença e tomem consciência dos cuidados que ela exige, entre esses a atenção para que o cálice para o uso do celíaco não tenha contato com partículas com glúten ou materiais que possam ter tido contato com glúten, a fim de garantir a comunhão eucarística segura das pessoas celíacas. Aos sacerdotes cabe ainda recordar que sequer se realize no cálice em questão o rito da immixtio, isto é, o gesto realizado pelo sacerdote no qual coloca uma fração da hóstia no cálice. 


Desejamos com isso favorecer aquilo que nos recorda o Papa Francisco em seu discurso de 11 de junho de 2016: “a comunidade cristã está chamada a trabalhar para que cada batizado possa fazer a experiência de Cristo nos sacramentos”. 


Dom Edmar Peron 

Bispo de Paranaguá - PR 

Presidente da Comissão Episcopal para Liturgia da CNBB"


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CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030724_pane-senza-glutine_po.html


CARTA CIRCULAR AOS PRESIDENTES DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS SOBRE O USO DO PÃO COM POUCA QUANTIDADE DE GLÚTEN E DO MOSTO COMO MATÉRIA EUCARÍSTICA


Prot. N. 89/78 – 17498 - Cidade do Vaticano, 24 de Julho de 2003



"A todos os Presidentes das Conferências Episcopais
Eminência / Excelência,

Há muitos anos a Congregação para a Doutrina da Fé vem estudando o modo de resolver as dificuldades que algumas pessoas encontram na comunhão eucarística quando, por diferentes e graves motivações, se verifica a impossibilidade de ingerir pão normalmente confeccionado ou vinho normalmente fermentado.


Com o intento de oferecer aos Pastores orientações comuns e seguras, no passado foram publicados diversos documentos (Congregação para a Doutrina da Fé, Rescriptum, 17 de Dezembro de 1980, in Leges Ecclesiae, 6/4819, 8095-8096; De celebrantis communione, 29 de Outubro de 1982, in AAS 74, 1982, 1298-1299; Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais, 19 de Junho de 1995, in Notitiae, 31, 1995, 608-610).


Considera-se ora oportuno voltar ao tema, à luz da experiência dos últimos anos, retomando e clarificando no que for necessário, os sobreditos documentos.


A. Uso do pão sem glúten e do mosto


1. As hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a eucaristia.


2. São matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, sem acréscimo de substâncias estranhas e sem recorrer a procedimentos tais que desnaturem o pão.


3. Mosto, isto é, o suco da uva quer fresco quer conservado de modo a interromper a fermentação mediante métodos que não lhe alterem a natureza (p. ex., o congelamento), é matéria válida para a eucaristia.


B. Comunhão sob uma só espécie ou com quantidades mínimas de vinho


1. O fiel que sofre de fluxo celíaco de sorte a ficar impedido de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, pode comungar somente sob a espécie do vinho.


2. O sacerdote impossibilitado de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, com a licença do Ordinário, pode comungar somente sob a espécie do vinho quando participar em uma concelebração.


3. O sacerdote que não puder ingerir nem sequer uma mínima quantidade de vinho, caso lhe seja difícil encontrar ou conservar o mosto, com a licença do Ordinário, pode comungar somente sob a espécie do pão quando tomar parte em uma concelebração.


4. Se o sacerdote pode ingerir o vinho, mas somente em quantidade muito pequena, na celebração individual, a espécie do vinho remanescente seja consumida por um fiel participante na mesma eucaristia.


C. Normas comuns


1. Os Ordinários são competentes para conceder a licença de usar pão com baixo teor de glúten ou mosto como matéria da eucaristia em favor de um fiel ou de um sacerdote. A licença pode ser outorgada habitualmente, até que dure a situação que motivou a concessão.


2. No caso em que o presidente de uma concelebração estiver autorizado a usar mosto, predispor-se-á para os concelebrantes um cálice de vinho normal e, analogamente, no caso em que o presidente estiver autorizado a usar hóstias com baixo teor de glúten, os concelebrantes comungarão com hóstias normais.


3. O sacerdote impossibilitado de comungar sob a espécie do pão, inclusive o pão parcialmente desprovido de glúten, não pode celebrar a Eucaristia individual­mente, nem presidir a concelebração.


4. Dada a centralidade da celebração eucarística na vida sacerdotal, é necessário usar de muita cautela antes de admitir ao presbiterado candidatos que não podem, sem grave dano, ingerir glúten ou álcool etílico.


5. Acompanhe-se o progresso da medicina no campo do fluxo celíaco e do alcoolismo e se favoreça a produção de hóstias com quantidade mínima de glúten e de mosto não desnaturado.


6. Sem prejuízo da competência da Congregação para a Doutrina da Fé no concernente aos aspectos doutrinais da questão, a competência disciplinar é remetida à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.


7. As Conferências Episcopais interessadas, durante as visitas ad Limina, apresentem à mencionada Congregação relatório acerca da aplicação das normas contidas na presente carta e refiram eventuais fatos novos nesse campo.


Rogando-lhe a gentileza de comunicar a todos os membros dessa Conferência Episcopal o conteúdo da presente, valho-me de bom grado do ensejo para saúda-lo.


Fraternalmente

 

Joseph Card. RATZINGER
Prefeito"


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CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19950619_pane-senza-glutine_po.html


Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais sobre o uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística


Prot. N. 89/78 - Cidade do Vaticano, 19 de Junho de 1995


"Eminência / Excelência,


Este Dicastério seguiu atentamente durante os últimos anos o desenvolvimento do problema ligado ao uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística.


Depois de um estudo aprofundado, conduzido em colaboração com algumas Conferências Episcopais particularmente interessadas, a Congregação ordinária de 22 de junho de 1994 tomou algumas decisões a respeito.


Prezo-me, portanto, em comunicar a normativa a propósito:


I. No que diz respeito à permissão de usar o pão com pouca quantidade de glúten:


A.Pode ser concedida pelos Ordinários aos sacerdotes e aos leigos afetados de doença celíaca, mediante apresentação de atestado médico.


B.Condições para a validade da matéria:


1) as hóstias especiais quibus glutinum ablatum est são matéria inválida;


2) ao contrário, trata-se de matéria válida se nelas for presente a quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, e não sejam acrescentadas matérias estranhas e o procedimento usado na sua confecção não seja tal que corrompa a substância do pão.


II. No que diz respeito à permissão de usar o mosto:


A. a melhor solução é a comunhão per intinctionem, isto é, somente sob a espécie do pão na concelebração;


B. a permissão para usar o mosto, contudo, pode ser concedida pelos Ordinários aos sacerdotes que sofrem de alcoolismo e de outra doença que impeça de tomar álcool, mesmo em mínima quantidade, mediante apresentação do certificado médico;


C. por mustum se entende o suco de uva fresco ou mesmo conservado suspendendo a sua fermentação (através de congelamento ou outros métodos que não alterem a natureza);


D. para aqueles que têm permissão para usar o mosto, fica em geral a proibição de presidir a Santa Missa concelebrada. Pode-se, contudo, admitir exceções: no caso de um Bispo ou de um Superior Geral, ou mesmo de um aniversário de ordenação sacerdotal ou em casos semelhantes, mediante a aprovação por parte do Ordinário. Em tais casos quem preside a Eucaristia deverá fazer a comunhão também sob a espécie do mosto e para os outros concelebrantes deve-se predispor um cálice com vinho normal;


E. para os casos de pedidos por parte dos leigos se deverá recorrer à Santa Sé.


III. Normas comuns:


A. O Ordinário deve verificar que o produto usado seja conforme as exigências acima.


B. A eventual permissão será dada somente enquanto durar a situação que motiva o pedido.


C. Se deve evitar o escândalo.


D. Os candidatos ao Sacerdócio que sofrem de doença celíaca ou de alcoolismo ou doenças análogas, dada a centralidade da celebração eucarística na vida do sacerdote, não podem ser admitidos às Ordens Sagradas.


E. Visto que as questões doutrinais implicadas estão definidas, a competência disciplinar sobre toda esta matéria é remetida à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.


F. As Conferências Episcopais interessadas façam referência, a cada dois anos, à sobredita Congregação acerca da aplicação de tais normas.


Ao comunicar-lhe o referido, aproveito a circunstância para render-lhe obséquio e confirmar-me


dev.mo

Joseph Card. Ratzinger
Prefetto"





Ladainha em honra ao Preciosíssimo Sangue de Cristo promulgada pelo Papa João XXIII no dia 24 de fevereiro de 1960:

"Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Sangue de Cristo, Sangue do Filho Unigênito do Eterno Pai, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Verbo de Deus encarnado, salvai-nos.
Sangue de Cristo, Sangue do Novo e Eterno Testamento, salvai-nos.
Sangue de Cristo, correndo pela terra na agonia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, manando abundante na flagelação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, gotejando na coroação de espinhos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, derramado na cruz, salvai-nos.
Sangue de Cristo, preço da nossa salvação, salvai-nos.
Sangue de Cristo, sem o qual não pode haver redenção, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que apagais a sede das almas e as purificais na Eucaristia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, torrente de misericórdia, salvai-nos.
Sangue de Cristo, vencedor dos demônios, salvai-nos.
Sangue de Cristo, fortaleza dos mártires, salvai-nos.
Sangue de Cristo, virtude dos confessores, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que suscitais almas virgens, salvai-nos.
Sangue de Cristo, força dos tentados, salvai-nos.
Sangue de Cristo, alívio dos que trabalham, salvai-nos.
Sangue de Cristo, consolação dos que choram, salvai-nos.
Sangue de Cristo, esperança dos penitentes, salvai-nos.
Sangue de Cristo, conforto dos moribundos, salvai-nos.
Sangue de Cristo, paz e doçura dos corações, salvai-nos.
Sangue de Cristo, penhor de eterna vida, salvai-nos.
Sangue de Cristo, que libertais as almas do Purgatório, salvai-nos.
Sangue de Cristo, digno de toda a honra e glória, salvai-nos.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.

V. Remistes-nos, Senhor com o Vosso Sangue.
R. E fizestes de nós um reino para o nosso Deus.

Oremos:
Todo-Poderoso e Eterno Deus, que constituístes o Vosso Unigênito Filho, Redentor do mundo, e quisestes ser aplacado com o seu Sangue, concedei-nos a graça de venerar o preço da nossa salvação e de encontrar, na virtude que Ele contém, defesa contra os males da vida presente, de tal modo que eternamente gozemos dos seus frutos no Céu. 
Pelo mesmo Cristo, Senhor nosso. 
Assim seja."

4 de abril de 2021

Mensagem "Urbe et Orbi" de Páscoa, 2021


 Caros irmãos e irmãs, uma boa, feliz e pacífica Páscoa!



Hoje, por todo o mundo, ressoa a proclamação da Igreja: “Jesus, que foi crucificado, ressuscitou como disse. Aleluia!"


A mensagem da Páscoa não nos oferece uma miragem, nem revela uma fórmula mágica. Não aponta para uma fuga da difícil situação que vivemos. A pandemia ainda está se espalhando, enquanto a crise social e econômica continua severa, especialmente para os pobres. No entanto - e isso é escandaloso - os conflitos armados não terminaram e os arsenais militares estão sendo fortalecidos. Esse é o escândalo de hoje.


Diante, ou melhor, em meio a esta complexa realidade, a mensagem pascal fala de maneira concisa sobre o acontecimento que nos dá a esperança que não desilude: “Jesus crucificado ressuscitou”. Não nos fala sobre anjos ou fantasmas, mas sobre um homem, um homem de carne e osso, com um rosto e um nome: Jesus. O Evangelho testifica que este Jesus, crucificado sob Pôncio Pilatos por afirmar que era o Cristo, o Filho de Deus, ressuscitou no terceiro dia de acordo com as Escrituras, assim como ele havia predito aos seus discípulos.


O Jesus crucificado, nenhum outro, ressuscitou dos mortos. Deus Pai ressuscitou Jesus, seu Filho, porque ele cumpriu plenamente sua vontade salvadora. Jesus tomou sobre si nossa fraqueza, nossas enfermidades, até mesmo nossa morte. Ele suportou nossos sofrimentos e carregou o peso de nossos pecados. Por causa disso, Deus Pai o exaltou e agora Jesus Cristo vive para sempre; ele é o Senhor.


As testemunhas relatam um detalhe importante: o Jesus ressuscitado traz as marcas das feridas nas mãos, pés e flanco. Essas feridas são o selo eterno de seu amor por nós. Todos aqueles que experimentam uma dolorosa prova no corpo ou no espírito podem encontrar refúgio nessas feridas e, por meio delas, receber a graça da esperança que não decepciona.


O Cristo ressuscitado é a esperança para todos os que continuam a sofrer com a pandemia, tanto os doentes quanto os que perderam um ente querido. Que o Senhor os console e apoie os valentes esforços de médicos e enfermeiras. Todos, especialmente os mais vulneráveis entre nós, requerem assistência e têm direito ao acesso aos cuidados necessários. Isso é ainda mais evidente nestes tempos em que todos nós somos chamados para combater a pandemia. As vacinas são uma ferramenta essencial nessa luta. Exorto toda a comunidade internacional, em um espírito de responsabilidade global, a se comprometer a superar os atrasos na distribuição de vacinas e a facilitar sua distribuição, especialmente nos países mais pobres.


O Senhor crucificado e ressuscitado é um conforto para aqueles que perderam seus empregos ou passam por sérias dificuldades econômicas e carecem de proteção social adequada. Que ele inspire as autoridades públicas a agirem para que a todos, especialmente as famílias mais necessitadas, seja oferecida a assistência necessária para um padrão de vida digno. Infelizmente, a pandemia aumentou dramaticamente o número de pobres e o desespero de milhares de pessoas.


Os pobres de toda espécie devem começar uma vez mais a ter esperança”. São João Paulo II pronunciou essas palavras durante sua visita ao Haiti. É precisamente para o querido povo haitiano que meus pensamentos se voltam nestes dias. Exorto-os a não se abaterem com as dificuldades, mas a olharem para o futuro com confiança e esperança. E meus pensamentos se voltam especialmente para vocês, meus queridos irmãos e irmãs haitianos. Estou perto de você e quero uma solução definitiva para seus problemas. Estou orando por isso, queridos irmãos e irmãs haitianos.


Jesus ressuscitado é também a esperança para todos os jovens forçados a passar longos períodos sem ir à escola ou à universidade, ou de passar o tempo com os amigos. Experimentar relacionamentos humanos reais, não apenas relacionamentos virtuais, é algo que todos precisam, especialmente em uma idade em que o caráter e a personalidade de uma pessoa estão sendo formados. Percebemos isso claramente na última sexta-feira, na Via Sacra composta pelas crianças. Expresso a minha proximidade aos jovens de todo o mundo e, nestes dias, especialmente aos jovens de Mianmar empenhados em apoiar a democracia e fazer ouvir a sua voz pacificamente, sabendo que o ódio só pode ser dissipado com o amor.



Que a luz de Jesus ressuscitado seja fonte de renascimento para os migrantes que fogem da guerra e da extrema pobreza. Reconheçamos em seus rostos o rosto desfigurado e sofredor do Senhor enquanto ele percorria o caminho do Calvário. Que nunca faltem sinais concretos de solidariedade e fraternidade humana, penhor da vitória da vida sobre a morte que celebramos neste dia. Agradeço às nações que recebem generosamente pessoas que sofrem e procuram refúgio. O Líbano e a Jordânia, em particular, estão recebendo muitos refugiados que fugiram do conflito na Síria.


Que o povo libanês, que vive tempos de dificuldade e incerteza, experimente a consolação do Senhor Ressuscitado e encontre o apoio da comunidade internacional na sua vocação de ser uma terra de encontro, de convivência e de pluralismo.


Que Cristo, nossa paz, finalmente ponha fim ao conflito de armas na amada e devastada Síria, onde milhões de pessoas vivem atualmente em condições desumanas; no Iêmen, cuja situação se deparou com um silêncio ensurdecedor e escandaloso, e na Líbia, onde finalmente há esperança de que uma década de lutas e confrontos sangrentos chegue ao fim. Que todas as partes envolvidas se comprometam efetivamente a acabar com os conflitos e permitir que os povos cansados da guerra vivam em paz e comecem a reconstrução de seus respectivos países.


A ressurreição naturalmente nos leva a Jerusalém. Em Jerusalém, pedimos ao Senhor que conceda paz e segurança (cf. Sl 122), para que possa abraçar a sua vocação de ser um lugar de encontro, onde todos se possam ver como irmãos e onde israelitas e palestinianos redescubram o poder de diálogo para alcançar uma solução estável que permitirá aos dois estados viver lado a lado em paz e prosperidade.


Neste dia de festa, o meu pensamento regressa também ao Iraque, que tive a alegria de visitar no mês passado. Rezo para que continue no caminho da paz e, assim, realize o sonho de Deus para uma família humana hospitaleira e acolhedora para todos os seus filhos. [1]


Que o poder do Senhor ressuscitado sustente os povos da África que vêem seu futuro comprometido pela violência interna e pelo terrorismo internacional, especialmente no Sahel e na Nigéria, bem como em Tigray e na região de Cabo Delgado. Continuem os esforços para uma solução pacífica dos conflitos, no respeito pelos direitos humanos e pela sacralidade da vida, por meio do diálogo fraterno e construtivo, em espírito de reconciliação e de verdadeira solidariedade. 


Ainda há muitas guerras e muita violência no mundo! Que o Senhor, que é a nossa paz, nos ajude a superar a mentalidade da guerra. Que ele conceda que os prisioneiros de conflitos, especialmente no leste da Ucrânia e em Nagorno-Karabakh, possam retornar em segurança para suas famílias, e que ele inspire os líderes mundiais a conter a corrida por novos armamentos. Hoje, 4 de abril, marca o Dia Internacional da Conscientização contra as minas terrestres antipessoais, dispositivos traiçoeiros e horríveis que matam ou mutilam muitos inocentes a cada ano e impedem a humanidade de “caminhar juntos nos caminhos da vida sem temer a ameaça de destruição e morte![2] Quão melhor seria o nosso mundo sem esses instrumentos de morte!


Queridos irmãos e irmãs, mais uma vez este ano, em vários lugares, muitos cristãos celebraram a Páscoa sob severas restrições e, às vezes, sem poder assistir às celebrações litúrgicas. Oramos para que essas restrições, bem como todas as restrições à liberdade de culto e religião em todo o mundo, sejam levantadas e todos possam orar e louvar a Deus livremente.


Em meio às muitas provações que enfrentamos, nunca nos esqueçamos de que fomos curados pelas feridas de Cristo (cf. 1 Pe 2, 24). À luz do Senhor Ressuscitado, nossos sofrimentos agora se transfiguram. Onde havia morte, agora existe vida. Onde havia luto, agora há consolo. Ao abraçar a cruz, Jesus deu significado aos nossos sofrimentos e agora oramos para que os benefícios dessa cura se espalhem por todo o mundo. Uma boa Páscoa feliz e serena a todos!


Francisco



[1] Discurso na Reunião Inter-religiosa em Ur, 6 de março de 2021.

[2] João Paulo II, Angelus, 28 de fevereiro de 1999.

Tradução: Renata P. Espíndola.


Fonte: http://www.vatican.va/content/francesco/en/messages/urbi/documents/papa-francesco_20210404_urbi-et-orbi-pasqua.html


2 de abril de 2021

Via Sacra através de São Josemaría Escrivá

 

Quero apenas compartilhar um link para uma de suas obras, que é tão pertinente às meditações necessárias deste dia santo.


A Criação geme em dores de parto.


https://www.escrivaworks.org.br/book/via_sacra




VII Estação: Jesus vai pela segunda vez
Ponto 7


Já fora da muralha, o corpo de Jesus volta a abater-se por causa da fraqueza, e cai pela segunda vez, entre a gritaria da multidão e os empurrões dos soldados.


A debilidade do corpo e a amargura da alma fizeram com que Jesus caísse de novo. Todos os pecados dos homens — os meus também — pesam sobre a sua Humanidade Santíssima.

Foi ele que tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos como um leproso, ferido por Deus e humilhado. Mas por nossas iniqüidades é que foi ferido, por nossos pecados é que foi torturado. O castigo que nos havia de trazer a paz caiu sobre ele, e por suas chagas fomos curados (Is 53, 4-5).

Jesus desfalece, mas a sua queda nos levanta, a sua morte nos ressuscita.

À nossa reincidência no mal, responde Jesus com a sua insistência em redimir-nos, com abundância de perdão. E, para que ninguém desespere, torna a erguer-se, fatigosamente abraçado à Cruz.

Que os tropeços e as derrotas já não nos afastem mais d'Ele. Como a criança débil se lança compungida nos braços vigorosos de seu pai, tu e eu nos arrimaremos ao jugo de Jesus. Só essa contrição e essa humildade transformarão a nossa fraqueza humana em fortaleza divina

1. Jesus cai pelo peso de madeiro... Nós, pela atração das coisas da terra.

Prefere sucumbir a soltar a Cruz. Assim sara Cristo o desamor que a nós derriba.

2. Esse desalento, por quê? Pelas tuas miséria? Pelas tuas derrotas, às vezes contínuas? Por uma baixa grande, grande, que não esperavas?

Sê simples. Abre o coração. Olha que ainda nada se perdeu. Ainda podes continuar avante, e com mais amor, com mais carinho, com mais fortaleza.

Refugia-te na filiação divina: Deus é teu Pai amantíssimo. Esta é a tua segurança, o ancoradouro onde lançar a âncora, aconteça o que acontecer na superfície deste mar da vida. E encontrarás alegria, fortaleza, otimismo... vitória!

3. Disseste-me: — Padre, estou passando muito mal.

E eu te respondi ao ouvido: — Põe aos ombros uma partezinha dessa cruz, só uma parte pequena. E se nem mesmo assim podes com ela..., deixa-a toda inteira sobre os ombros fortes de Cristo. E repete desde já comigo: Senhor, meu Deus! Em tuas mãos abandono o passado, o presente e o futuro, o pequeno e o grande, o pouco e o muito, o temporal e o eterno.

E fica tranqüilo.

4. Certa vez, cheguei a perguntar-me qual o maior martírio: se o de quem recebe a morte pela fé, das mãos dos inimigos de Deus; se o de quem gasta os seus anos trabalhando sem outra mira que a de servir a Igreja e as almas, e envelhece sorrindo, e passa despercebido...

Para mim, o martírio sem espetáculo é mais heróico... Esse é o teu caminho.

5. Para seguir o Senhor, para chegar a um trato íntimo com Ele, temos de espezinhar-nos pela humildade como se pisa a uva no lagar.

Se calcamos aos pés a nossa miséria — que é o que somos — , então Ele se hospeda na alma a seu bel-prazer. Como em Betânia, fala conosco e nós com Ele, em conversação confiada de amigos.