24 de julho de 2010

Energia nuclear, um direito inalienável para o desenvolvimento

Por Antonio Gaspari

“A energia nuclear é um direito inalienável para o desenvolvimento econômico e social”, é o que lembrou Dom Giampaolo Crepaldi, arcebispo de Trieste, no encerramento da convenção promovida pela Sociedade de Gerenciamento de Instalações Nucleares (SOGIN) , realizado em Trieste, Itália, em 16 de julho, cujo tema foi “A segurança nuclear é um bem comum”.




O já secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz revelou que a Santa Sé está entre os fundadores da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) visando a “promover o bem comum” e acompanhar de perto “os processos de desarmamento e não-proliferação nuclear, bem como as possíveis aplicações pacíficas da tecnologia nuclear”.

“Garantir a segurança das instalações nucleares e dos depósitos – precisou o arcebispo –, regulando severamente a produção, distribuição e o comércio de material nuclear, parecem-me ser os pressupostos de uma política energética integrada, capaz de contemplar, ao lado das várias formas de energia limpa, também a energia nuclear”.

"A Doutrina Social da Igreja - enfatizou Dom Crepaldi - insere a energia nuclear no âmbito da responsabilidade comum da humanidade de construir o próprio progresso futuro, no respeito, não como se diz com frequência, aos ‘direitos do ambiente’, uma vez que o ambiente, naturalisticamente entendido, não tem direitos, mas sim aos direitos dos homens, inclusos os pobres de hoje e de amanhã e as gerações vindouras”.

O prelado sublinhou que a Santa Sé tem “afirmado repetidamente a necessidade de utilizar e favor do desenvolvimento dos países pobres os recursos energéticos que derivam da aplicação dos tratados de desarmamento nuclear”. Para Dom Crepaldi, "a Igreja tem em grande consideração a ciência, a técnica e o progresso humano, e ao mesmo tempo, convida o homem a uma postura de prudência, que não significa passividade, incerteza, renúncia ou paralisia das decisões”.

Francesco Mazzuca, comissário do governo italiano, explicou o papel e as atividades da SOGIN, organização controlada pelo Ministério da Economia, responsável pela gestão das centrais nucleares no país desde 1999. “A SOGIN implementará em Trieste um parque tecnológico que contará com um centro de excelência, com laboratórios experimentais dedicados à formação, pesquisa e desenvolvimento na área”, afirmou. A escola deverá firmar convênio com o Centre for Theoretical Physics (ICTP), fundado em 1946 pelo físico paquistanês Abdus Salam, prêmio Nobel de Física em 1979, a fim de favorecer a cooperação internacional e a formação de cientistas nos países emergentes.

Após ter destacado a importância econômica e estratégica da tecnologia nuclear civil, o sub-secretário de desenvolvimento econômico da Itália, Stefano Saglia, disse que “uma central nuclear não pode ser vista como algo indesejável; é, ao contrário, uma oportunidade”.

Roberto Menia, representante do ministério do meio ambiente italiano, forneceu alguns dados que confirmam os benefícios econômicos e ambientais da produção de energia a partir de fontes nucleares, afirmando que “as usinas nucleares já não assustam ninguém”.

Fonte: http://www.zenit.org/article-25573?l=portuguese


30 de junho de 2010

Turismo e Biodiversidade

Mensagem do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, para o Dia Mundial do Turismo (27.09)


Com o tema Turismo e biodiversidade, proposto pela competente Organização Mundial, o Dia Mundial do Turismo quer oferecer sua contribuição a este 2010, declarado pela Assembléia Geral das Nações Unidas "Ano Internacional da Diversidade Biológica". Tal proclamação nasce da profunda preocupação "pelas repercussões sociais, econômicas, ambientais e culturais da perda da diversidade biológica, incluídas as conseqüências adversas que entranha para a consecução dos objetivos de desenvolvimento do Milênio, e destacando a necessidade de adotar medidas concretas para inverter esta perda". [1]

A biodiversidade, ou diversidade biológica, faz referência à grande riqueza de seres que vivem na Terra, assim como ao delicado equilíbrio de interdependência e interação que existe entre eles e com o meio físico que os acolhe e condiciona. Esta biodiversidade se traduz nos diferentes ecossistemas, dos quais são um bom exemplo os bosques, os pantanais, as savanas, as selvas, o deserto, os recifes de corais, as montanhas, os mares, ou as zonas polares.

Perante isto se pairam três grandes perigos, que requerem uma solução urgente: a mudança climática, a desertificação e a perda da biodiversidade. Esta última está se desenvolvendo nos últimos anos a um ritmo sem precedentes. Estudos recentes indicam que, a nível mundial, estão ameaçados ou em perigo de extinção 22% dos mamíferos, 31% dos anfíbios, 13.6% das aves e 27% dos recifes. [2]

Existem numerosos setores de atividade humana que contribuem grandemente a estas mudanças, e um deles é, sem dúvida alguma, o turismo, o qual se situa entre os que têm experimentado um maior e rápido crescimento. Ao respeito, podemos recordar as cifras que nos oferece a Organização Mundial do Turismo (OMT). Os turistas internacionais foram de 534 milhões em 1995, e 682 milhões em 2000 e as previsões que apareciam no informe Tourism 2020 Vision são de 1006 milhões para o ano de 2010, e que chegariam a 1561 milhões em 2020, com um crescimento médio anual de 4.1%. [3]

E a estas cifras de turismo internacional teria que acrescentar as mais importantes do turismo interno. Tudo isto nos mostra o forte crescimento deste setor econômico, o que comporta alguns importantes efeitos na conservação e uso sustentável da biodiversidade, com o conseqüente perigo de que se transforme num sério impacto meio ambiental, especialmente pelo consumo desmedido de recursos limitados (como a água potável e o território) e pela grande geração de contaminação e resíduos, superando as quantidades que seriam assimiladas por uma determinada zona.

A situação se agrava pelo fato de que a procura turística se dirige cada vez mais aos destinos da natureza, atraída pelas suas inumeráveis belezas, o que supõe um impacto importante nas populações locais, na sua economia, no seu meio ambiente e em seu patrimônio cultural. Este fato pode ser um elemento prejudicial ou, ao contrário, contribuir significativamente e em modo positivo à conservação do patrimônio. O turismo vive assim um paradoxo. Se por um lado surge e cresce graças à atração de paisagens naturais e culturais, por outro lado estes podem chegar a ser deteriorados e inclusive destruídos pelo mesmo turismo, o que significa ser rejeitados como destinos e não gozar da atração que era na origem.

Por tudo isso, devemos afirmar que o turismo não pode eximir-se de sua responsabilidade na defesa da biodiversidade, pelo contrário, deve assumir um papel ativo na mesma. O desenvolvimento deste setor econômico deverá ser acompanhado inevitavelmente dos princípios de sustentabilidade e respeito à diversidade biológica. De tudo isto se preocupou seriamente a comunidade internacional, e sobre o tema realizaram-se reiterados pronunciamentos. [4]

A Igreja quer juntar a sua voz, a partir do espaço que lhe é próprio, partindo da convicção que ela mesma "sente o seu peso de responsabilidade pela criação e deve fazer valer esta responsabilidade também na esfera pública. Ao fazê-lo, não tem apenas de defender a terra, a água e o ar, como dons da criação que pertencem a todos, mas deve sobretudo proteger o homem da destruição de si mesmo". [5]

Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas concretas, a Igreja, se preocupa de chamar a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. [6] O Magistério reitera insistentemente a responsabilidade do ser humano na preservação de um ambiente integro e sadio para todos, a partir do convencimento que "a tutela do ambiente constitui um desafio para toda a humanidade: trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo". [7]

Como foi indicado pelo Papa Bento XVI na sua encíclica Caritas in veritate, "o crente reconhece o resultado maravilhoso da intervenção criadora de Deus, de que o homem se pode responsavelmente servir para satisfazer as suas legítimas exigências — materiais e imateriais — no respeito dos equilíbrios intrínsecos da própria criação", [8] e cujo uso representa para nós "uma responsabilidade que temos para com os pobres, as gerações futuras e a humanidade inteira". [9] Por isso, o turismo deve respeitar o meio ambiente, procurando alcançar uma perfeita harmonia com a Criação, de modo que, garantindo a sustentabilidade dos recursos de que depende, não origine irreversíveis transformações ecológicas.

O contato com a natureza é importante e, portanto, o turismo deve esforçar-se para respeitar e valorizar a beleza da criação, a partir do convencimento de que "muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto direto com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós". [10]

Todavia há um elemento que torna ainda mais exigente este esforço, isto é, na sua busca de Deus, o ser humano descobre algumas vias para aproximar-se ao Mistério, que tem como ponto de partida a criação. [11] A natureza e a diversidade biológica nos falam do Deus Criador, o Qual se faz presente na sua criação, "de fato, partindo da grandeza e beleza das criaturas, pode-se chegar a ver, por analogia, o seu Criador" (Sb 13,5), "pois foi o Principio e Autor da beleza quem as criou" (Sb 13, 3). É por isso que o mundo na sua diversidade, "oferece-se ao olhar do homem como rasto de Deus, lugar no qual se desvela a sua força criadora, providente e redentora". [12] Por este motivo, o turismo, aproximando-se à criação em toda a sua variedade e riqueza, pode ser ocasião para promover ou acrescentar a experiência religiosa.

É urgente e necessário encontrar um equilíbrio entre o turismo e a biodiversidade biológica, em que ambos se apoiem mutuamente, de modo que desenvolvimento econômico e proteção do ambiente não apareçam como elementos opostos e incompatíveis, mas tenda a conciliar as exigências de ambos. [13]

Os esforços de proteger e promover a diversidade biológica na sua relação com o turismo passam, em primeiro lugar, por desenvolver estratégias participativas e partilhadas, nas quais se comprometem os diversos setores envolvidos. A maioria dos governos, instituições internacionais, associações profissionais do setor turístico e organizações não governamentais defendem, com uma visão a longo prazo, a necessidade de um turismo sustentável, como única forma possível para que o seu desenvolvimento seja ao tempo economicamente rentável, proteja os recursos naturais e culturais, e sirva de ajuda real na luta contra a pobreza.

As autoridades públicas devem oferecer uma legislação clara, que proteja e potencie a biodiversidade, reforçando os benefícios e reduzindo os custos do turismo, e também vigiar para o cumprimento das normas. [14] Para que isto aconteça devem prever certamente uma importante inversão em planejamento e em educação. Os esforços governamentais deverão ser maiores nos lugares mais vulneráveis e onde a degradação tenha sido maior. Quiçá em alguns deles, o turismo deveria ser restrito ou, até mesmo evitado.

Pede-se ao setor empresarial do turismo de "planejar, desenvolver e conduzir seus empreendimentos minimizando impactos e contribuindo para a conservação de ecossistemas sensíveis, do meio ambiente em geral e levando benefícios às comunidades locais e indígenas".[15] Por isso, seria conveniente realizar estudos prévios da sustentabilidade de cada produto turístico, evidenciando os aportes positivos reais com os riscos potenciais, a partir da convicção de que o setor não pode buscar o objetivo do máximo benefício a qualquer custo. [16]

Finalmente, os turistas devem ser conscientes de que a sua presença em alguns lugares nem sempre é positiva. Com este fim, devem ser informados sobre os benefícios reais que comporta a conservação da biodiversidade, e ser educados em modo compatível ao turismo sustentável. Assim mesmo deveriam reclamar às empresas turísticas propostas que contribuam realmente ao desenvolvimento do lugar.

Em nenhum caso, nem o território nem o patrimônio histórico-cultural dos destinos devem sair prejudicados em favor do turista, adaptando-se aos seus gostos e desejos. Um esforço importante, que de modo especial deve realizar a pastoral do turismo, é a educação à contemplação, que facilite aos turistas descobrir os rastos de Deus na grande riqueza da biodiversidade.

Assim, graças a um turismo que se desenvolve em harmonia com a criação, facilitar-se-á no coração do turista o louvor do salmista: "Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso teu nome em toda a terra!" (Sal 8,2).

 

Cidade do Vaticano, 24 de junho de 2010
+ Antonio Maria Vegliò
Presidente

+ Agostino Marchetto
Arcebispo Secretário

______________________


[1] Organização das Nações Unidas, Resolução A/RES/61/203 aprovada pela Assembleia Geral, 20 de dezembro de 2006.

[2] Cfr. J.-C. Vié, C. Hilton-Taylor and S. N. Stuart (eds.), Wildlife in a Changing World. An analysis of the 2008 IUCN Red List of Threatened Species, International Union for Conservation of Nature and Natural Resources, Gland, Switzerland, 2009, p. 18: http://data.iucn.org/dbtw-wpd/edocs/RL-2009-001.pdf


[4] Um primeiro documento a referir é a Carta do Turismo Sustentável, aprovada na "Conferência Mundial de Turismo Sustentável", celebrada na ilha espanhola de Lanzarote de 27 a 28 de abril de 1995. De forma conjunta, a Organização Mundial de Turismo (OMT), o World Travel & Tourism Council (WTTC) e o Conselho da Terra elaboraram em 1996 o informe Agenda 21 para a Indústria de Viagens e Turismo: Para um desenvolvimento ambientalmente sustentável, que traduz em um programa de ação para o turismo a Agenda 21 das Nações Unidas para a promoção do desenvolvimento sustentável (e foi adotada na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro em 1992). Outra referência importante é a Declaração de Berlim, documento conclusivo da "Conferência internacional de Ministros de Meio Ambiente sobre biodiversidade e turismo", que foi realizado na capital alemã de 6 a 8 de março de 1997. Quiçá seja este documento a contribuição mais importante, devido a sua elaboração, influência, difusão e aos seus signatários. Alguns meses depois assinou-se a Declaração de Manila sobre o impacto social do turismo, de onde se destacou a importância de uma série de princípios a favor da sustentabilidade turística. Como fruto da "Cúpula Mundial do Ecoturismo", organizada em maio de 2002 pela OMT, com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), publicou-se a Declaração de Québec sobre o ecoturismo. No marco do "Convênio sobre Diversidade Biológica" editaram-se, no ano de 2004, as Diretrizes sobre a Diversidade Biológica e Desenvolvimento do Turismo. A todos estes documentos de índole internacional deve-se unir os numerosos manuais e compêndios de boas práticas que em relação a este tema foi publicado pela OMT, e entre as quais se pode destacar a intitulada Por um turismo mais sustentável: Guia para responsáveis políticos, editada em 2005 em colaboração com o PNUMA.

[5] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 51, AAS 101 (209), p. 687.

[6] Cfr. Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz 2010, 8 de dezembro de 2009, http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html.

[7] Pontifício Conselho "Justiça e Paz", Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 2004, n. 466. Cfr. João Paulo II, Carta encíclica Centesimus annus, n. 40: AAS 83 (1991) p. 843.

[8] Bento XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 48, l.c., p. 684.

[9] Ibidem.

[10] Bento XVI, Mensagem para a celebração do XLIII Dia Mundial da Paz 2010, n. 13, l.c.

[11] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, Libreria Editrice Vaticana, Cidade do Vaticano 1977, n. 31.

[12] Pontifício Conselho "Justiça e Paz", Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 487, l.c.

[13] Cfr. Ibidem, n. 470.

[14] Cfr. Benedicto XVI, Carta encíclica Caritas in veritate, n. 50, l.c., p. 686.

[15] Cúpula Mundial del Ecoturismo, Informe Final. Declaração de Québec sobre o ecoturismo, 22 de maio de 2002, Organização Mundial do Turismo e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Madrid 2002, recomendação 21.

[16] Cfr. Organização Mundial do Turismo, Código Ético Mundial para o Turismo, 1 de outubro de 1999, art. 3 §4: http://www.unwto.org/ethics/full_text/en/full_text.php?subop=2

[Texto em Português oferecido pela Santa Sé - VIS]

Fonte: http://zenit.org/article-25365?l=portuguese & VIS (em espanhol)

29 de junho de 2010

SOS Pernambuco e Alagoas: uma campanha para salvar vidas

Por Carla Lisboa, Assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira


A Cáritas Brasileira Regional Nordeste II e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Regional Nordeste 2 (CNBB-NE2) lançam hoje (23.06) campanha de emergência intitulada “SOS Pernambuco e Alagoas” em favor dos atingidos pelas chuvas. As doações poderão ser depositadas no Banco do Brasil, Agência 3505-X, Conta Corrente 5821-1.

Os estragos provocados pelas inundações provocaram, segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil, mais de 40 mortes nos dois estados. A catástrofe contabiliza, de acordo com dados de ontem (22.06), 29 mortes em Alagoas e 15 em Pernambuco. De acordo com a Defesa Civil de Alagoas, esses números podem aumentar à medida que as equipes de socorro enviem novos dados.

A situação foi criada pelo aumento do nível das águas nas cabeceiras dos rios, situados em Pernambuco, os quais, hidrograficamente, deságuam na região do Vale do Paraíba, Vale do Mundaú e Vale do Camaragibe. A falta de água, de alimentos, de abrigo, dentre outras, atinge mais de 200 mil pessoas nos dois estados.




ALAGOAS: Em Alagoas, segundo os boletins oficiais, o rio Mundaú subiu seis metros repentinamente na sexta-feira (18.06), causando enchente no Vale do Mundaú. Há registro de que 177.282 pessoas foram afetadas pelas chuvas e 607 desaparecidos, dos quais 500 vítimas somente no município de União dos Palmares. Até agora, 26.141 pessoas estão desabrigadas e 47.687 estão desalojadas. Há 21 municípios desse estado atingidos e 15 deles decretaram situação de calamidade pública. Mais de 4 mil casas foram destruídas.

Os óbitos em Alagoas foram registrados nos municípios de: União dos Palmares, Murici, Branquinha, Rio Largo, Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, e Paulo Jacinto. Em Alagoas, 17 municípios estão em estado de emergência: Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Laje, União dos Palmares, São Luiz do Quitunde, Matriz do Camaragibe, Jundiá, Jacuípe, Branquinha, Paulo Jacinto, Quebrangulo, Capela, Cajueiro, Atalaia, Viçosa, Rio Largo, Murici.

As 15 cidades em situação de calamidade pública são: Santana do Mundaú, Joaquim Gomes, São José da Lage, União dos Palmares, Jacuípe, Branquinha, Paulo Jacinto, Quebrangulo, Capela, Cajueiro, Atalaia, Viçosa, Rio Longo, Satuba e Murici.

PERNAMBUCO: Em Pernambuco, os registros da Defesa Civil estadual indicam que 54 municípios foram afetados pelas chuvas, dos quais 30 estão em situação de emergência e outros nove em situação de calamidade pública decretados pelo governador Eduardo Campos. Ainda de acordo com a Defesa Civil, 42 mil pessoas tiveram de deixar suas casas; 17.808 estão desabrigadas e 24.552 desalojadas.

Em estado de calamidade pública, encontram-se nove municípios: Água Preta, Barra de Guabiraba, Barreiros, Correntes, Cortês, Jaqueira, Palmares, São Benedito do Sul e Vitória de Santo Antão. Outros 30 estão em situação de emergência: Agrestina, Altinho, Amaraji, Belém de Maria, Bezerros, Bom Conselho, Bonito, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Catende, Chã Grande, Escada, Gameleira, Gravatá, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Joaquim Nabuco, Maraial, Moreno, Nazaré da Mata, Palmeirina, Pombos, Primavera, Quipapá, Ribeirão, São Joaquim do Monte, Sirinhaém, Tamandaré, Vicência e Xexéu.

Mais 15 municípios de Pernambuco foram afetados pelas chuvas: Abreu e Lima, Aliança, Angelim, Araçoiaba, Belo Jardim, Cachoeirinha, Igarassu, Itamaracá, João Alfredo, Jurema, Limoeiro, Olinda, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata.

Em Pernambuco, houve a distribuição, até agora, do total de 191,5 toneladas de alimentos e outras 52 toneladas de água foram entregues nos municípios mais afetados. Em Alagoas, 15 mil cestas doadas pelas CONABs de São Paulo, do Ceará, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, bem como oito mil cestas doadas pela CONAB de Alagoas, já foram enviadas aos locais mais necessitados. São Paulo e Rio Grande do Sul também doaram 21 mil toneladas, entre alimentos, cobertores e roupas.

Fonte: http://www.caritas.org.br/noticias.php?code=13&id=953&filtro=16

Reunião do G8/G20 deve liderar a luta contra crise alimentar

“Décadas de políticas econômicas e agrícolas desorientadas chegaram a ser algo muito difícil de suportar para os agricultores e pessoas de todo mundo. Registra-se um recorde de milhões de pessoas que sofrem atualmente de fome crônica. Uma em cada sete pessoas não tem comida necessária para uma vida básica”, afirma Caritas Internationalis em comunicado. A Caritas Internationalis afirma que a reunião dos países do G8/G20, a ser realizada entre os dias 25 a 27 de junho no Canadá, deverá oferecer uma nova liderança para enfrentar a crescente crise alimentar no mundo.

Segundo a organização, “os grupos G8 e G20 devem mudar as políticas de alimentação global, apoiando uma agricultura em pequena escala, sustentável, nos países em vias de desenvolvimento, em lugar da agricultura industrial”. O diretor executivo de Desenvolvimento e Paz de Caritas Canada, Machael Casey, disse que “diante da fome em muitas partes do mundo, Caritas acredita que as políticas agrícolas devam promover o pequeno agricultor e a produção de alimentos local. Os países do G8 e G20 devem demonstrar a liderança necessária para mudar as desastrosas políticas alimentares do passado. Devem também assumir compromissos de ajuda. Necessitamos de mais ajuda, melhor empregada. Necessitamos também de ver uma ação efetiva a respeito da mudança climática”, acrescentou Casey.

Fonte: http://zenit.org/article-25330?l=portuguese



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(Enquanto isto...)
 
Níger: crise alimentar afeta milhões de pessoas

A Caritas Internationalis deu voz de alerta diante da grave emergência alimentar que é registrada novamente na região do Sahel Ocidental, que está à beira de uma tragédia humana devido à grave escassez de alimentos. Nesta semana, foi estimado que ao menos dez milhões de pessoas passam fome em vários países da África Subsaariana. Embora Níger seja o país mais afetado, com 8 milhões de pessoas em risco, Chade, Mali e Burkina Faso também enfrentam uma grande escassez de alimentos.

Níger dispõe neste momento da metade das reservas necessárias para alimentar a população vítima da escassez. Até agora, foram conseguidos 47 mil toneladas de ajuda alimentar, das 85 mil solicitadas pelas autoridades do país. Da mesma forma, o sistema gratuito de saúde pública de Níger está quase falido, o que teria consequências devastadoras para as crianças, já que os programas para o tratamento da desnutrição são desenvolvidos por meio de centros de saúde.

Como alertou Raymond Yoro, secretário-geral da Caritas Níger, "estamos enfrentando uma possível emergência de sobrevivência infantil, já que 378 mil crianças se encontram em grande risco de padecer de desnutrição e 1,2 milhão está em risco de desnutrição moderada". A Caritas Internationalis destacou que Níger enfrenta uma escassez de alimentos até mesmo mais grave que a vivida durante 2005. Então, recordam os responsáveis da Caritas, "a lição que aprendemos foi que os atrasos na mobilização da ajuda custam vidas".

Diante desta situação, a Caritas Internationalis redobrou sua petição de ajuda a todas as Caritas doadoras do mundo, com objetivo de cobrir as necessidades do pedido de emergência lançado no mês passado para coletar os 2,9 milhões de euros necessários para financiar uma operação humanitária urgente em Níger. Este programa de emergência, ao qual a Caritas Espanha vai apoiar com 150 mil euros, contempla a distribuição de ajuda alimentar a 1,5 milhão de pessoas especialmente vulneráveis, além do desenvolvimento de projetos de "dinheiro por trabalho" e de distribuição de sementes, assim como planos de atenção prioritária para 17 mil crianças, mulheres grávidas e mães de primeira viagem.

Este programa de emergência vai ser desenvolvido em Tillabery, Agades, Rahoua e Zinder, as regiões de Níger onde o déficit alimentício afeta 35% da população. A irregularidade das chuvas, as colheitas ruins, o aumento nos preços dos alimentos e a pobreza crônica contribuíram para o aumento da crise alimentícia em 2010. As pessoas estão enfrentando uma severa escassez de alimentos há seis meses. Agora dependem de meios extremos de adaptação, que incluem vender seu gado, comer alimentos silvestres, tirar seus filhos das escolas e abandonar suas casas em busca de alimentos.

Fonte: http://zenit.org/article-25324?l=portuguese

Cuidados com patentes sobre vida

Intervenção de Dom Silvano M. Tomasi na Organização Mundial do Comércio


Por Inma Álvarez

 

"É incoerente proteger por lei os seres vivos enquanto se permite patentear e comercializar sem empecilhos éticos material genético e microbiológico". Dom Silvano M. Tomasi, observador permanente da Santa Sé no escritório das Nações Unidas e Instituições Especializadas em Genebra, interveio sobre este tema na reunião sobre direitos de propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio (OMC), no último dia 8 de junho.

Em sua exposição, o prelado indicou que a legislação comercial atual permite "excluir da patenteabilidade plantas e animais, mas não micro-organismos"; permite "excluir os processos biológicos que são essenciais para a produção de plantas e animais, mas não os microbiológicos. As patentes das formas de vida poderiam servir às vezes como instrumento para sustentar certas biotecnologias, problemáticas do ponto de vista ético e do ponto de vista de um sistema de propriedade intelectual que favoreça o desenvolvimento".

Dom Tomasi recordou especialmente o Artigo 4 da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos, que afirma que o material genético humano, "em seu estado natural, não pode dar lugar a benefício", assim como o artigo 21 da Convenção do Conselho da Europa e outras declarações no mesmo sentido. "Um mero controle comercial das patentes sobre a vida", adverte o prelado, "poderia influenciar tanto a segurança alimentar como as perspectivas de desenvolvimento dos países pobres", ao implantar-se "monopólios privados" sobre estes recursos.

Além disso, insistiu na preocupação que este tipo de patentes desperta, tanto no âmbito econômico quanto ambiental e, sobretudo, ético. As patentes sobre a vida terão "um impacto negativo sobre os direitos do consumidor, sobre a conservação da biodiversidade, sobre a tutela do meio ambiente, sobre os direitos dos povos indígenas, sobre a liberdade científica e acadêmica e, em definitivo, sobre o desenvolvimento econômico de muitos países. Além disso, batem de frente com a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, que a ONU adotou em 2007 e que, em seu artigo 31, reconhece a estes, entre outros, o direito à tutela dos seus recursos ambientais e genéticos".

Também se referiu à preocupação - manifestada inclusive pela Assembleia Especial do Sínodo para a África - sobre as sementes geneticamente modificadas: "Uma aplicação ilimitada dos procedimentos patenteadores sobre os desenvolvimentos biológicos, científicos e técnicos, poderia ser prejudicial para os métodos de pesquisa e produção", especialmente nos países pobres, ao "concentrar" a propriedade das sementes.

"A comunidade internacional deveria prestar a devida atenção às preocupações pela concentração de tecnologia e de recursos para a produção alimentar nas mãos de um pequeno grupo de entidades e sociedades guiadas exclusivamente por objetivos comerciais", advertiu. O prelado concluiu indicando que o objetivo principal da comunidade internacional "deveria ser o de promover o bem comum, além disso, "as regras e negociações do comércio internacional deveriam visar ao bem de todos, especialmente dos pobres e vulneráveis".

Fonte: http://zenit.org/article-25321?l=portuguese

14 de maio de 2010

O consumo, a partir de uma perspectiva educativa e teológica...

Por Mariaelena Finessi
[tradução do italiano por Patricia Navas,
tradução do espanhol por Renata Espíndola]


"Os especialistas a denominam 'sociedade do consumo', mostrando que é o consumo o que define de maneira substancial o funcionamento da estrutura social. Se trata de um fenômeno confrontado de diversas formas por muitos estudiosos e numa acepção mais crítica, se define também como consumismo, num declive que deixa entender um juízo negativo".

O presidente do Instituto Pastoral Redemptor Hominis, Dario Viganò, iniciou desta maneira a jornada de estudo “Consumo, dunque sono”? Una perspettiva educativa, teologica e sociale" (“Consumo, logo existo? Uma perspectiva educativa, teológica e social"). O encontro ocorreu no último dia 05 na Universidade Pontifícia Lateranense, em Roma. Seu título procede de um livro de Bauman do ano de 2008, o qual suscita uma dúvida com o objetivo declarado de aprofundar no tema do consumo e, em último caso, de indagar sobre a realidade existencial do homem de hoje.

Uma realidade caracterizada pela tecnologia e pelos meios de comunicação que, nas palavras de Menduni, “são produtos culturais realizados de maneira industrial, reproduzidos e difundidos num grande número de peças iguais ou similares, que dão a conhecer a seus usuários, pagando ou não, determinados conteúdos que frequentemente são produzidos por sua vez de maneira industrial, coletiva”.

"Por outro lado, os mesmos meios de comunicação aparecem, como escrevia Roger Silverstone em 1999, como “verdadeiros e próprios substitutos sociais, enquanto estes são substituidos na comum aleatoriedade da interação cotidiana, gerando de maneira insidiosa e contínua simulacros da vida. Nesta classificação midiática da sociedade" - interviu Massimiliano Padula, professor de Comunicação Institucional na Lateranense - "já não estão claros os limites entre consumo e consumismo. Individualidade e sociabilidade perdem sua força distintiva para mesclarem-se num meio sociocultural homogêneo cada vez mais evidente no Ocidente e que tem sido capaz de impor-se e de impor seu próprio modelo em todo o mundo, reproduzindo-o em distintos aspectos da vida”. 

"É o mesmo Ocidente que tem transformado o mundo num "MacDonalds", usando uma expressão de Ritzer sugerida pela maneira como a comida rápida se enraizou em todas partes com um crescimento exponencial. 
E numa realidade assim, acabamos “como que vivendo uma espécie de falso dilema: de um lado" - explicou a pedagoga e professora da Lateranense, Chiara Palazzini - "se cultivam intensamente as afeições, porém ninguém quer ouvir falar de laços; por outro lado, cada dia se estabelecem laços que afastam as afeições. O homem tem sentido isso no reconhecimento de seus semelhantes, pelo menos o que põe sua confiança nos objetos de consumo e acaba inevitavelmente sendo esse mesmo objeto. Por isso é necessário intervir com uma pedagogia enérgica. No fundo, a espontaneidade por si só, não produz rosas, senão espinhos”.

Todavia não existe uma receita mágica para educar. “Frequentemente, nosso dever é o que nos custa mais para por em prática”, reconheceu o coordenador das iniciativas do Projeto Cultural da Conferência Episcopal Italiana, Sergio Belardinelli. “Sem dúvida, há algo que pode ser feito: gerar quanto seja possível a consciência de que o bem e o prazer, como sustenta Platão, não são o mesmo. E fazer entender que a realidade existe sim, porém não dependendo espontaneamente de nossos desejos".

Dizia Rousseau que, "se o menino quer a maçã, não se deve levá-la a ele, senão conduzi-lo até ela”. Um ensinamento pedagógico precioso que habitua o esforço de atribuir um valor a cada coisa, indo além do preço de mercado. “Consumir" - explicou Francis-Vincent Anthony, professor de Teologia na Universidade Pontifícia Salesiana - "é esgotar recursos materiais, deriva de uma visão da realidade, como dizer sobre um modo de entender a pessoa humana e a Deus. De modo particular, atrás do nosso hábito atual de 'usar e descartar', há uma vissão mecanicista e utilitarista da natureza, que se reduz a um indiscreto uso e consumo por parte de cada pessoa. Superar esta visão excessivamente antropocêntrica e restabelecer uma relação ideal entre o criação, a pessoa e Deus é o primeiro passo que há de ser dado para combater o problema do consumismo. Traduzindo, significa que para alcançar o último objetivo da própria vida é necessário imprimir uma orientação ética à aquisição tanto dos bens materiais, como dos prazeres da vida. O mal não está no consumo, está em compensação, no se esgotar os recursos sem a preocupação com a consciência moral e a convivência comum”.

À pergunta “Consumo, logo existo?”, respondeu com segurança Anthony: “Sim, consumir é indispenssável para viver, porém uma vida digna da pessoa orientada para a alegria plena impõe a necessidade de se regular eticamente a satisfação das próprias necessidades, sacrificando também a própria vida pelo bem comum. O termo 'consumir' (do latim consumere) - composto por cum (com) e sumere (tomar, usar inteiramente) – indica, em sua acepção mais ampla, 'um tomar com' os demais. Neste sentido, consumir é sacrificar (sacrum facere), assim dizendo, uma ação sagrada. Pela perspectiva cristã" - concluiu Anthony – "a Eucaristia representa de uma maneira eloquente o consumo junto ao sacrifício que há de ser testemunhado na vida”.

Fonte: http://www.zenit.org/article-35324?l=spanish

11 de maio de 2010

Papa pede que prossiga caminho rumo a desarmamento nuclear

O Papa Bento XVI lançou ao mundo no último dia 06, um apelo para que prossiga o caminho até um mundo sem armas nucleares. Ao término da audiência geral, na Praça de São Pedro, o Papa se dirigiu aos participantes da conferência quinquenal de revisão do Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares, que começou na segunda-feira em Nova York diante das Nações Unidas e que terá duração até dia 28 de maio, invocando iniciativas concretas de paz.

"O processo para um desarmamento nuclear certo e seguro está estreitamente conectado com o pleno e solícito cumprimento dos compromissos internacionais. A paz, de fato, repousa sobre a confiança e sobre o respeito das obrigações assumidas, e não só sobre o equilíbrio de forças. Com este espírito apoio as iniciativas de que prossigam num progressivo desarmamento e a criação de zonas livres de armas nucleares, na perspectiva de sua completa eliminação do planeta. Exorto, finalmente, a todos os participantes na reunião de Nova York a superar os condicionamentos da história e a tecer pacientemente a trama política e econômica da paz, para ajudar ao desenvolvimento humano integral e as autênticas aspirações dos povos", afirmou Bento XVI.

O tratado que foi assinado em 1º de julho de 1968 em Londres, Moscou e Washington, entrando em vigor dia 5 de março de 1970, surgiu com o objetivo de restringir a difusão indiscriminada das armas nucleares, limitando sua possessão aos Estados reconhecidos como "militarmente nucleares": Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha, França e China, que aderiram em 1992.

Substancialmente, o tratado proíbe os Estados que firmaram o acordo a não se disporem do armamento nuclear, receber ou fabricar estes armamentos ou procurar tecnologias e material utilizável para a construção de armamento nuclear, proibindo aos "Estados nucleares" ceder aos outros armas nucleares ou tecnologia para construí-las. O tratado prevê a transferência de material e tecnologia nuclear com usos pacíficos, sob o controle estrito da IAEA (Agência Internacional para a Energia Atômica).

Em 2000 foi dado um importante passo ao aprovar um documento, os "Treze Pontos", que previa entre outras coisas a proibição completa dos testes nucleares e o compromisso dos Estados de se desarmarem unilateralmente. Contudo, a revisão de 2005 teve resultados desastrosos, e os Estados nucleares não aceitaram este documento como base para as discussões. Atualmente o Tratado foi firmado por 188 países. Não entra nessa lista Índia, Paquistão e Israel.

Gareth Evans, copresidente da Comissão Internacional para a Não-Proliferação e  Desarmamento Nuclear, salienta em um artigo da edição de hoje do L'Osservatore Romano que "este ano a ratificação também terá uma crucial importância, por parte do Senado americano, do novo tratado entre Estados Unidos e Rússia para limitar o desenvolvimento de armas nucleares estratégicas. Não porque os benefícios desse acordo sejam muito relevantes, mas porque se trata do fundamento de toda redução dos armamentos por parte de ambas superpotências. De fato, estas possuem 95% do estoque mundial de 23.000 cabeças nucleares, que equivalem a 150.000 bombas de Hiroshima e que potencialmente podem destruir o mundo várias vezes".

"Além disso", continuou, "segundo o relatório publicado recentemente pela Comissão internacional sobre a não-Proliferação nuclear e sobre o desarmamento, Eliminating Nuclear Threats: A Practical Agenda for Global Policymaker, as ameaças levantadas pelas armas nucleares tanto por Governos como por terroristas, são muito reais, maiores agora que antes e quando um país possui armas nucleares, outros também as querem. Se estas armas continuarem existindo, antes ou depois serão usadas, por equívoco, por erro de cálculo ou intencionalmente, qualquer uso que se faça delas será catastrófico para a vida dessa planeta", concluiu.


Fonte: http://www.zenit.org/article-24805?l=portuguese

27 de abril de 2010

Os Mandamentos do Meio Ambiente... Ou Bento XVI convida a ser responsável com a criação.

Por Pe. John Flynn, L.C.

Nos cinco anos desde que foi eleito Papa, Bento XVI tem falado repetidas vezes sobre temas relacionados com a ecologia. Como consequência, alguns começaram a chamá-lo de “Papa Verde”, mas esse rótulo não faz justiça às suas declarações.

Um guia útil para o que o atual pontífice disse sobre a criação e nossa responsabilidade para com ela é recolhido em um livro publicado no ano passado pelo jornalista Woodeene Koenig-Bricker. Em Ten Commandments for the Environment: Pope Benedict XVI Speaks Out for Creation and Justice (Dez Mandamentos para o Meio Ambiente: O Papa Bento XVI fala sobre a Criação e Justiça - Ave Maria Press), recolhe os comentários do Papa intercalados com suas opiniões pessoais sobre o meio ambiente.

A frase “Dez Mandamentos para o Meio Ambiente” não é de Bento XVI, mas foi o nome de um discurso proferido em 2005 por Dom Giampaolo Crepaldi, secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz (atualmente Dom Giampolo Crepaldi é bispo de Triesta, Itália). A mensagem principal desses mandamentos é que devemos ser administradores responsáveis da criação de Deus, e isso corresponde com o que o pontífice afirmou posteriormente, comentava Koenig-Bricker.

“Hoje todos vemos que o homem poderia destruir o fundamento de sua existência, sua terra”, dizia o Papa em 24 de julho, respondendo às perguntas dos sacerdotes das dioceses italianas de Belluno-Feltre e Treviso. Esse cuidado com a criação baseia-se em uma convicção que vai muito além de uma simples preocupação pela ecologia. Bento XVI desejava isso claramente ao responder uma pergunta durante suas férias de verão do ano seguinte. Em seu encontro com o clero da diocese de Bolzano-Bressanone, no dia 6 de agosto de 2008, indicava que há um “vínculo inseparável” entre criação e redenção.


Subjugar a terra

"O Redentor é o Criador, e se nós não anunciamos Deus em toda sua grandeza, como Criador e Redentor, tiramos também o valor da Redenção”, afirmava o Santo Padre após mencionar que, infelizmente, nas últimas décadas a doutrina de criação quase desapareceu da teologia. Bento XVI observava que acusaram os cristãos de ser responsáveis da destruição da criação pelas palavras do Gênesis, “subjugar a terra”.

Essa acusação é falsa, afirmava, posto que vemos a terra como criação de Deus: “a tarefa de ‘subjugá-la’ nunca foi entendida como uma ordem de fazê-la escrava, mas sim como a tarefa de custódia da criação e de desenvolver seus dons, de colaborarmos ativamente na obra de Deus, na evolução que ele pôs no mundo, de forma que os dons da criação sejam valorizados e não pisoteados e destruídos”.

A esse contexto entre o natural e o sobrenatural, entre fé em Deus e respeito pela criação, foi algo sobre o que Bento XVI se voltou na 
entrevista concedida aos jornalistas na viagem de avião para Sydney, Austrália, em 12 de julho de 2008. “Necessitamos do dom da Terra, da água; necessitamos do Criador. O Criador se faz presente em sua criação. Dessa forma compreendemos que não podemos ser realmente felizes, não podemos promover a verdadeira justiça em todo mundo sem um critério em nossas ideias, sem um Deus que seja justo e nos dê a luz da vida”, dizia.

O Papa mencionava o papel do Redentor em sua homilia da Missa do Galo de 2007. Cristo, afirmava, “veio para restituir à criação, ao cosmos, sua beleza e sua dignidade: é isto que tem início no Natal e faz os anjos saltarem de alegria”. O Natal é a festa de criação restaurada, a Terra se renova e celebra que céu e terra, homem e Deus se unem, comentava.


Dom de Deus

Pouco depois da publicação do livro Koenig-Bricker, veio a encíclica do Papa “Caridade na Verdade” (Caritas in Veritate). Na encíclica foram dedicados ao meio ambiente alguns parágrafos. Entre outros pontos, o pontífice advertia contra uma visão de uma natureza puramente materialista. "A salvação humana não pode vir da natureza por si só", afirmou, "temos uma legítima administração sobre a natureza", afirmava Bento XVI, que implica o dever de entregar às futuras gerações uma terra em boas condições.

Isso não é só uma questão de ciência ou economia, explica, mas sim uma questão que precisa integrar uma ecologia humana que inclui tudo o que forma nossa existência. “O livro da natureza é uno e indivisível, tanto no que diz respeito à vida, sexualidade, matrimônio, família, relações sociais, em suma, o desenvolvimento humano integral”, disse o Papa.

Há uma antinomia fundamental em nossa mentalidade se, por um lado, insistimos no respeito pelo meio ambiente natural enquanto, por outro lado, não respeitamos o direito à vida e à morte natural, insistia Bento XVI. A relação entre o respeito pelo meio ambiente e o respeito pela vida foi um tema recorrente nas declarações do Papa sobre ecologia.

“Os grandes temas morais, vitais, da paz, a não-violência, a justiça e o respeito da criação não conferem por si só a dignidade ao homem”, dizia ao novo embaixador da Irlanda junto à Santa Sé em 15 de setembro de 2007. A vida humana tem uma dignidade natural, explicava. “É preocupante o fato de que frequentemente os mesmos grupos sociais e políticos que, admiravelmente, estão mais em harmonia com a maravilha da criação de Deus dão pouca atenção para a maravilha da vida no útero”, comentava o Papa.


Ecologia e Paz

No início desse ano, em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2007, Bento XVI também uniu o respeito pela ecologia e paz. “Assim, pois, além da ecologia e natureza há uma ecologia que podemos chamar ‘humana’, e que por sua vez requer uma ‘ecologia social’”, observou. “A experiência demonstra que toda atitude irresponsável com o meio ambiente resulta em danos da convivência humana, e vice-versa”, acrescentou ao discurso. “Cada vez mais é possível ver claramente um nexo inseparável entre paz com a criação e a paz entre os homens. Ambas pressupõem a paz com Deus”, concluía o Papa. Essa relação entre ecologia e paz voltou como tema central da Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2010.

"O meio ambiente é um dom de Deus a todos os povos. Nem a natureza e nem os seres humanos podem ser vistos como meros produtos", afirmava o pontífice. Ele encorajava a uma maior solidariedade entre as nações ao tratar os problemas ecológicos e examinar nosso estilo de vida, modelos de consumo e produção. Mais uma vez ele advertiu contra o panteísmo ou o paganismo em que se considera que nossa salvação só pode ser alcançada no mundo natural. Bento XVI estabelecia que a Igreja tem fortes reservas sobre uma visão ecocêntrica ou biocêntrica do meio ambiente.

O perigo dessas posturas é que não veem diferença alguma entre a pessoa humana e as demais criaturas vivas. “Dessa forma, é anulada na prática a identidade e o papel superior do homem, favorecendo uma visão igualitária da dignidade de todos os seres vivos”, advertia. Ao concluir a mensagem, Bento XVI observou que os cristãos contemplam o cosmos e as maravilhas da obra criadora do Pai e da obra redentora de Cristo. O cuidado do meio ambiente, o respeito pelos valores humanos e a vida, a solidariedade entre todos estão assim ligados à nossa fé em Deus, criador e redentor. Uma visão complexa do natural e do sobrenatural que vai além da ideia de ser simplesmente verde.

Fonte: http://zenit.org/p-24711






25 de abril de 2010

Ostensão 2010: um evento “verde”, sóbrio e solidário

Por Chiara Santomiero
[Adap. Renata Espíndola]


Nenhum desperdício de recursos, máximo respeito pelo meio-ambiente e atenção à solidariedade internacional. Assim se pode sintetizar, para além do significado religioso, a fórmula do evento “Ostensão 2010 do Santo Sudário”. A agência ZENIT falou com Maurizio Baradello, diretor do Comitê para a Ostensão, criado em 2008 por um acordo entre prefeituras e governos das províncias de Turim, Piemonte e a arquidiocese de Turim – à qual estão vinculadas, para fazer frente às despesas com a organização do evento, as instituições bancárias Companhia de São Paulo e a Fundação CRT.

É interessante observar como conceitos de gerenciamento ambiental foram incorporados no projeto, desde a sua concepção à sua desmobilização e incluindo o tratamento dos resíduos e efluentes gerados. Boa leitura!

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Atenção no uso dos recursos


"A primeira atenção foi dada à realização de obras permanentes. A maior parte das intervenções", explicou Baradello, “foi realizada em edifícios que permanecerão parte do patrimônio cultural da região. Este é o caso de diversas salas do Palácio Chiablese, re-estruturadas e utilizadas duarante a Ostensão do Sudário como capela para adoração Eucarística e centro para confissões, e que mais tarde abrigaram também bilheterias e livrarias”.

Da mesma forma, “o novo pórtico aberto nos Jardins reais, pelo qual passaram todos os peregrinos em direção à área do Museu de antiguidades, servirá ao próprio museu como via de acesso ao jardim, que anteriormente era acessível somente através de um percurso longo e complicado. Algumas intervenções tecnológicas foram também realizadas na expectativa de serem utilizadas novamente no futuro, como por exemplo as conexões via fibras óticas, bem como equipamentos e sistemas de difusão, sendo que o sistema de monitoração e controle do Sudário permanecerá operante”.

Um evento de baixo impacto ambiental

“Já na fase de projeto” – afirmou Baradello – “foi previsto que a Ostensão levaria a Turim entre 1,5 a 2 milhões de visitantes. Este dado exigiu que se elaborasse um sistema de gestão visando a minimização dos impactos ambientais sobre a cidade. Com a previsão de cerca de 20 mil vans para o transporte dos peregrinos, foi fácil imaginar o impacto de tal aumento no tráfego. Assim, preparamos um sistema para recepcionar os veículos na parte central da cidade, definindo percursos e pontos de parada de modo a garantir um fluxo ordenado e harmônico”.

Uma taxa ecológica e solidária

Às vans foi solicitado o pagamento de uma taxa ambiental com valor entre 30 e 50 euros, dependendo do porte do veículo. “A taxa” – explicou o diretor do comitê – “foi requerida pela cidade a fim de compensar o aumento na produção de CO2”, e o valor arrecadado foi aplicado “no plantio de árvores na área urbana da cidade, e na aquisição de créditos de carbono junto a países em desenvolvimento. Há organismos das Nações Unidas que controlam as cargas de poluentes lançados no ambiente e determinam métodos de compensação, mediante a aquisição de ‘créditos verdes’. Como o aumento nas emissões de CO2 ocorrido em Turim não afeta apenas o ambiente local, a compensação não precisa ser, necessariamente, feita aqui. Dessa forma, parceiros do evento no Brasil e na Argentina –as cidades de Rosario e Belo Horizonte, que gerenciam suas emissões – puderam partilhar conosco destes benefícios”. Uma demonstração de que a Ostensão do Sudário também teve entre suas preocupações os temas do desenvolvimento e da cooperação internacional.

Incentivos ao uso do transporte coletivo

Foi promovido o uso do transporte público e as pessoas que chegam de automóvel são convidadas a deixarem seus carros nos estacionamentos na periferia e fazer uso do transporte público. O bilhete “park and ride” permite, pelo custo de 1 euro, estacionar e fazer uso ilimitado do transporte público por um dia inteiro, com o intuito de manter os veículos longe do centro histórico da cidade.

Coleta seletiva de rejeitos

A atenção para com o meio-ambiente se verifica também em outros detalhes da recepção dos peregrinos. A AMIAT, sociedade que gerencia a coleta seletiva na área da Ostensão, disponibilizou cestos identificados para os diversos tipos de rejeitos. O material re-aproveitável é destinado à reciclagem. Além disso, foi disponibilizada gratuitamente água do aqueduto, de modo que não há distribuição de garrafas plásticas. Finalmente, nos praças de alimentação e descanso destinadas aos peregrinos, houve a preocupação de oferece bens e produtos locais – os assim chamados “produtos zero quilômetro”.

Sobriedade

“Todo o evento” – afirmou Baradello – “foi concebido para que servisse como exemplo de sobriedade. Este estilo sóbrio 'orientou todas as escolhas' e possibilitou a realização do evento com a ajuda de todos, pois sem a atuação dos voluntários, a Ostensão jamais teria ocorrido. Foram eles, entre outros, que garantiram a recepção das mais diversas categorias de pessoas, incluindo doentes e portadores de deficiências, além de autoridades; se tivéssemos que retribuir por tais serviços o evento teria sido impossível”.

A ajuda da internet

“O uso da internet” – explicou Baradello – “foi determinante. Os especialistas nos disseram que, por meio da internet, receberíamos cerca de 35% das reservas. Ao contrário recebemos 91% dos pedidos de reserva. O recurso da internet facilitou de tal forma a comunicação do evento, que acabou por ajudar a veicular um imagem diferente de Turim e de toda a região – não a de uma cidade ‘cinzenta -, mas viva e com mil possibilidades. Por meio da internet, também os hotéis e restaurantes puderam se organizar para o evento com meses de antecedência, algo muito positivo em um período de crise econômica”.

Encerramento do evento

Como será a conclusão do evento, no próximo 23 de maio? “Será preciso desmontar tudo” – concluiu Baradello – “colocar as obras permanentes à disposição da cidade, restabelecer o Sudário ao seu lugar de origem. Será lembrado sem dúvida como um evento de grande importância para a Igreja, e esperamos que positivo em termos de organização, seja para os peregrinos, seja para a cidade”.


Sítio oficial do Santo Sudário:
(em inglês, italiano, francês, russo, alemão ou espanhol)