22 de outubro de 2010

Material da Campanha da Fraternidade 2011 é apresentado à imprensa: “Fraternidade e a vida no planeta”.

Durante uma coletiva de imprensa, na sede da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB), na tarde desta quinta-feira, 21, foi apresentado o material da Campanha da Fraternidade de 2011 (CF), um dos temas que esteve na pauta da reunião do Conselho Permanente da CNBB, que terminou hoje às 17h. O Secretário Geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, apresentou o tema da Campanha, “Fraternidade e a vida no planeta” e o lema “A criação geme como em dores de parto”.

“A Campanha da Fraternidade deste ano (2011), reflete a questão ecológica, com foco, sobretudo, no problema das mudanças climáticas. Ela se coloca em sintonia com uma cultura que está se expandindo cada vez mais, em todo o mundo, de respeito pelo meio ambiente e do lugar em que Deus nos coloca, não só para vivermos e convivermos, mas também para fazer deste o paraíso com o qual tanto sonhamos”, disse Dom Dimas.

Questionado se a escolha do lema “A criação geme como em dores de parto” foi feita em virtude das discussões acerca do aborto que ocorre neste período eleitoral, o presidente da CNBB disse que não e explicou o processo de definição dos temas da Campanha da Fraternidade. “Essa escolha (do tema da CF-2011) não se fez agora, no contexto das discussões do momento atual. A escolha do tema de 2012, inclusive, já foi definida. Esse processo acontece com dois anos de antecedência”, disse. “O tema Fraternidade e vida no planeta inclui a questão do aborto, mas não se esgota nisso”, acrescentou o arcebispo.

O secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, presenteou os jornalistas com um texto-base da Campanha, documento que aprofundada o tema proposto. “O objetivo da campanha é de contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”, declarou o padre.

A Campanha da Fraternidade terá início na Quarta-feira de Cinzas, 9 de março de 2011, e se estende por toda a Quaresma. A partir deste mês de outubro, as lideranças das comunidades eclesiais estudam os materiais da CF preparando-se para a realização da Campanha na Quaresma.





19 de outubro de 2010

Desenvolvimento solidário e sustentável: é preciso repensar nosso modo de vida

Cáritas Brasileira Regional do Piauí/Mariana Gonçalves

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), desenvolvimento sustentável é: “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”. Isso significa a possibilidade de as pessoas de agora e do futuro atingir um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.

Para discutir o assunto dentro da perspectiva de construção em Rede, a Cáritas Brasileira Regional do Piauí realizou nos dias 23 e 24 de setembro o I Seminário Desenvolvimento Solidário Sustentável – Territorial. O evento reuniu agentes de todo o Piauí e apresentou propostas de sustentabilidade aliada à organização participativa. O evento contou também com a participação do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e de Jaime Conrado, assessor da Cáritas Brasileira Regional do Maranhão, que representou o Grupo de Trabalho de Desenvolvimento Solidário Sustentável - Territorial.

Segundo Carlos Humberto Campos, sociólogo, essa discussão se faz necessária para avaliarmos os caminhos de desenvolvimento que escolhemos, o qual possibilitou uma vida confortável para boa parte da população, mas que hoje requer que seja amplamente repensado. O desafio hoje é vivenciar uma nova construção de Vida. “Essa nova vida exige um modelo de desenvolvimento que denominamos de Solidariedade e Sustentabilidade. Essa construção implica em profundas mudanças de atitudes – pessoais e coletivas – sobretudo na maneira de se relacionar com as pessoas, a natureza e o mercado de consumo”, explica.

No Piauí, diversas Organizações Não Governamentais (ONGs) tem incentivado experiências de plantio agroecológico, reciclagem de materiais, mobilização para garantia de direitos e prática da Economia Popular Solidária e outras alternativas que possibilitem a discussão sobre a produção com visão na preservação do meio ambiente.

Uma experiência é a produção do Algodão Orgânico no município de Paulistana, apresentada pela ONG Centro de Estudos Ligados a Técnicas Alternativas (CELTA). As famílias agricultoras plantam o algodão sem uso de agrotóxicos e consorciado com outras culturas como o gergelim, o sorgo e a leucena. Na ultima safra, as famílias colheram 20 toneladas de algodão e cerca de 15 toneladas de gergelim.

O Movimento Quilombola apresentou algumas experiências de mobilização social para a garantia de direitos das populações tradicionais. Muitos quilombos do Estado tem sofrido com a intervenção das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê a desapropriação de algumas terras. Segundo Antônio Bispo, representante do movimento, para muitas comunidades que tem uma relação intima com a terra e o local onde sempre viveram, diretos tem sido negados, deixando as famílias a mercê da própria sorte.

Dentro dessa perspectiva de Rede da Cáritas Brasileira, os agentes avaliaram as ações já realizadas e formularam novas propostas. Como avanços, foram apontados a maior organização das comunidades e grupos em associações, cooperativas e redes; conscientização da população e aproximação das instituições parceiras na proposta de Desenvolvimento Sustentável através da Economia Solidária, com destaque para os projetos de Fundos Rotativos Solidários apoiados pelo BNB.

Como desafios a serem superados, a Cáritas e as diversas organizações ainda tem que transpassar a barreira da sustentabilidade institucional, a burocracia de acesso aos recursos públicos, a divulgação de ações e formação através da comunicação, buscando o comprometimento de todas as pessoas para a proposta.

Segundo Hortência Mendes, secretária regional, a sustentabilidade que a Cáritas defende vai além do economicismo e se sustenta nas ações solidárias. “A Solidariedade é aquela concebida como fonte de abrigo e segurança que cria sentimento de pertença e nos torna pessoas aptas a vivermos com dignidade mesmo diante de situações adversas”, afirma a secretária.

Fonte: http://www.caritas.org.br/noticias.php?code=13&id=1068&filtro=12







3 de outubro de 2010

Populações pobres: “grandes demais para que fracassem”

Porta-voz vaticano analisa cúpula sobre Objetivos de Desenvolvimento do Milênio


Se durante a recente crise, a política se mobilizou para ajudar os bancos, já que eram "grandes demais para que fracassem", com maior empenho terá de fazê-lo a favor dos povos que sofrem fome e pobreza, assegura o porta-voz vaticano. O Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, fez uma análise do histórico discurso que Bento XVI pronunciou no Westminster Hall de Londres, no dia 17 de setembro, ao mundo político, social, acadêmico, cultural e empresarial britânico, à luz da recente cúpula da ONU sobre o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

No Reino Unido, o Pontífice recordou que os governos intervieram de forma massiva e imediata para salvar instituições financeiras muito importantes que estavam à beira do fracasso. "Considerou-se necessário intervir destinando quantidades enormes - recordava o Papa -, porque estas instituições eram ‘grandes demais para que fracassem' (Too big to fail)." Sem esta intervenção econômica, explicou, "a economia dos países interessados teria sofrido graves danos".

Segundo explica seu porta-voz no último editorial de Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano, o Papa quis dizer que, "se foram capazes de intervir para salvar grandes instituições financeiras, por que não se aplica a mesma coisa quando se trata do desenvolvimento dos povos da terra, da fome e da pobreza?".

"Este, sim, é um verdadeiro objetivo ‘grande demais para que fracasse'!", sublinha o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé - "a partir desta perspectiva, deve-se enfocar a cúpula de Nova York sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Certamente, haverá diversas avaliações. A empresa é ciclópea e é um apelo à colaboração, não só do governo, mas também de todas as forças ativas da sociedade, tanto do mundo desenvolvido como do que está em vias de desenvolvimento".

O sacerdote jesuíta recorda que a Igreja, nos diversos lugares do mundo, está comprometida neste campo "à luz de uma perspectiva espiritual e moral, consciente e atenta aos valores fundamentais, bem delineados na encíclica "Caritas in Veritate". Como reiterava em Nova York o representante da Santa Sé, cardeal Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, "a pessoa humana deve ser colocada no centro da pesquisa para o desenvolvimento; não deve ser vista como um peso, mas como parte ativa da solução".

Fonte: http://www.zenit.org/article-26134?l=portuguese



26 de setembro de 2010

Diversos países pobres não alcançarão os objetivos do milênio em 2015

Por Nieves San Martín


Cinco anos antes do fim do prazo assinalado pela ONU para se cumprirem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a Cáritas Internacional afirmou que muitos países pobres não poderão alcançar as metas. A organização humanitária da Igreja fez esta afirmação no contexto da cúpula da ONU celebrada sobre o tema em Nova York, entre 20 e 22 de setembro.

O objetivo deste encontro de líderes mundiais foi acelerar o avanço dos objetivos propostos, uma série de metas que vão desde reduzir a mortalidade materna e infantil até reduzir pela metade o número de pessoas que passam fome no mundo.

O secretário geral da Cáritas Senegal, Ambroise Tine, participou da cúpula como representante de Cáritas Internacional. “Se perguntar a uma família pobre do Senegal se já ouviu falar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, é quase certo responderem que não. Mas estão trabalhando cada dia mais para alcançá-los. Conhecem os ODM por outro nome. Eles o chamam de sobrevivência”, afirmou ao portal da Cáritas.

“Nossa geração é a primeira que possui conhecimentos e recursos para ajudar milhões de pessoas a escaparem da pobreza. O que faz falta é vontade política dos líderes mundiais para cumprir as promessas de seus governos. Esta vontade política deve ser manifestada no cancelamento da dívida, em regras justas de comércio internacional e mais ajuda. Não é simplesmente questão de mais dinheiro. Necessitamos de líderes políticos que olhem a todos como seres humanos cuja dignidade, liberdade e direito de melhores condições de vida são invioláveis e profundamente sagrados”, acrescentou.





A Caritas Internacional reconheceu que na última década houve progressos, desde que os líderes mundiais firmaram a Declaração do Milênio de 2000. Recordou ainda que, quando as taxas escolares foram abolidas na Uganda, Tanzânia e Quênia, sete milhões a mais de crianças começaram a frequentar a escola. Além disso, constata que foi multiplicado por dez o tratamento contra a SIDA-AIDS e o HIV nos últimos cinco anos. Mas advertiu que, faltando cinco anos para a meta prevista de 2015, muitos países pobres não alcançarão os objetivos.

A Cáritas Internacional destacou que uma em cada sete crianças na África não chega ao seu quinto aniversário. No mundo, 8,8 milhões de crianças morreram em 2008. Quatro doenças – pneumonia, diarreia, malária e AIDS – são a causa de 43% dessas mortes. A organização humanitária da Igreja está desenvolvendo uma campanha internacional de apoio aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.




(Pena que muitas das ações desenvolvidas prol ODMs sejam contrárias à fé católica...)

5 de setembro de 2010

"Sim" à proteção animal, mas não às custas da vida humana...

Tradução: Nieves San Martín

Os métodos alternativos aos testes com animais poderiam incluir testes com células-tronco embrionárias humanas e após o projeto da Diretiva Europeia que está sendo preparado, os Estados membros poderiam ser obrigados a utilizar tais testes. Sobre esta questão, a Commission of the Bishops' Conferences of the European Union - COMECE (Comissão de Conferências Episcopais da Comunidade Europeia) se manifestou contra e no próximo dia 08 de setembro, a Assembleia Plenária do Parlamento Europeu se pronunciará, em segunda leitura, sobre um projeto da Diretiva sobre a proteção dos animais utilizados com fins científicos (COD/2008/0211).

São utilizados animais na pesquisa científica para o desenvolvimento de medicamentos e evolução da toxidade química, ecotoxicologia e a segurança de produtos (pesticidas, aditivos alimentares, cosméticos e outras substâncias que apresentam risco potencial para a saúde humana). Um dos objetivos da Diretiva é substituir os testes com animais por métodos alternativos e entre eles, alguns métodos poderiam incluir testes baseados na utilização de células-tronco embrionárias humanas obtidas na destruição de embriões.

A COMECE se mostra "extremamente preocupada pela disposição do projeto da Diretiva: os Estados membros poderiam ser obrigados a assegurar a implementação destes métodos alternativos, baseando-se ou não nas células-tronco embrionárias humanas". O Relatório da Etapa 2009 - "Estratégias de testes alternativos da Comissão Europeia" - aborda exemplos das estratégias de testes alternativos que estão atualmente em desenvolvimento. De um total de 21 estratégias, as cinco seguintes utilizam células-tronco humanas:

1. ReProtect: seu objetivo é desenvolver testes sobre a toxidade reprodutiva, utilizando células-tronco humanas tratadas quimicamente durante sua diferenciação neuronal e cardíaca.

2. VITROCELLOMICS: propõe desenvolver testes pré-clínicos de previsão sobre medicamentos, utilizando modelos hepáticos humanos in vitro derivados de células-tronco humanas.

3. INVITROHEART: com o objetivo de desenvolver um modelo in vitro derivado de células-tronco embrionárias humanas, representando fielmente os cardiomiócitos humanos para provar os medicamentos.

4. ESNATS: com a finalidade de desenvolver uma nova plataforma de testes de toxidade, baseada particularmente nas células-tronco embrionárias humanas, para racionalizar o processo de desenvolvimento de medicamentos e avaliar sua toxidade nos estudos clínicos.

5. CarcinoGENOMICS: pretende desenvolver um teste para avaliar as propriedades teratogênicas e carcinogênicas de compostos químicos in vitro, utilizando células hepatocyte-like derivadas de células-tronco embrionárias humanas.

Estas tecnologias receberam apoio financeiro da União Europeia por meio dos programas marco de pesquisa 6° e 7°. Ainda mostrando-se de acordo com os objetivos previstos por esta Diretiva - a proteção animal -, a COMECE recorda "a diferença fundamental que existe entre a dignidade dos animais e os seres humanos".

De acordo e com coerência com suas declarações anteriores, a COMECE lança, portanto, um apelo aos membros do Parlamento Europeu para "excluir explicitamente dos métodos de testes alternativos obrigatórios, no contexto desta Diretiva, os que implicam na utilização de células-tronco embrionárias humanas". Este enfoque, conclui, "permitiria ainda promover as outras diversas estratégias de teste alternativo que estão amplamente acordadas".

Fonte: http://www.zenit.org/article-25903?l=portuguese




Peregrinação 'verde' ao Santuário de Mariazell


Os bispos e delegados das conferências episcopais europeias responsáveis pela proteção da criação, realizaram entre os dias 01 e 05 de setembro, uma peregrinação "verde" em cinco etapas, desde Esztergom (Hungria) até o santuário mariano de Mariazell (Áustria), passando por Brastislava (Eslováquia). A iniciativa, promovida pelo Consillium Conferentiarum Episcoporum Europae - CCEE (Conselho das Conferências Episcopais da Europa), busca refletir sobre o tema indicado por Bento XVI para o Dia Mundial da Paz de 2010: "Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação".

"A crise ecológica" - explicou o secretário-geral da CCEE, Pe. Duarte da Cunha - "entendida como uso irracional e irresponsável dos dons da criação, que estamos passando hoje na Europa, está ligada à atual crise moral do continente: uma influencia a outra. O próprio Santo Padre" - recordou Duarte - "destacou que uma verdadeira atenção à ecologia do planeta não pode prescindir de uma séria reflexão sobre a ecologia humana, de uma conversão espiritual nem de uma mudança nos estilos de vida".

Elaborou-se então uma peregrinação para enfrentar o tema da proteção da criação. "Por sua natureza" - afirmou o secretário-geral do CCEE - "a peregrinação é antes de tudo um caminho espiritual, um caminho de conversão que começa deixando o próprio ambiente habitual para alcançar um objetivo particular marcado pela intervenção divina". A peregrinação começou em Esztergom com a Celebração Eucarística e a benção do peregrino por parte do presidente do CCEE, arcebispo de Esztergom-Budapeste, Cardeal Peter Erdö.

No dia seguinte, os delegados chegaram de barco a Bratislava, cruzando as águas do Danúbio, o maior rio da Europa. Houve a oportunidade para refletir sobre o tema da água e da energia. Em Bratislava, os peregrinos foram acolhidos pelo arcebispo da cidade, Dom Stanislav Zvolenský e pelo prefeito Andrej Durkovský. Na sexta-feira, houve uma reflexão sobre a formação na proteção da criação, com uma mesa redonda que teve a participação do presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, e do ministro eslovaco de obras públicas, Ján Figel.

Após a viagem de ônibus até St. Polten (Áustria), foi realizada uma celebração ecumênica na catedral, da qual participaram alguns representantes das igrejas cristãs e órgãos ecumênicos locais e internacionais. Durante a celebração, foi recitada a Bridge Prayer ("Oração Ponte") junto os participantes do 14° Congresso Internacional da Renovabis sobre o tema "Ser responsáveis da criação - Desafio ecológico na Europa Central - Oriental", que acontecerá em Mônaco (Alemanha) entre os dias  02 e 04 de setembro.

No sábado, os peregrinos viajaram de trem desde St. Polten até Burgeralpe, onde foi presidida a Celebração Eucarística pelo arcebispo de Malinas-Bruxelas e presidente da Conferência Episcopal da Bélgica, Dom André-Joseph Léonard. Depois, percorreram a pé os últimos quilômetros da peregrinação até o santuário de Mariazell.

A peregrinação será concluída hoje, com missa presidida pelo presidente da Conferência Episcopal Austríaca e arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schonborn. Também participaram da peregrinação dez jornalistas de diversos países europeus que divulgarão os pensamentos dos delegados das Igrejas da Europa sobre os dons da criação.






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Bento XVI acompanha peregrinação verde

Uma ‘solidariedade global renovada’ não diminui a responsabilidade de uma região, país ou pessoa”, frisou em 03.09 o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson. No entender do prelado, a definição e o cumprimento de critérios de salvaguarda ambiental só poderá acontecer quando os líderes mundiais reconhecerem que a proteção da "criação" é um “meio essencial para a paz”, além de contribuir para evitar uma catástrofe ecológica.

As palavras de Peter Turkson foram proferidas em Bratislava, capital da Eslováquia, no terceiro dia da “Peregrinação Verde”, que inclui uma comitiva de bispos da maior parte dos países da Europa que fazem a viagem entre a Hungria e a Áustria em trajetos percorridos de barco, ônibus, comboio e a pé.

O Papa Bento XVI deseja que esta peregrinação “suscite um renovado empenho pela proteção do ambiente” e reafirme “o respeito imprescindível pelos dons divinos da Criação”, refere um telegrama enviado esta manhã pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, ao presidente do CCEE, cardeal Péter Erdö. Para o cardeal Peter Turkson, “se lhe for dada uma oportunidade, a Terra poderá ser capaz de se curar a si própria”, o que só sucederá “se a humanidade quiser dar os passos necessários para que tal aconteça”.

22 de agosto de 2010

Fundação Populorum Progressio aprova 186 projetos na América Latina

A Fundação Populorum Progressio financiará 186 projetos selecionados entre os que foram apresentados neste ano de 2010 pelas dioceses da América Latina e Caribe. O Conselho de Administração da Fundação reuniu-se de 20 a 23 de julho na República Dominicana e no Haiti, sendo acolhido pelo cardeal Nicolás de Jesús López Rodríguez, arcebispo de Santo Domingo.

Além de bispos representantes da Igreja na América Latina, estava presente, representando a Conferência Episcopal Italiana, Dom Giovanni Battista Gandolfo e durante a reunião, foram estudados 230 projetos apresentados pelas igrejas locais neste ano de 2010. Destes, foram aprovados 186 projetos, correspondentes a 20 países, apresentando um valor total de 2 milhões de dólares financiados pela Conferência Episcopal Italiana.

Outros 10 projetos provenientes do Haiti serão financiados diretamente pelo Pontifício Conselho Cor Unum, com as doações recebidas por esta finalidade. Das dioceses desse país vieram diferentes projetos para perfuração de poços de água e construção de cisternas. No contexto geral dos países, a maior parte dos projetos dirige-se a populações indígenas e camponesas. As iniciativas orientam-se às necessidades em diversos setores: produção, infraestrutura, educação, saúde e construção.

Haiti

De acordo com o comunicado da Santa Sé, o momento mais significativo da reunião anual foi a visita ao Haiti, no dia 22 de julho. O país tem sido motivo de especial atenção por parte da Fundação, que financiou 150 projetos locais desde 1993. Durante a visita, os prelados rezaram diante do túmulo do arcebispo de Porto Príncipe, Dom Joseph Serge-Miot, e do vigário geral, Dom Benoît Seguiranno, falecidos no terremoto de janeiro. Eles visitaram ainda as ruínas do seminário maior e da catedral da capital, acompanhados pelo núncio apostólico, Dom Bernardito Auza.

Em uma missa celebrada em um dos campos de acolhida da Igreja, foi lida uma mensagem de Bento XVI para a população do Haiti. O Papa encaminhará uma doação especial de 250 mil dólares para a reconstrução de uma escola. Em sua mensagem, Bento XVI convida a população a ter esperança e reafirma a presença da Igreja junto dos que mais sofrem. Passados seis meses do terremoto que devastou a ilha, quero que saibam que o Papa não se esqueceu de vocês; tem sempre presente a dor que sofreram e sabe do sofrimento e das dificuldades para reconstruir os lares, as cidades e as vidas”, afirmou o pontífice.

Natureza

A Fundação Populorum Progressio, instituída em 1992 por João Paulo II, quer ser um sinal de caridade do Papa para as populações indígenas, camponesas e afroamericanas da América Latina e Caribe. O Conselho de Administração está formado por sete membros: seis bispos de diferentes países da América Latina e um do Pontifício Conselho Cor Unum.





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Brasileiros continuam a colaborar com o Haiti

A Campanha realizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e a Cáritas Brasileira em favor do Haiti já arrecadou cerca de 8,2 milhões de reais. Segundo informou a Cáritas Brasileira, os recursos estão sendo aplicados em conjunto com a Igreja no Haiti e cerca de 3,2 milhões foram aplicados na primeira etapa de reestruturação, logo após o terremoto de 12 de janeiro. Em maio, a Igreja e a Cáritas iniciaram a segunda fase do atendimento ao país, que vai durar um ano e seis meses.


Emergência

Na primeira etapa, entre 13 de janeiro e 30 abril, fase de atendimento emergencial, as Igrejas de todo o mundo participaram da Campanha SOS Haiti por meio das Cáritas em vários países. De acordo com a Cáritas Haiti, buscou-se, nesse período, atuar em todas as áreas das necessidades humanas para amenizar o sofrimento dos sobreviventes, colaborar com a reconstrução do país e investir com rigor os 26 milhões de dólares em doações recebidos pelas 65 Cáritas de várias regiões do mundo.

De acordo com informações da Cáritas Internationalis e Cáritas Haiti, nessa primeira etapa, mais de 200 mil pessoas tiveram acesso a água potável e a kits de higiene graças ao investimento em fornecimento de água e saneamento. Desamparados e ao relento, cerca de 900 mil pessoas receberam tendas e kits para se abrigarem até que tenham suas casas reconstruídas. Mais de 350 mil pessoas foram beneficiadas com programa de saúde. Cerca de 1,1 milhão de pessoas receberam kits de saúde e de primeiros socorros e contaram com 30 médicos e sete clínicas móveis.

Foram distribuídos 1,5 milhão de refeições ou suplementos alimentares. Na área da educação, 25 escolas foram restabelecidas e 53 receberam materiais escolares, estando prontas para recomeçarem as aulas. Por meio do programa “Cash for work” (tradução: "Dinheiro por trabalho"), duas mil pessoas foram beneficiadas com dinheiro.

Agora, na segunda etapa de reestruturação do país, estão previstos investimentos em recursos financeiros e humanos em saúde, educação, alimentação, habitação, economia solidária, meios de subsistência, reforço e otimização da Rede Cáritas, dentre outros.

Fonte: http://www.zenit.org/article-25690?l=portuguese

“Evangelho é solidariedade”

Entrevista para a Agência ZENIT, na qual o cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa e presidente da Cáritas Internacional, compartilha com os leitores de ZENIT - El Observador uma série de reflexões sobre a instituição de ajuda católica que ele preside, a justiça e o documento emitido pela Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em Aparecida em 2007.

Boa leitura!

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Entrevista com o arcebispo de Tegucigalpa e presidente da Cáritas Internacional


Por Jaime Septién e Omar Arcega


ZENIT: Caridade e globalização são compatíveis?
Cardeal Maradiaga: Não só compatíveis, mas a caridade tem de globalizar-se. Cristo nos deixou o amor ao próximo; João Paulo nos dizia que em um mundo onde só se globaliza a economia, é preciso globalizar a solidariedade e a maior demonstração de solidariedade é o amor.

ZENIT: Qual é a responsabilidade dos países desenvolvidos com relação aos subdesenvolvidos?
Cardeal Maradiaga: É a corresponsabilidade; isso deve ser um caminho de duas vias, dos países desenvolvidos aos subdesenvolvidos e vice-versa. Não se trata somente de ajudas humanitárias, como são chamadas por temor a dizer a palavra caridade; este conceito parece estar sendo desvalorizado. Nada mais distorcido. A primeira coisa que Bento XVI nos disse foi “Deus é amor” e não devemos ter complexos de inferioridade ao dar nome às coisas: a caridade é o cume do cristão, é o que de maior existe.

ZENIT: Como se unem as palavras “solidariedade” e “Evangelho”? 
Cardeal Maradiaga: Já em si o Evangelho é solidariedade, é Palavra feita carne que vem fazer-se um de nós e se torna Boa Notícia, torna-se Evangelho. O Santo Padre, no primeiro volume sobre Jesus Cristo, dizia que o Reino de Deus não é um lugar, não são coisas; o Reino é uma pessoa, é o Senhor Jesus. Aí está tudo unido: solidariedade, caridade e Cristo.

ZENIT: Qual é a relação entre justiça e meio ambiente?
Cardeal Maradiaga: A campanha que se faz na Cáritas Internacional não é simplesmente ecológica, porque, em nome da ecologia, cai-se no ecologismo, que é uma ideologia a mais, muitas vezes pervertida em panteísmo, que inclusive se converte em anticristianismo. Na Cáritas, falamos de justiça com a criação, justiça com o ambiente. A cúpula de Copenhague foi, tristemente, um fracasso, porque os grandes do mundo não querem se comprometer em sua responsabilidade com a criação.

Por isso, a Cáritas sustenta que não se trata somente de preocupar-se pelo ambiente; é justiça com a criação. Deus colocou a criação em nossas mãos não para sermos déspotas, nem para sermos abusadores, mas sim administradores. Não podemos herdar um mundo depredado; devemos herdar uma criação convenientemente administrada pela justiça.


ZENIT: Que papel os católicos devem desempenhar para que a justiça e a paz se abracem?
Cardeal Maradiaga: Em primeiro lugar, percebermos que a caridade não se opõe à justiça. O Papa Bento XVI, na primeira encíclica, fala-nos disso. Nos anos 70, quando todas as ideologias olhavam para o socialismo, diziam: “Não se deve dar por caridade o que corresponde por justiça”. Estavam erradas, porque a justiça e a caridade caminham juntas. Quando há justiça, chega a paz; não se pode construir a paz na injustiça; não se pode construir a paz no ódio.





ZENIT: Na sua experiência, os católicos têm consciência da dimensão social da Igreja?
Cardeal Maradiaga: Acho que a consciência existe, mas precisa ser educada. A comunidade cristã deve ser formada no que significa a dimensão social da caridade; é necessária esta instrução, porque as ideologias imperantes no mundo caminham no sentido contrário.

O próprio Santo Padre nos falou do individualismo, tendência contrária ao plano de Deus, que consiste em salvar-nos em comunidade, como Povo de Deus. Isso tem implicações sociais muito grandes; não se pode dizer que se ama a Deus a quem não vemos, se não amamos ao próximo, a quem vemos. Por isso, a Igreja nos deu o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, não como um livro a mais, mas como uma matéria pendente na vida de todos os batizados, que devemos interiorizar para praticar.


ZENIT: Como responder àqueles que qualificam as políticas da Cáritas de assistencialistas, entendendo por esta palavra o sentido mais negativo do conceito?
Cardeal Maradiaga: Os que falam de assistencialismo jamais deram sequer um centésimo para servir o próximo; pude comprovar isso: falam e desprezam, mas eles não colaboram. Uma pessoa que sabe o que é amar o próximo e servi-lo ainda que seja com uma pequena esmola, nunca falará de assistencialismo. Que continuem falando de assistencialismo os que nunca assistem sequer a si mesmos.

ZENIT: Qual é o papel do voluntariado dentro da Cáritas?
Cardeal Maradiaga: É central. A Cáritas não poderia existir sem o voluntariado, porque muitos entendem que a Cáritas é simplesmente acudir a emergências; essa é uma das funções, mas a função principal da Cáritas é educar cada cristão nas dimensões sociais do amor; mostrar que a pessoa não pode fechar-se em seu cristianismo de uma maneira individualista. Todos os programas educativos são de prioridade e todas as Cáritas têm programas de formação e de educação para os cristãos; o ideal é que todas as paróquias possam ter também sua pastoral social organizada, na qual a Cáritas participe.

ZENIT: Que características deve ter a Cáritas do século 21?
Cardeal Maradiaga: As mesmas que tem desde o começo, porque a Cáritas é amor e o amor não muda, só cresce. Agora temos de amar mais do que antes, porque nas coisas do dinheiro, quem tem muito dinheiro e dá muito dinheiro não fica sem nada; nas coisas do amor, quem tem muito e dá muito, cada dia tem mais.

O plano de Deus é que, frente à criação, sejamos administradores, frente a Deus sejamos filhos, frente ao próximo sejamos irmãos. O mundo vê Deus como um inimigo, vê o próximo como um adversário, vê a criação com sentido de exploração. Então, isso tem que mudar; devemos ser mais corresponsáveis, mais solidários, mais cheios de amor.


ZENIT: Em Aparecida se falou de uma mudança de época. Como o senhor vê, três anos depois, o convite à missão permanente?
Cardeal Maradiaga: A missão permanente vai caminhando, com diversas velocidades; em alguns lugares se dedicou o primeiro ano a estudar o documento e nesse passo vi progressos em muitas dioceses e também indiferença em outras. Há alguns que ainda não ficaram sabendo de Aparecida.

Eu gostaria de que todos nós sentíssemos essa necessidade de viver isso, porque é um documento precioso, nele vemos uma inspiração do Senhor. Já se fez um lançamento oficial da Missão Continental, que será um processo. Em alguns lugares, vai dando bons frutos e um deles é a corresponsabilidade entre as dioceses; não podemos pensar na diocese como algo rígido, onde ninguém pode se mover; as fronteiras do amor não são barreiras. Há mais consciência em nosso continente quanto a essa corresponsabilidade.

O projeto descansará basicamente no zelo pastoral dos bispos e dos sacerdotes, porque os leigos estão dispostos. Mas precisamos de que os pastores estejam repletos do coração de São Paulo: “Ai de mim se não evangelizar”.


ZENIT: Há um tema importante: a conversão pastoral...
Cardeal Maradiaga: Para mim, é uma das coisas geniais de Aparecida, porque coloca o dedo na ferida. Depois do Vaticano II, pegamos algumas coisas e permanecemos fazendo mais das mesmas coisas. Mas o Espírito Santo não trabalha assim. A primeira coisa que o Espírito Santo faz é desinstalar-nos; um sacerdote, em uma paróquia, fazendo mais da mesma coisa termina fazendo nada, porque esta mudança de época está nos pedindo coisas diferentes.

Aparecida enfatiza a formação na fé, ou seja, a catequese; nela encontramos uma das lacunas na pastoral. Em minhas paróquias, perguntei: “Como está a educação na fé?” E respondem: “O que é isso?”; outros dizem: “Não temos colégios católicos”.

Segundo a Igreja, o pároco é o primeiro responsável pela educação na fé dos seus fiéis e nos diz o diretório da catequese que deve ser a educação progressiva e sistemática da fé; isso não se cumpre; a catequese é esporádica e pré-sacramental; muitas vezes é tão elementar que encontramos catequistas que são pessoas ótimas e de boa vontade, mas dão uma preparação deficiente. Uma das linhas de conversão pastoral é que o pároco deve se sentir como o primeiro responsável pela formação dos seus fiéis. Ainda não há consciência disso.

ZENIT: Em muitos países, a Igreja se converteu em clientelar, não é verdade?
Cardeal Maradiaga: Todo o continente tem essa problemática; estamos esperando que venham a nós e cada vez chegam menos, porque não estão motivados. Já é hora de sair. Devemos levar o Senhor aos seus ambientes; aqui é onde encontramos um dos grandes defeitos da pastoral: não chegamos a evangelizar a política e os políticos, então, quando alguns – que se chamam bons cristãos – entram na política, a primeira coisa de que esquecem é do Evangelho.

Eu fundei uma universidade católica que agora tem 14 mil alunos. Com muitos esforços, fizemos uma faculdade de ciências políticas e ninguém se matriculou, porque não se considera que para ser político se requer formação; todos acreditam que precisam simplesmente saber todas as manhas. A disciplina pendente é formar autênticos políticos.

Não há muitos políticos dispostos a dar a vida pelo Reino mas há muitos que sucumbem frente ao dinheiro fácil. Quando se trata de perpetuar-se no poder, não importa se atropela-se uma constituição. Ainda estamos engatinhando frente à política do bem comum.

Fonte: http://www.zenit.org/article-25678?l=portuguese



24 de julho de 2010

Energia nuclear, um direito inalienável para o desenvolvimento

Por Antonio Gaspari

A energia nuclear é um direito inalienável para o desenvolvimento econômico e social”, é o que lembrou Dom Giampaolo Crepaldi, arcebispo de Trieste, no encerramento da convenção promovida pela Sociedade de Gerenciamento de Instalações Nucleares (SOGIN) , realizado em Trieste, Itália, em 16 de julho, cujo tema foi “A segurança nuclear é um bem comum”.




O já secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz revelou que a Santa Sé está entre os fundadores da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) visando a “promover o bem comum” e acompanhar de perto “os processos de desarmamento e não-proliferação nuclear, bem como as possíveis aplicações pacíficas da tecnologia nuclear”.

Garantir a segurança das instalações nucleares e dos depósitos – precisou o arcebispo –, regulando severamente a produção, distribuição e o comércio de material nuclear, parecem-me ser os pressupostos de uma política energética integrada, capaz de contemplar, ao lado das várias formas de energia limpa, também a energia nuclear”.

"A Doutrina Social da Igreja - enfatizou Dom Crepaldi - insere a energia nuclear no âmbito da responsabilidade comum da humanidade de construir o próprio progresso futuro, no respeito, não como se diz com frequência, aos ‘direitos do ambiente’, uma vez que o ambiente, naturalisticamente entendido, não tem direitos, mas sim aos direitos dos homens, inclusos os pobres de hoje e de amanhã e as gerações vindouras”.

O prelado sublinhou que a Santa Sé tem “afirmado repetidamente a necessidade de utilizar e favor do desenvolvimento dos países pobres os recursos energéticos que derivam da aplicação dos tratados de desarmamento nuclear”. Para Dom Crepaldi, "a Igreja tem em grande consideração a ciência, a técnica e o progresso humano, e ao mesmo tempo, convida o homem a uma postura de prudência, que não significa passividade, incerteza, renúncia ou paralisia das decisões”.

Francesco Mazzuca, comissário do governo italiano, explicou o papel e as atividades da SOGIN, organização controlada pelo Ministério da Economia, responsável pela gestão das centrais nucleares no país desde 1999. A SOGIN implementará em Trieste um parque tecnológico que contará com um centro de excelência, com laboratórios experimentais dedicados à formação, pesquisa e desenvolvimento na área”, afirmou. A escola deverá firmar convênio com o Centre for Theoretical Physics (ICTP), fundado em 1946 pelo físico paquistanês Abdus Salam, prêmio Nobel de Física em 1979, a fim de favorecer a cooperação internacional e a formação de cientistas nos países emergentes.

Após ter destacado a importância econômica e estratégica da tecnologia nuclear civil, o sub-secretário de desenvolvimento econômico da Itália, Stefano Saglia, disse que “uma central nuclear não pode ser vista como algo indesejável; é, ao contrário, uma oportunidade”.

Roberto Menia, representante do ministério do meio ambiente italiano, forneceu alguns dados que confirmam os benefícios econômicos e ambientais da produção de energia a partir de fontes nucleares, afirmando que “as usinas nucleares já não assustam ninguém”.

Fonte: http://www.zenit.org/article-25573?l=portuguese


30 de junho de 2010

Turismo e Biodiversidade

Mensagem do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, para o Dia Mundial do Turismo (27.09)


Com o tema Turismo e biodiversidade, proposto pela competente Organização Mundial, o Dia Mundial do Turismo quer oferecer sua contribuição a este 2010, declarado pela Assembléia Geral das Nações Unidas "Ano Internacional da Diversidade Biológica". Tal proclamação nasce da profunda preocupação "pelas repercussões sociais, econômicas, ambientais e culturais da perda da diversidade biológica, incluídas as conseqüências adversas que entranha para a consecução dos objetivos de desenvolvimento do Milênio, e destacando a necessidade de adotar medidas concretas para inverter esta perda". [1]

A biodiversidade, ou diversidade biológica, faz referência à grande riqueza de seres que vivem na Terra, assim como ao delicado equilíbrio de interdependência e interação que existe entre eles e com o meio físico que os acolhe e condiciona. Esta biodiversidade se traduz nos diferentes ecossistemas, dos quais são um bom exemplo os bosques, os pantanais, as savanas, as selvas, o deserto, os recifes de corais, as montanhas, os mares, ou as zonas polares.

Perante isto se pairam três grandes perigos, que requerem uma solução urgente: a mudança climática, a desertificação e a perda da biodiversidade. Esta última está se desenvolvendo nos últimos anos a um ritmo sem precedentes. Estudos recentes indicam que, a nível mundial, estão ameaçados ou em perigo de extinção 22% dos mamíferos, 31% dos anfíbios, 13.6% das aves e 27% dos recifes. [2]

Existem numerosos setores de atividade humana que contribuem grandemente a estas mudanças, e um deles é, sem dúvida alguma, o turismo, o qual se situa entre os que têm experimentado um maior e rápido crescimento. Ao respeito, podemos recordar as cifras que nos oferece a Organização Mundial do Turismo (OMT). Os turistas internacionais foram de 534 milhões em 1995, e 682 milhões em 2000 e as previsões que apareciam no informe Tourism 2020 Vision são de 1006 milhões para o ano de 2010, e que chegariam a 1561 milhões em 2020, com um crescimento médio anual de 4.1%. [3]

E a estas cifras de turismo internacional teria que acrescentar as mais importantes do turismo interno. Tudo isto nos mostra o forte crescimento deste setor econômico, o que comporta alguns importantes efeitos na conservação e uso sustentável da biodiversidade, com o conseqüente perigo de que se transforme num sério impacto meio ambiental, especialmente pelo consumo desmedido de recursos limitados (como a água potável e o território) e pela grande geração de contaminação e resíduos, superando as quantidades que seriam assimiladas por uma determinada zona.

A situação se agrava pelo fato de que a procura turística se dirige cada vez mais aos destinos da natureza, atraída pelas suas inumeráveis belezas, o que supõe um impacto importante nas populações locais, na sua economia, no seu meio ambiente e em seu patrimônio cultural. Este fato pode ser um elemento prejudicial ou, ao contrário, contribuir significativamente e em modo positivo à conservação do patrimônio. O turismo vive assim um paradoxo. Se por um lado surge e cresce graças à atração de paisagens naturais e culturais, por outro lado estes podem chegar a ser deteriorados e inclusive destruídos pelo mesmo turismo, o que significa ser rejeitados como destinos e não gozar da atração que era na origem.

Por tudo isso, devemos afirmar que o turismo não pode eximir-se de sua responsabilidade na defesa da biodiversidade, pelo contrário, deve assumir um papel ativo na mesma. O desenvolvimento deste setor econômico deverá ser acompanhado inevitavelmente dos princípios de sustentabilidade e respeito à diversidade biológica. De tudo isto se preocupou seriamente a comunidade internacional, e sobre o tema realizaram-se reiterados pronunciamentos. [4]

A Igreja quer juntar a sua voz, a partir do espaço que lhe é próprio, partindo da convicção que ela mesma "sente o seu peso de responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também na esfera pública. Ao fazê-lo, não tem apenas de defender a terra, a água e o ar, como dons da criação que pertencem a todos, mas deve sobretudo proteger o homem da destruição de si mesmo". [5]

Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas concretas, a Igreja, se preocupa de chamar a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. [6] O Magistério reitera insistentemente a responsabilidade do ser humano na preservação de um ambiente integro e sadio para todos, a partir do convencimento que "a tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo". [7]

Como foi indicado pelo Papa Bento XVI na sua encíclica Caritas in veritate, "o crente reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, de que o homem se pode responsavelmente servir para satisfazer as suas legítimas exigências — materiais e imateriais — no respeito dos equilíbrios intrínsecos da própria criação", [8] e cujo uso representa para nós "uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gerações futuras e a humanidade inteira". [9] Por isso, o turismo deve respeitar o meio ambiente, procurando alcançar uma perfeita harmonia com a Criação, de modo que, garantindo a sustentabilidade dos recursos de que depende, não origine irreversíveis transformações ecológicas.

O contato com a natureza é importante e, portanto, o turismo deve esforçar-se para respeitar e valorizar a beleza da criação, a partir do convencimento de que "muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto direto com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós". [10]

Todavia há um elemento que torna ainda mais exigente este esforço, isto é, na sua busca de Deus, o ser humano descobre algumas vias para aproximar-se ao Mistério, que tem como ponto de partida a criação. [11] A natureza e a diversidade biológica nos falam do Deus Criador, o Qual se faz presente na sua criação, "de fato, partindo da grandeza e beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, o seu Criador" (Sb 13,5), "pois foi o Principio e Autor da beleza quem as criou" (Sb 13, 3). É por isso que o mundo na sua diversidade, "oferece-se ao olhar do homem como rasto de Deus, lugar no qual se desvela a sua força criadora, providente e redentora". [12] Por este motivo, o turismo, aproximando-se à criação em toda a sua variedade e riqueza, pode ser ocasião para promover ou acrescentar a experiência religiosa.

É urgente e necessário encontrar um equilíbrio entre o turismo e a biodiversidade biológica, em que ambos se apoiem mutuamente, de modo que desenvolvimento econômico e proteção do ambiente não apareçam como elementos opostos e incompatíveis, mas tenda a conciliar as exigências de ambos. [13]

Os esforços de proteger e promover a diversidade biológica na sua relação com o turismo passam, em primeiro lugar, por desenvolver estratégias participativas e partilhadas, nas quais se comprometem os diversos setores envolvidos. A maioria dos governos, instituições internacionais, associações profissionais do setor turístico e organizações não governamentais defendem, com uma visão a longo prazo, a necessidade de um turismo sustentável, como única forma possível para que o seu desenvolvimento seja ao tempo economicamente rentável, proteja os recursos naturais e culturais, e sirva de ajuda real na luta contra a pobreza.

As autoridades públicas devem oferecer uma legislação clara, que proteja e potencie a biodiversidade, reforçando os benefícios e reduzindo os custos do turismo, e também vigiar para o cumprimento das normas. [14] Para que isto aconteça devem prever certamente uma importante inversão em planejamento e em educação. Os esforços governamentais deverão ser maiores nos lugares mais vulneráveis e onde a degradação tenha sido maior. Quiçá em alguns deles, o turismo deveria ser restrito ou, até mesmo evitado.

Pede-se ao setor empresarial do turismo de "planejar, desenvolver e conduzir seus empreendimentos minimizando impactos e contribuindo para a conservação de ecossistemas sensíveis, do meio ambiente em geral e levando benefícios às comunidades locais e indígenas".[15] Por isso, seria conveniente realizar estudos prévios da sustentabilidade de cada produto turístico, evidenciando os aportes positivos reais com os riscos potenciais, a partir da convicção de que o setor não pode buscar o objetivo do máximo benefício a qualquer custo. [16]

Finalmente, os turistas devem ser conscientes de que a sua presença em alguns lugares nem sempre é positiva. Com este fim, devem ser informados sobre os benefícios reais que comporta a conservação da biodiversidade, e ser educados em modo compatível ao turismo sustentável. Assim mesmo deveriam reclamar às empresas turísticas propostas que contribuam realmente ao desenvolvimento do lugar.

Em nenhum caso, nem o território nem o patrimônio histórico-cultural dos destinos devem sair prejudicados em favor do turista, adaptando-se aos seus gostos e desejos. Um esforço importante, que de modo especial deve realizar a pastoral do turismo, é a educação à contemplação, que facilite aos turistas descobrir os rastos de Deus na grande riqueza da biodiversidade.

Assim, graças a um turismo que se desenvolve em harmonia com a criação, facilitar-se-á no coração do turista o louvor do salmista: "Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso teu nome em toda a terra!" (Sal 8,2).

 

Cidade do Vaticano, 24 de junho de 2010
+ Antonio Maria Vegliò
Presidente

+ Agostino Marchetto
Arcebispo Secretário

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[1] Organização das Nações Unidas, Resolução A/RES/61/203 aprovada pela Assembleia Geral, 20 de dezembro de 2006.

[2] Cfr. J.-C. Vié, C. Hilton-Taylor and S. N. Stuart (eds.), Wildlife in a Changing World. An analysis of the 2008 IUCN Red List of Threatened Species, International Union for Conservation of Nature and Natural Resources, Gland, Switzerland, 2009, p. 18: http://data.iucn.org/dbtw-wpd/edocs/RL-2009-001.pdf


[4] Um primeiro documento a referir é a Carta do Turismo Sustentável, aprovada na "Conferência Mundial de Turismo Sustentável", celebrada na ilha espanhola de Lanzarote de 27 a 28 de abril de 1995. De forma conjunta, a Organização Mundial de Turismo (OMT), o World Travel & Tourism Council (WTTC) e o Conselho da Terra elaboraram em 1996 o informe Agenda 21 para a Indústria de Viagens e Turismo: Para um desenvolvimento ambientalmente sustentável, que traduz em um programa de ação para o turismo a Agenda 21 das Nações Unidas para a promoção do desenvolvimento sustentável (e foi adotada na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro em 1992). Outra referência importante é a Declaração de Berlim, documento conclusivo da "Conferência internacional de Ministros de Meio Ambiente sobre biodiversidade e turismo", que foi realizado na capital alemã de 6 a 8 de março de 1997. Quiçá seja este documento a contribuição mais importante, devido a sua elaboração, influência, difusão e aos seus signatários. Alguns meses depois assinou-se a Declaração de Manila sobre o impacto social do turismo, de onde se destacou a importância de uma série de princípios a favor da sustentabilidade turística. Como fruto da "Cúpula Mundial do Ecoturismo", organizada em maio de 2002 pela OMT, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), publicou-se a Declaração de Québec sobre o ecoturismo. No marco do "Convênio sobre Diversidade Biológica" editaram-se, no ano de 2004, as Diretrizes sobre a Diversidade Biológica e Desenvolvimento do Turismo. A todos estes documentos de índole internacional deve-se unir os numerosos manuais e compêndios de boas práticas que em relação a este tema foi publicado pela OMT, e entre as quais se pode destacar a intitulada Por um turismo mais sustentável: Guia para responsáveis políticos, editada em 2005 em colaboração com o PNUMA.

[5] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 51, AAS 101 (209), p. 687.

[6] Cfr. Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz 2010, 8 de dezembro de 2009, http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html.

[7] Pontifício Conselho "Justiça e Paz", Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2004, n. 466. Cfr. João Paulo II, Carta encíclica Centesimus annus, n. 40: AAS 83 (1991) p. 843.

[8] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 48, l.c., p. 684.

[9] Ibidem.

[10] Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz 2010, n. 13, l.c.

[11] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1977, n. 31.

[12] Pontifício Conselho "Justiça e Paz", Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 487, l.c.

[13] Cfr. Ibidem, n. 470.

[14] Cfr. Benedicto XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 50, l.c., p. 686.

[15] Cúpula Mundial del Ecoturismo, Informe Final. Declaração de Québec sobre o ecoturismo, 22 de maio de 2002, Organização Mundial do Turismo e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Madrid 2002, recomendação 21.

[16] Cfr. Organização Mundial do Turismo, Código Ético Mundial para o Turismo, 1 de outubro de 1999, art. 3 §4: http://www.unwto.org/ethics/full_text/en/full_text.php?subop=2

[Texto em Português oferecido pela Santa Sé - VIS]

Fonte: http://zenit.org/article-25365?l=portuguese & VIS (em espanhol)